Sinduscon denuncia aumentos abusivos
Sinduscon denuncia aumentos abusivos
Texto: Patrícia Zamboni *
O Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (Sinduscon-SP) denunciou ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) a alta abusiva de preços de materiais de construção ocorrida nos últimos 12 meses (até novembro). Os reajustes muito acima da inflação se concentraram principalmente entre julho e setembro. Segundo Eduardo Zaidan, vice-presidente do Sinduscon-SP, o CUB (índice do Siduscon) de materiais de construção teve aumento 5,65% nesses 12 meses, sendo que desse total, 80% dos reajustes ocorreram entre julho e setembro. Na sua avaliação, não há justificativa para aumentos de produtos que não sofrem pressão de preços internacionais. No acumulado do ano o CUB registra alta de 5,73%.
De acordo com o diretor adjunto do Sinduscon de Bauru, Artur Sampaio, essa alta não tem explicação, nem justificativa.
"Nós estamos tentando fazer de tudo pra reverter essa situação através de negociações", afirma. Segundo Sampaio, os produtos que tiveram os maiores aumentos são cimento (23,66%), aço (22,41%) e fios de cobre
(27,27%). Todos esses itens subiram acima dos 17,97% registrados pelo IGP-M no período. Os tubos de ferro também tiveram alta excessiva: 27,57%. "Esses aumentos não têm justificativa. O sindicato está brigando e fazendo o possível para que o governo tome providências para evitar problemas maiores. As empresas, que são as primeiras afetadas, também estão lutando contra isso individualmente. Os fabricantes não têm como justificar esses aumentos. Isso é cartel mesmo", alfineta Artur Sampaio, que também dirige uma empresa de engenharia de Bauru.
De acordo com Sampaio, as empresas ainda não estão repassando esses aumentos para o consumidor final, mas se continuar assim a situação ficará insustentável, porque o setor está sendo muito prejudicado. "Por enquanto isso ainda não teve reflexo para o consumidor, mas as margens de lucro vão diminuindo. Estamos num momento difícil, muito trabalhoso. Até agora deu pra segurar, mas esse reflexo vai começar logo, inevitavelmente. Estamos lutando para evitar esse problema", diz Artur Sampaio. A discussão está no governo federal, com pedido de providências urgentes pelo Sinduscon-SP.
Os fabricantes de cimento reagem às acusações do Sinduscon-SP alegando que o aumento do produto se deve ao repasse de custos principalmente com o óleo combustível
- fornecido pela Petrobrás -, que teve alta de 225% desde janeiro. Também foram citados o aumento de 35% no preço da energia elétrica e a desvalorização cambial, que teria influenciado nos preços dos equipamentos cotados em dólar, segundo os fabricantes.
* Colaborou Agência Estado (AE)