PM apresenta propostas a empresários de ônibus
PM apresenta propostas a empresários de
ônibus
Texto: Adriana Rota
Numa reunião agendada para as 10 horas de hoje no CPAI-9 com representantes das três empresas de ônibus da cidade - TUA, Kuba e ECCB, a polícia vai apresentar algumas propostas que visam aumentar a segurança de motoristas, cobradores e usuários do transporte público.
O capitão Benedito Roberto Meira, subcomandante interino do 4.º Batalhão da Polícia Militar - Interior
(BPM - I), afirmou que a primeira proposta diz respeito à implantação de um sistema interno de televisão nas linhas mais problemáticas, cuja idéia foi praticamente descartada pelas empresas em entrevista concedida anteontem ao JC.
As outras propostas devem causar ainda mais polêmica: a inutilização dos passes por parte dos cobradores logo após recebimento, o recolhimento do dinheiro a cada itinerário completado e a diminuição do valor dos passes em relação à passagem.
"Desta forma, o passageiro será estimulado a adquirir os passes que serão inutilizados, fazendo, portanto, com que a quantidade de dinheiro à disposição dos assaltantes seja diminuída", explicou o capitão.
Durante a reunião, será também apresentado um levantamento das ocorrências de assaltos a ônibus registrados durante o ano.
Blitz intensificada
Na noite de terça-feira a PM intensificou o trabalho de blitz nos ônibus da região noroeste, a mais problemática. Normalmente são feitas seis ou sete abordagens por noite mas, com a restruturação, este número subiu para 29. O trabalho será desenvolvido pelo tempo que a PM considerar necessário, segundo Meira. Para efetivá-lo, o trabalho de 15 policiais foi estendido de 6 para 18 horas seguidas, que serão compensadas posteriormente. Outra atitude imediata
é a colocação de policiais em trajes civis circulando nas linhas, a fim de coibir os assaltos prontamente.
Crack
Durante uma das blitze, que estava sendo realizada na quadra 11 da avenida Pinheiro Machado às 22 horas, policiais do Tático, do Gepol e da Polícia Feminina conseguiram deter dois homens em flagrante com 30 pedras de crack.
O pedreiro Márcio A. Buscariolo, 22 anos, e o servente Adriano Ribeiro, 21 anos, eram passageiros da linha Beija Flor/Jaraguá do ônibus da ECCB e, ao perceberem a presença dos policiais, tentaram se desfazer de dois pacotes pelas janelas do coletivo. O primeiro acabou confessando que venderia a droga no centro da cidade.
Emdurb afirma fazer o possível para garantir segurança
O presidente da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb), Joaquim Madureira, disse ao JC que só pode contribuir financeiramente com a PM a partir de convênios firmados com a Prefeitura e o Estado, como ocorre em relação à polícia de trânsito, que é beneficiada com equipamentos a partir das multas registradas pela empresa.
A explicação foi uma resposta ao presidente do Sindicato dos Condutores de Veículos Rodoviários (Sindtrans), que em matéria publicada ontem questionou o valor de 3% do total arrecadado pelo transporte coletivo como taxa de gerenciamento do sistema que a Emdurb recebe. Este dinheiro, que fica entre R$ 60 e R$ 70 mil por mês segundo Madureira, é aplicado em outras áreas.
O presidente da Emdurb informou que faz o que pode para amenizar o problema, oficiando a Prefeitura em casos de falta de iluminação ou mato alto, por exemplo, e mudando a localização dos pontos finais na medida do possível, sem que haja prejuízo para a população. Isso porque existe perigo em descer muito distante do destino e ter de andar ao invés de ser levado pelos ônibus. Tem-se de obedecer a uma distância entre 300 e 500 metros entre a linha de ônibus e o usuário.
O problema dos pontos finais, segundo explicações do titular da Delegacia de Investigações Gerais/Grupo Armado de Repressão a Roubos e Assaltos (DIG/Garra), J.J. Cardia, é que os assaltantes preferem agir na ausência de passageiros ou com a menor quantidade deles, para diminuir a possibilidade de reação ou identificação posterior.
Madureira solicita que o sindicato entre em contato com a empresa para informar os locais de maior perigo para que se tente solucionar o problema. Quanto à população, ela pode entrar em contato pelos telefones 233-9041 ou 233-9088 para reclamar ou sugerir alterações. (AR)