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Paulo Toledo
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Sebrae quer mais sintonia no Brasil Empreendedor

Sebrae quer mais sintonia no Brasil Empreendedor

Texto: Paulo Toledo

O sucesso do programa Brasil Empreendedor depende de um alinhamento maior entre as entidades que fazem o atendimento dos interessados. Fernando Leça, 59 anos, superintendente estadual do Sebrae-SP, disse que vem mantendo reuniões sucessivas com superintendentes estaduais de instituições do Banco do Brasil (BB), Caixa Econômica Federal (CEF) e entidades que podem participar do atendimento, como forma de buscar essa sintonia. Além disso, o Sebrae está vigilante para que não ocorram os mesmos problemas de programas anteriores, nos quais o projeto saía da entidade, mas encontrava problemas na liberação do dinheiro nos bancos.

Leça disse que manifestou essa preocupação no lançamento do programa ao ministro do Desenvolvimento, Alcides Tápias, que tem o papel de coordenação do Brasil Empreendedor. No entanto, com menos de um mês de operacionalização, o superintendente do Sebrae-SP disse estar encontrando boa vontade e interesse nos bancos - tanto nos superintendentes estaduais quanto nos regionais -, que mantêm um contato constante para identificar possíveis problemas.

"Esperamos que o processo vá refinando esse atendimento, encontrando da parte das pessoas que atendem no balcão do banco uma sensibilidade cada vez maior e uma capacidade maior em termos de informação, que lhes permita dar um atendimento melhor", afirmou.

Leça lembra que o Sebrae-SP tem a função de capacitação dos empreendedores. Porém, destaca que a concessão de crédito depende das instituições financeiras, que têm seus critérios, levando em conta o risco de cada operação. Ele, que já foi vice-presidente da Nossa Caixa-Nosso Banco, diz que os bancos costumam emprestar dinheiro para quem não precisa, geralmente porque apresentam menos riscos do que os que precisam. "Agora, tem que ser mais proativo, entrar no espírito desse programa, porque se a parte do crédito não funcionar o programa fica comprometido, não tenho dúvida nenhuma", destacou.

O superintendente disse que o Sebrae vai monitorar a questão do crédito e, no momento adequado, se não houver um envolvimento efetivo dos bancos - BB e Caixa - haverá o questionamento. Ele diz que o Sebrae mergulhou no programa Brasil Empreendedor, considerando-o com um grande desafio, que pode melhorar ou comprometer a imagem da entidade. "Denunciaremos qualquer ineficiência que signifique por má vontade ou omissão por parte dos bancos. Mas, esperamos que isso não aconteça", destacou.

Abrangência

O superintendente do Sebrae diz que o Brasil Empreendedor é um grande programa sob o ponto de vista da abrangência e das metas pretendidas, já que a intenção

é atingir 1 milhão de empreendedores com as ações de capacitação, dos quais 400 mil devem receber crédito das instituições financeiras participantes, depois do treinamento.

O Sebrae já manteve reuniões com a Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecesp), com a Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp) e com a Federação das Indústrias dos Estado de São Paulo (Fiesp), no sentidos de envolvê-las nas ações do programa. Há uma reunião marcada com a Federação da Agricultura do Estado de São Paulo (Faesp). "Essas entidades têm suas capilaridades, como a Facesp tem cerca de 370 associações comerciais e a indústria tem mais de 40 Ciesp, sem contar os sindicatos, que vão ser importantes para o atendimento do programa", afirmou.

Em Bauru, por exemplo, a Associação Comercial e Industrial de Bauru (Acib) já vem desenvolvendo atividades conjuntas com o Sebrae, Banco do Brasil e Caixa.

O superintendente estadual do Sebrae lembrou que esse segmento de empresas atendidas pelo programa tem grande importância para a economia do Brasil e qualquer outro país. Tanto que nacionalmente, é responsável por 60% dos empregos gerados, 30% do Produto Interno Bruto (PIB) e 97% do total das empresas brasileiras.

Leça defende, também, o incentivo às micro e pequena empresas possam exportar mais. Uma das formas é a formação de consórcios de exportação, que vêm sendo apoiados por Sebrae e pela Apex.

O superintendente diz, no entanto, que é preciso alavancar os pequenos negócios, lembrando que aproximadamente 35% dos novos negócios de pequeno porte não sobrevivem ao segundo ano de atividade, ou seja, a cada 100 novas empresas que nascem, 35 não ultrapassam dois anos de funcionamento.

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