Segmentação dita as vendas no mercado imobiliário
Segmentação dita as vendas no mercado imobiliário
Texto: Luciano Augusto
Com a queda do poder aquisitivo do brasileiro, a segmentação está sendo a saída para o mercado imobiliário. Em busca de conforto e privacidade, a camada mais abastada da sociedade opta por condomínios residenciais horizontais ao passo que a classe média encontrou nos prédios de apartamentos a solução de moradia.
Ao contrário do que alguns veículos de imprensa noticiaram, pelo menos segundo o presidente do Centro das Indústrias da Construção no Estado de São Paulo (Cincoesp) e vice-presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado de São Paulo (SindusCon), Mário Cotrim Sartor. Ele aponta que as vantagens de outros tempos dos condomínios residenciais planos já não pesam tanto na decisão de compra de um imóvel.
Os condomínios horizontais, segundo Sartor, "viraram moda" na metade da década de 70, quando o poder aquisitivo dos salários era bem maior. "Os salários ganhavam mais do que ganham hoje e o consumidor podia optar pelo condomínio fechado; já hoje não, e o condomínio (horizontal)
é acessível a uma camada de privilegiados", afirma.
A horizontalização, completa o representante da construção civil, "é um modismo do momento". Ele adianta que na capital de São Paulo há o chamado Projeto Vila, onde é construída uma pequena vila em terrenos antes ocupados por indústrias, por exemplo.
"Isso é devido a voltar a ter aquela privacidade de ter a própria casa, não tendo vizinhos que possam perturbar", diz. Mas, por outro lado, a opção custa caro.
A quota de terreno de um prédio de apartamento, por exemplo, não custa mais do que 10% do valor do apartamento. Já a quota do terreno em condomínios horizontais chega até a 40%, dependendo do bairro e do padrão do condomínio.
Outro ponto é que os prédios, atualmente, não estão mais localizados nas áreas centrais das cidades. A opção é por bairros mais residenciais, fugindo do trânsito e da agitação das áreas mais movimentadas. Em relação à segurança, Sartor alega que ainda hoje, a segurança dos prédios
é maior do que nos condomínios fechados. "Em termos de conforto, uma casa tem muito mais, só que a segurança cai e o custo aumenta", avalia.
Para ele, há no mercado um equilíbrio: o condomínio horizontal passa da classe média para a alta, com poder aquisitivo maior; o condomínio vertical é a opção da classe média ou da altíssima, "quando é um apartamento por andar". Existem faixas no mercado, "mas a demanda é normal".
A opinião de Sartor, de certa maneira, é acompanhada pelos representantes locais e regionais da construção civil que atuam em Bauru. Giasone Albuquerque Candia, delegado regional do Conselho Regional de Corretores de Imóveis do Estado de São Paulo analisa que os condomínios residenciais são uma tendência bastante forte, mas Bauru ainda tem muito espaço para ser usado na construção de prédios, tanto é que "há muitos em construção".
"O condomínio horizontal é uma tendência futura", diz Candia. De acordo com ele, alguns mercados do Interior estão saturados, o que não é o caso do Bauru, e, talvez por isso, estejam acusando uma procura maior por residenciais horizontais. O que preocupa, na opinião do delegado regional do Creci, "é que o mercado está parado porque a economia não anda e a oferta de imóveis
é grande".
Wania Porto, da Associação dos Administradores e Corretores de Imóveis de Bauru (Aciba), destaca que a tranqüilidade, o conforto e a liberdade para criar os filhos, é o que atrai compradores para os condomínios horizontais.
Ela também frisa que é uma tendência e que a diferença de preço entre um apartamento e uma casa depende muito do padrão e dos equipamentos de cada construção. Um apartamento de 3 dormitórios, sala para dois ambientes, 2 vagas na garagem e com ampla área de lazer, segundo a presidente da Aciba, está valendo aproximadamente R$ 85 mil. Já uma casa com o mesmo padrão custa, em média, R$ 100 mil.
Por último, José Regino Júnior, diretor regional do Sindicato das Indústrias da Construção Civil do Estado de São Paulo (SindusCon), informa que 90% dos empreendimentos em Bauru são de prédios de apartamentos. Regino Júnior aponta que o maior argumento contrário aos residenciais horizontais é justamente a disponibilização de "uma grande área bruta" para construção das casas.