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Abastecimento de água

Ieda Rodrigues
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Racionamento de água pode começar na segunda-feira

Racionamento de água pode começar na feira

segunda-feira

Texto: Ieda Rodrigues

O racionamento de água em Bauru pode começar já na próxima semana, caso não chova consideravelmente. Devido à estiagem, o volume do rio Batalha, que abastece 43% da cidade - 110 mil habitantes - caiu, reduzindo em 32% a produção de água. O Departamento de Água e Esgoto (DAE) vai aguardar até segunda-feira e, se a situação continuar preocupante, iniciará o racionamento de água nos 39 bairros abastecidos pelo Batalha.

Além da chuva, o DAE conta com a ajuda da população para que não seja preciso racionar água. O apelo

é para adotar medidas de economia. Lavagens de veículos, calçadas e quintais, por exemplo, devem ser evitadas. A quantidade de água usada nas tarefas diárias e na higiene pessoal, como nos banhos, também deve ser reduzida.

O diretor de Planejamento do DAE, Sérgio Macedo, espera que a população atenda ao apelo da autarquia e reduza o consumo. Se isso não acontecer e não chover no final de semana, a autarquia vai, na segunda-feira, definir o cronograma de racionamento. A chuva que caiu ontem à tarde foi considerada fraca, não sendo suficiente para reverter a situação do rio Batalha. Ontem, segundo garantiu Macedo, o abastecimento estava normal em toda a cidade e ainda havia reservação - água nos reservatórios.

Ele descarta a possibilidade de bombear água dos poços profundos para abastecer a região hoje atendida pelo rio Batalha. Os poços, que abastecem 57% da cidade, segundo Macedo, não estão com sobra de água. O outro problema é que não existem tubulações específicas para canalizar a água dos poços para a região abastecida pelo rio Batalha.

Ontem, o DAE ainda não havia verificado redução de consumo de água por parte da população. A expectativa é de que, de hoje em diante, o apelo da autarquia já provoque reflexos. Os bairros que são abastecidos pelo Batalha e que podem sofrer racionamento são os seguintes: Altos da Cidade, Jardim Estoril, Jardim Paulista, Jardim América, Jardim Aeroporto, Vila Zillo, Parque Real, Vila Industrial, Parque Viaduto, Nova Celina, Jardim Jussara, Vila Paraíso, Vila Pacífico, Vila Falcão, Vila Souto, Vila Independência, Vila Nipônica, Vila Giunta, Jardim Gaivota, Vila Ipiranga, Jardi Terra Branca, Vila SãoFrancisco, Jardim Solange, Vila Santista, Vila Serrão, Jardim Ferraz, Jardim Vitória, Jardim Ouro Verde, Jardim Shangrilá, Jardim do Sul, Parque das Nações, Vila Antártica, Higienópolis, Vila Cardia, Jardim Guadalajara, Monlevade, Parque Paulistano, Jardim Cruzeiro do Sul e Jardim Marambá.

Produção de água do Batalha caiu 32%

A quantidade de água tratada do rio Batalha caiu 32%, desde anteontem, quando o Departamento de Água e Esgoto (DAE) detectou que a lagoa de captação estava "abaixando". Uma das três bombas que operam na captação de água foi desligada por falta de vazão.

O rio Batalha, que produzia 630 litros de água por segundo, agora é responsável por apenas 420 mil litros por segundo. A marca deixada pela água na canaleta de condução mostra que a lagoa "abaixou" cerca de 60 centímetros.

A situação é considerada preocupante, conforme explicaram Wilson Dionisio, diretor de Produção e Reservação do DAE, e Nilcéia Lourenço, engenheira do DAE e presidente do Fórum Pró-Batalha. Nilcéia disse que trabalha na autarquia há 22 anos e só viu o rio Batalha com volume de água tão reduzido em 1983.

As alterações de volume de água vêm sendo monitoradas diversas vezes por dia pelos técnicos do DAE. Ontem pela manhã, eles sobrevoaram o rio Batalha de helicóptero para verificar se algo estranho que pudesse causar a redução de volume do rio estava ocorrendo, mas não encontraram nada de anormal.

Na estação de captação, apesar de uma das bombas estar desligada, as outras duas operam com pouca demanda de água. Dos cerca de um metro de água onde estão imersas as bombas, restam cerca de 30 centímetros. Dionisio explicou que se o volume de água abaixar muito, outra bomba terá que ser desligada. Caso contrário, pode entrar ar nas bombas, o que pararia a produção de água.

Na opinião de Nilcéia, a redução do volume de água do Batalha é consequência da estiagem dos últimos meses e da retirada de mata ciliar. Ela explicou que a retirada da mata causa erosões que, por sua vez, provoca o assoreamento do rio. Da estação de captação até a nascente do rio Batalha existem 93 erosões.

O rio Batalha é um afluente do Tietê com 167 quilômetros de extensão e que corta 11 municípios. O Fórum Pró-Batalha está reflorestando as margens do rio, mas o número de mudas plantadas - cerca de 56 mil - ainda

é considerado muito baixo. Foram reflorestados apenas 50 dos aproximadamente 500 hectares de margens do rio. (IR)

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