Geral

Safra

Paulo Toledo
| Tempo de leitura: 3 min

Safra de grãos paulista deve ser 40% menor

Safra de grãos paulista deve ser 40% menor

Texto: Paulo Toledo

As estimativas para a safra de Primavera do Estado de São Paulo são as piores possíveis. As culturas de grãos devem ter uma quebra de, no mínimo, 40%. Maurício Lima Verde Guimarães, 61 anos, presidente do Sindicato Rural de Bauru e vice-presidente da Federação da Agricultura do Estado de São Paulo (Faesp), afirma que o problema está sendo causado pela seca. O problema foi levantado em reunião, ontem, em São Paulo, da qual participaram cerca de 200 sindicatos rurais de todo o Estado.

O fato é inédito na agricultura paulista, pois em pleno dezembro, todas as plantações da safra de Primavera - soja, milho, algodão e amendoim - estão com índice de plantio próximo de zero. De 15 de setembro até ontem, segundo o líder ruralista, o

índice de chuvas é o menor dos últimos 26 anos.

Lima Verde destaca que o prazo de plantio varia de ano para ano. Porém fica entre 15 de outubro e 20 de novembro, pois é quando essas plantações se tornam economicamente viáveis. Neste ano, ocorreram poucas chuvas, as quais foram aproveitadas para o plantio de algumas lavouras de milho que, em razão da seca prolongada, foi praticamente perdido.

"Tivemos relatos dramáticos de algumas regiões. O que não se perdeu, a cigarra está comendo, em razão da seca", afirmou.

Na última semana, Lima Verde participou de um grupo que sobrevoou várias regiões do Estado para fazer uma checagem das lavouras e detectou que nem as regiões tradicionais estão com as terras plantadas. Com isso, até as instituições financeira, que colocaram dinheiro

à disposição estão em alerta e cada vez mais seletivas, em razão das dúvidas sobre os resultados da safra e da capacidade de pagamento dos produtores rurais. "Estamos enfrentando uma situação que há muitos anos não ocorria", afirmou.

O grande problema é a demora para o plantio. Quanto mais tempo passa menos viável e menos produtiva a cultura se torna. O milho plantado em dezembro vai produzir 60% menos do que o plantado em outubro (se tivesse ocorrido o plantio). O amendoim já está descartado, porque não dá mais tempo, pois é plantado em outubro para recolher em janeiro ou fevereiro. "Se plantar agora, só vai colher em março. Vai florar numa época que não pode. Então está descartado, assim como o algodão", afirmou o vice-presidente da Faesp.

Algumas variedades de sojas podem ser plantadas tardiamente, mas tem uma produção menor. Dessa forma, o quadro para grãos é ruim. As plantações perenes estão em crise há muito tempo, tanto que a laranja está sobrando nos pomares. Outro produto com problema de preços é a cana-de-açúcar, que as usinas estão oferecendo R$ 7,00 por tonelada.

Em relação às culturas de grãos, mesmo que chover pode não valer mais a pena fazer o plantio, em razão da baixa produtividade que será alcançada. Segundo ele, alguns plantadores tradicionais de milho já estão pensando em cultivar soja, para tentar fugir das dificuldades. Se começar a chover, os produtores ainda têm que preparar a terra, o que atrasa ainda mais.

O vice-presidente da Faesp disse que é difícil falar em números sobre a quebra da produção, mas para a área de citricultura a projeção é de uma queda de 25% na produção. Para a safra de grãos paulista, no mínimo, a queda deve chegar a 40%.

Café

O café também deverá ser muito atingido. As projeções já são de uma quebra entre 40% e 50%. Porém, esse número só será conhecido oficialmente ao longo da primeira quinzena deste mês, já que a Embrapa vai fazer uma avaliação nacional.

Comentários

Comentários