Aprenda a escolher a escola para seu filho
Aprenda a escolher a escola para seu filho
Texto: Patrícia Zamboni
Em qual escola devo matricular meu filho? Essa pergunta tira o sono de muitos pais que têm filhos pequenos e querem chegar
à conclusão de qual a "melhor" escola para colocar seus pequeninos para que eles comecem a aprender desde cedo como se tornar cidadãos responsáveis, inteligentes e bem-sucedidos na vida. Exageros e preciosismos
à parte, não se pode negar que essa escolha está bem mais complicada do que há 10, 15 anos atrás. Já se foi o tempo em que bastava aos pais saber se a escola tinha bons professores e boa infra-estrutura. Os "novos pais" têm que se preocupar com métodos e propostas pedagógicas, novas tecnologias de informação, atividades opcionais oferecidas pela escola, segurança, mensalidade... A época de matrícula pesa algumas toneladas nos ombros de pais desorientados, perdidos em meio a tantos métodos, opções, dicas e sugestões.
De acordo com a psicóloga Vera da Rocha Resende, doutora em Psicologia Clínica e especializada em psicoterapia infantil e de adolescentes, a questão principal, ou o ponto de partida,
é que os pais se perguntem o que querem para o seu filho. Essa decisão deve ser tomada a dois e nunca ser desviada. A partir daí, as visitas a escolas com a finalidade de seleção podem começar. Um aspecto muito importante ressaltado pela psicóloga é que os pais devem avaliar qual escola está mais em sintonia com o estilo de vida da família. "Os pais que dizem não gostar de impor limites e de "cansar" o filho impondo ordens, e que por isso vão procurar por uma escola que dê esses parâmetros a ele, estão equivocados. Se os pais são, entre aspas, liberais e colocam o filho numa escola tradicional, este filho vai se chocar com as regras rígidas da escola e não vai se adequar. Se os pais estão com medo de que o filho cresça sem limites, é melhor eles colocarem os limites em casa", orienta a psicóloga. Segundo Vera Resende, se a criança for colocada em uma escola com padrão e regras totalmente incompatíveis com as que ela recebe e vive em seu dia-a-dia, ela será mal vista na escola. Será sempre considerada uma criança inadequada dentro daquele sistema, vai se tornar e carregar o estigma de "criança-problema".
"Nós temos, sim, que aprender a lidar com regras desde cedo. Mas se a criança não tem regras em casa e a escola impõe regras, ela vai estabelecer uma relação negativa com a escola", diz Vera. O resultado disso é que ir à escola passará a ser uma coisa desagradável, e a criança vai se desmotivar. E é muito importante que o ato de ir à escola seja uma coisa agradável.
É na escola que a criança aprende a estabelecer uma relação de responsabilidade e de compromisso com a sociedade, diz a psicóloga. "Na escola a criança vai aprender a se disciplinar para um objetivo. E isso tem que ser gostoso desde o começo para que o compromisso com a vida não seja uma coisa desgastante. Trabalhar não pode ser sempre desagradável, senão ninguém aguenta", observa a psicóloga doutora em Psicologia Clínica.
A mesma orientação vale para os pais adeptos de uma educação rígida aos filhos. "Nesse caso os pais podem pensar assim: Como nós somos muito severos com o nosso filho, vamos colocá-lo numa escola mais light. Aí a criança chega na escola e pensa que, já que lá ela pode tudo, vai liberar geral. Ninguém vai segurar essa criança dentro dessa escola também", conclui Vera. Lição de casa para os pais: Nenhum sistema de educação supera as deficiências da família.
Segundo Vera Resende, o ideal é que os pais tenham claro para si qual é o projeto de vida que têm para o seu filho, pois é em função disso que poderão escolher em que escola a criança deve estudar e quais atividades ela deve fazer. Esse é o início de tudo.
Conteúdo x qualidade de ensino
Uma falha comum que ocorre nas escolas brasileiras atualmente, observada por Vera Resende, é a excessiva preocupação com a quantidade e a colocação da qualidade em segundo plano. "Muitas escolas se preocupam demais com a quantidade, ensinando coisas acima daquilo que a criança tem condições de assimilar e digerir, em detrimento da qualidade. Às vezes é melhor que ensinem uma quantidade menor de conteúdo, mas com um aprofundamento maior, para que a criança realmente aprenda", orienta a psicóloga. O problema, segundo Vera, é que os pais não têm como saber disso antes de matricular seu filho. "Isso eles só saberão mantendo um contato com a escola, conversando com outros pais que já têm filhos naquela escola e com aqueles que tiraram os filhos daquela escola", dá a dica a psicóloga Vera Resende. Para ela, a boa escola é aquela que coloca o conteúdo de forma mais acessível e mais interessante ao aluno.
Outra dica é observar como a escola está ensinando. Saber se o professor ensina a decorar ou se ele cria formas que ajudam o aluno a pensar é essencial.
Alguns especialistas na área afirmam ainda que a experiência mostra que os métodos pedagógicos valem menos do que a postura da escola no cotidiano. Uma boa estratégia para definir a escolha é sondar sobre temas práticos. Um exemplo: O que o professor faz diante de uma briga entre alunos? Como reage diante de uma pergunta que envolve sexualidade? Como reage diante de um "inesperado" questionamento para aquela idade? Se as respostas satisfizerem as expectativas, são boas as chances de um relacionamento harmonioso com a escola.
Em relação à presença de um psicólogo na escola, comum nas instituições de ensino dessa
"nova era", Vera Resende faz uma importante observação.
"Se o psicólogo estiver ali para ajudar os professores a pensar nas necessidades afetivas, emocionais e psicológicas da criança em cada faixa etária, adequar atividades a essas faixas, se ele estiver ali para ajudar a rever a relação professor-aluno, a relação da criança com a escola e da escola com a família, ele ajuda. Mas se ele estiver ali com a função de fazer psicoterapia dentro da escola, ele não funciona. A escola não é um espaço terapêutico. A escola é um espaço educativo. Se a criança tiver problemas e precisar de terapia ela deve ser encaminhada para uma clínica psicológica. Ali dentro, o que tem que ser trabalhado é a relação professor e aluno, aluno e escola, aluno e atividades escolares", orienta a psicóloga especializada em psicoterapia infantil.
Com uma visão técnica que ao mesmo tempo é de uma mãe zelosa e preocupada com a educação de seu filho, a pedagoga Marisa Ap. Pereira Santos considera ser muito importante, na hora da escolha, verificar o compromisso dos professores com o ensino. Visitar a escola durante o horário de atendimento, conversar com os coordenadores e com pais de crianças que já estudam naquela instituição são algumas dicas para fazer essa avaliação. "Saber qual o compromisso que a escola tem com o desempenho do aluno
é muito importante, é um ponto fundamental na hora es decidir em qual escola o filho vai estudar", observa a pedagoga.
Índices de evasão e de repetência por série também são apontados por Marisa como um referencial no momento da decisão. O trabalho coletivo também
é fundamental ser observado numa escola, "pois o aluno tem que ser preparado para enfrentar a vida aí fora", diz a pedagoga. Outra dica é que os pais conversem com os coordenadores pedagógicos das escolas que visitarem para se inteirar da proposta pedagógica de cada uma delas, e saber qual é o compromisso que a escola tem com a comunidade. Manter uma relação aberta entre pais e escola também torna-se cada vez mais necessário.
Escolas lutam com diversas armas pedagógicas
Texto: Patrícia Zamboni
A pedagoga Adoniran Pagan, diretora da escola de educação infantil Jardim das Letras e Colégio de Ensino Fundamental Alfa-Beta, faz um alerta aos pais dizendo que é fundamental que eles tenham livre acesso à instituição e que mantenham uma relação de transparência com diretores, coordenadores e professores. "É essencial que a escola mantenha suas portas abertas aos pais para que eles vivenciem o desenvolvimento e a formação intelectual de seu filho. Aqui nós trabalhamos assim e muitos pais têm nos procurado exatamente por causa disso", observa Adoniran, conhecida como Doni.
Uma atividade muito interessante oferecida pela Jardim das Letras/Colégio Alfa-Beta são as oficinas de acompanhamento de estudos.
"Se uma criança não está demonstrando um bom aproveitamento, se não está acompanhando as aulas, ela virá até a escola em outro horário para ter esse acompanhamento", explica Doni. O objetivo é superar todas as dificuldades que a criança esteja encontrando.
Para os alunos do Colégio, está sendo oferecida a opção de horário escolar no estilo americano. Ou seja, a criança que estuda no período da tarde pode ir para a escola às 9h30, realizar atividades esportivas, tarefas escolares, almoçar e aguardar o início das aulas. "Com isso, durante o tempo em que essa criança fica em casa com os pais desfrutará de momentos gostosos, de brincadeira e união com a família, já que todas as atividades do dia foram concluídas na escola", observa Doni. Diversas atividades extra-curriculares são oferecidas aos alunos.
O objetivo da escola, segundo a diretora, que segue a metodologia construtivista, é a formação do indivíduo enquanto ser pensante, emocionalmente integrado, bem informado, criativo e confiante em si mesmo. "Mentalidade aberta, atitude investigadora, desprendimento intelectual, senso crítico e sensibilidade às mudanças do mundo são nossa marca", afirma Adoniran Pagan.
Ana Rosa de Oliveira Jampaulo, coordenadora pedagógica do Preve Junior, explica que a escola aplica a metodologia denominada de globalizada, ou seja, aproveita-se os pontos positivos de todas as outras metodologias para aplicar no ensino com o objetivo de dar flexibilidade na aprendizagem da criança, que sai da escola alfabetizada. "Na educação infantil
(de 2 a 6 anos) oferecemos várias atividades aos alunos. Na educação física fazemos um trabalho muito importante, desenvolvendo o físico e a mente juntos através de diversos jogos e atividades", diz Ana Rosa. Crianças a partir de cinco anos de idade passam a ter aulas de inglês
(segundo a coordenadora, é bem mais fácil aprender um outro idioma durante a fase de alfabetização) e de informática (nas quais o aluno cria seus próprios desenhos e trabalhos no computador). "Através do programa Logo, o computador passa a ser uma ferramenta de apoio para as atividades que a criança está aprendendo nas mais diversas disciplinas", diz Ana.
Para as crianças de primeira a quarta série (Ensino Fundamental), os alunos estudam em apostilas elaboradas pela própria escola, também com metodologia globalizada. De acordo com Ana Rosa, toda criança que encontra dificuldades em alguma disciplina, recebe uma orientação paralela às aulas, sem que isso resulte em aumento na mensalidade. Uma psicóloga desenvolve um trabalho no sentido de detectar dificuldades de aprendizagem entre os alunos e orientar o professor quando isso acontece.
A escola Paraíso da Criança também é adepta do método globalizado. Entre as atividades extra-curriculares oferecidas aos alunos estão informática, inglês, bordado (para trabalhar a coordenação motora), dança e música (que ajuda no processo de alfabetização).
"Nós trabalhamos muito com música e com isso as crianças passam a ter mais facilidade de aprender as palavras", observa a diretora da escola, Izilda Guarnetti dos Santos Ducatti.
"Nosso objetivo é formar cidadãos no sentido amplo da palavra, e não só transmitir conhecimento e não preparar as crianças para a vida. Queremos formar crianças que pensem e que saibam se colocar diante de qualquer situação", afirma Izilda. Segundo ela, a democracia impera na escola. "Os professores ouvem muito os alunos para saber o que é preciso mudar, o que eles estão reivindicando". A escola Paraíso da Criança oferece acompanhamento fonoaudiológico e psicológico, prevenção odontológica e transporte próprio.
A diretora pedagógica das turmas de educação infantil da escola Cisne Real, Luciana Graziato Cury Jacob, informou que as crianças a partir de 4 anos de idade participam de aulas de informática, inglês, ballet, judô e educação física. No Núcleo de Ciências, Artes e Cultura da escola também são desenvolvidas diversas atividades.
Uma vez por semana os alunos recebem a visita de duas dentistas que fazem um trabalho de prevenção odontológica com as crianças e ensinam a correta escovação dos dentes. Fazem parte da equipe multidisciplinar da Cisne Real uma fonoaudióloga e uma psicóloga, que desenvolvem um trabalho de prevenção e de orientação junto aos professores, alunos e pais. "Se for diagnosticado algum problema, os pais serão chamados e comunicados. Se for possível, a questão será resolvida dentro da escola mesmo. Caso contrário, a criança será encaminhada a uma clínica especializada. Além disso, elas mantêm um contato direto com as crianças durante atividades em grupo, porque é muito mais fácil perceber algum problema dessa forma. Se a criança for chamada para ter uma conversa particular, ela vai se inibir e não vai expor o problema", observa Luciana Jacob.
A escola adota como linha de trabalho o Construtivismo, que tem como objetivo "construir junto com a criança. "A idéia é não dar nada pronto para a criança, e sim construir o conhecimento junto com ela. É bom deixar claro que isso não significa que a criança vai ter que descobrir tudo sozinha, de forma alguma. O professor será o mediador nesse processo de conhecimento e aprendizagem. Ele vai orientar a criança em suas descobertas e atuar junto com ela", explica a diretora. O objetivo é fazer com que as crianças sejam criativas e saibam enfrentar os desafios da vida.
Na escola Seta, a proposta pedagógica - da educação infantil ao pré-vestibular -, busca o saber, o conhecimento e a formação de atitudes coerentes com o momento histórico e com as exigências de um mundo em constante mudança, preparando o aluno para viver em harmonia com seu semelhante e exercendo a cidadania de forma responsável e participativa. As informações foram passadas pela diretora Sonia Mozer e pela coordenadora Maria da Graça F. Paccola.
Segundo Sonia, "o material didático utilizado com as crianças da educação infantil apresenta conteúdos específicos para cada faixa etária e de escolaridade, propiciando à criança a percepção dela mesma e do ambiente que a cerca - ambiente humano, social e físico", informa a diretora. Composto por cadernos anuais, o material didático da Seta permite o desenvolvimento de habilidades e expressões nas áreas de linguagem oral, grafismo e linguagem escrita, expressão plástica, psicomotricidade, expressão musical, ciências, estudos sociais e matemática.
Nas séries iniciais do Ensino Fundamental o material é apresentado em livros semestrais de língua portuguesa, matemática, ciências, história e geografia. Segundo a direção, essas áreas são integradas entre si e fundamentadas em leitura, interpretação de textos e desenvolvimento do raciocínio lógico.
"Os conteúdos e a grande diversidade de atividades propostas convergem para os mesmos objetivos, ainda que em áreas diferentes do conhecimento, propiciando à criança condições ideais para que ela pense e se comunique, leia, escreva, interprete, observe e se posicione, exercite a inteligência", conclui Sonia Mozer. A escola oferece ainda atividades extra-curriculares aos alunos e opções de cursos para os pais, como informática, espanhol e ginástica. Não são cobradas taxas adicionais por essas atividades.
A Domus Eucandi utiliza o método Montessori. Segundo a diretora da escola, Marli Ranieri, os princípios da metodologia Montessoriana são liberdade, disciplina e responsabilidadade. Entre as atividades extra-curriculares, oferecidas a todos os alunos, estão ballet, futebol, informática e iniciação musical, além de acompanhamento psicológico, fonoaudiológico e prevenção odontológica.
A diretora da Domus Educandi dá uma dica aos pais que ainda não decidiram onde matricular seus filhos para o ano 2000.
"Os pais devem procurar conhecer a fundo o trabalho das escolas e se inteirar do que elas oferecem aos alunos, não quanto
à quantidade de aulas, mas quanto à qualidade do ensino, que é o mais importante. Conhecer a metodologia e o que a escola oferece às crianças é fundamental", observa Marli Ranieri. Segurança, higiene e a relação dos professores com os alunos também têm que ser muito bem observadas pelos pais.
O número de crianças por sala de aula também
é um fator de grande importância que influi no rendimento escolar. Na Domus as classes são formadas por no máximo 15 alunos, para garantir o bom aproveitamento de todos.