Diretoria da AHB é a favor da participação do Estado
Diretoria da AHB é a favor da participação do Estado
Texto: Márcia Buzalaf
Membros da diretoria da Associação Hospitalar de Bauru (AHB) são a favor da participação de um representante do Estado na administração dos três hospitais da associação, o Hospital de Base, o Manoel de Abreu e a Maternidade Santa Isabel. A aceitação da proposta deve vir acompanhada de uma verba para socorrer momentaneamente a AHB. Mesmo assim, na terça-feira, os três hospitais podem suspender totalmente os atendimentos.
Ontem, o presidente da associação, Joseph Saab, juntamente com Reinaldo Rocha, superintendente, e José Cardoso Neto e Carlos Alberto Ruiz, membros do conselho fiscal, manifestaram-se a favor da proposta feita pela Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo na quinta-feira. Os outros representantes de entidades que compõem a diretoria da AHB deverão discutir a proposta na próxima segunda-feira, em uma assembléia extraordinária convocada pela associação.
Para Saab, a proposta é praticamente a mesma que ele fez há dois anos atrás. Na oportunidade, o presidente da associação propôs ao secretário uma administração tripartite - composta pela AHB, pela DIR-X e pelo corpo clínico.
Se a diretoria toda votar pela administração dos hospitais com o Estado, a AHB deve receber uma verba para socorrer financeiramente a associação e evitar o cancelamento dos serviços. Se a decisão não for tão rápida, a AHB pode suspender os atendimentos públicos e privados na terça-feira. Saab afirma que a preocupação da associação nestes casos é manter os pacientes que estão internados.
A colocação de um administrador e de uma equipe técnica do Estado na AHB, na opinião de Saab, deve possibilitar que a associação renove o contrato com o SUS, vencido em 1995. Com a renovação do contrato, a associação poderia lançar seu plano de saúde popular. Os dois "parceiros" para este projeto - não revelados pelo presidente - afirmaram que, o plano poderia começar a entrar em funcionamento depois de 90 dias.
Para Saab, este administrador poderia ser o interlocutor da associação na Secretaria de Saúde do Estado e conviver de perto com os problemas que a associação vive diariamente.
Crise
O agravamento da crise na AHB de seu principalmente depois da retenção de 10% do faturamento do SUS em favor do INSS, pela dívida de R$ 4,9 milhões que a associação tem com o órgão federal. Saab afirma que o próprio Governo Federal editou uma Medida Provisória recentemente que determina a retenção de 2% da receita para quem tem dívida com o INSS. "Antes a gente tinha problema, mas com a retenção ficou impossível", alega Saab.
Outro fator que agravou a crise na saúde em Bauru, segundo Saab, foi o aumento do custo dos produtos hospitalares. Ele diz que os remédios, por exemplo, subiram 84% este ano, além dos produtos importados que tiveram seus preços dobrados.
Saab defende que a assembléia que determinou o fechamento dos hospitais foi votada favoravelmente por todos os 14 presentes
- a comissão é formada por 16 membros. Saab afirma que apenas o representante da Câmara Municipal, Rogério Medina, votou com ressalvas pelo fechamento do hospital.
Saab questiona as reclamações que foram feitas em relação à falta de organização das assembléias, afirmando que a AHB tem um calendário anual de assembléias e que todas elas têm sempre uma pauta, que se limita ao assunto a ser debatido.
A AHB também afirma que não recebeu o relatório que demonstra o resultado da autoria realizada na associação e concluída há um mês. Saab questiona as críticas de que algumas comissões exigidas por lei não existem, a não-existência do organograma e os contratos com os médicos. Para o presidente da associação, a única comissão que não foi criada ainda
é a de verificação de obras. A AHB também contesta os recursos que a DIR afirma ter repassado para a associação.
Reinaldo Rocha, superintendente da AHB, deve deixar o cargo para participar das próximas eleições no máximo em fevereiro do próximo ano. Saab afirma que não deve contratar ninguém logo de início.
Os dois fazem uma retrospectiva e questionam as críticas feitas à atual gestão, afirmando que a AHB nos últimos quatro anos aumentou pelo menos 30 serviços e que, agora,
é o único hospital de Bauru a ter estrutura suficiente para se enquadrar na regulamentação dos planos de saúde.