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Reeducação corporal

Gustavo Cândido
| Tempo de leitura: 6 min

Consciência corporal

Consciência Corporal

Texto: Gustavo Cândido

O Rolfing é uma técnica de reestruturação corporal e educação pelo movimento que, por meio de uma manipulação apropriada por parte de um profissional especializado, vai liberando as pernas, braços, quadris, tórax e cabeça, dos seus padrões de tensão e integrando-os à gravidade e realinhando-os a ela. Com isso o corpo naturalmente encontra seu eixo. A professora de educação física Raquel Motta faz parte do seleto grupo de pessoas que domina a técnica do Rolfing no Brasil e falou sobre o assunto.

Jornal da Cidade - Antes de trabalhar com o Rolfing você já havia trabalhado com Educação Física, que é sua formação?

Raquel Motta - Já, já dei aula para crianças em escolas, já trabalhei com consciência corporal, massagem, drenagem linfática... Tudo isso foi me levando para o Rolfing. Por exemplo: se uma pessoa vinha até a mim com uma dor no ombro, eu fazia massagem e ela melhorava mas na semana seguinte estava com o problema de novo, no mesmo local. Fui pesquisando até chegar no Rolfing para poder obter um bom resultado em um caso como esse. Se a pessoa está com problema no ombro, muitas vezes a dor não vem de um problema específico nos ombros, portanto é preciso trabalhar o quadril, os pés. Aos poucos a pessoa vai mudando a sua estrutura e a dor some.

JC - Quanto tempo faz que você trabalha com o Rolfing?

Raquel - Trabalho há 4 anos.

JC - O Rolfing foi desenvolvido pela americana Ida Rolf nos anos 50. A técnica existe aqui no Brasil há muito tempo?

Raquel - Não, hoje só existem 72 rolfistas no Brasil todo.

JC - Por que o número é tão pequeno?

Raquel - A formação do Rolfing é longa e cara. Para fazer o curso de Rolfing você tem que freqüentar o pré-curso, depois precisa fazer uma monografia e, se ela for aprovada, ai sim você pode fazer o curso, em duas etapas. Neste curso você não aprende a fazer só as manobras, você aprende a fazer o Rolfing porque você passa pelo processo, é rolfado, troca a sessão com os amigos e repara em tudo o que o Rolfing muda. Ele mexe muito com as emoções e muda sua visão de tudo. Você vai se resolvendo e vai entendendo o que é o processo de educação postural, não é simplesmente por a cabeça no topo da cabeça, tem que fazer uma porção da estrutura da pessoa como um todo, na maneira de pensar, de agir e conseqüentemente na postura também. São coisas interligadas que você deve vivenciar para depois aplicar. A formação é muito longa, por isso cada vez se formam três ou quatro pessoas.

JC - Quando a postura de uma pessoa começa a se desenvolver?

Raquel - Como o corpo está hoje em dia tem a ver com toda a história pessoal de cada um, como a pessoa foi gerada, se nasceu por parto normal, se foi usado fórceps, se depois do nascimento a criança ficou com a mãe, se ela foi amamentada, se ela foi criada num ambiente saudável, se ela passou por todas as etapas de se virar na cama, virar a cabeça, empurrar o braço, se apoiar nos objetos até ficar em pé, etc. Se ela, por alguma razão, não viveu alguma destas fases do desenvolvimento motor, isso vai se refletir mais tarde, alguma coisa ela não vai saber fazer com o corpo. É como o exemplo do engatinhar, quando o bebê coloca primeiro a mão direita para frente, depois a mão esquerda e com isso vai trabalhando com os dois lados do cérebro, se ela não engatinhar pode ter problemas na fase de aprendizado e confundir letras como o "p" e o "b", pode não fazer conexões completas.

JC - Existe um número básico de sessões de Rolfing ou cada caso é um caso?

Raquel - O número básico pode ser de 10 a 15, depende da pessoa. Não existe um número ideal, mas com esse número de sessões é possível passar uma grande quantidade de informações para o corpo da pessoa. Depois que ela termina essas sessões o corpo ainda vai se estruturar sozinho por mais alguns meses.

JC - Como são basicamentes as sessões?

Raquel - As três primeiras são para trabalhar o tecido conjuntivo superficial. Na primeira a gente trabalha a respiração, na segunda, o suporte do corpo, que são as pernas e os pés, e na terceira sessão, integramos a primeira com a segunda, misturando o trabalho da respiração com as pernas e pés e incluímos os braços. Com isso terminamos o trabalho superficial. Da quarta até a sétima sessão as atividades são mais específicas, na quarta trabalhamos o assoalho pélvico; na quinta, o os braços e a caixa torácica; trabalha a seguir o sacro, as pernas, a coluna e depois a cabeça, etc. Da oitava sessão em diante não existe regra, a gente olha a pessoa andando, sente como ela se percebendo e dá uma checada no que está faltando para aquele corpo estar mais integrado e tira qualquer tipo de dúvida.

JC - Qual o objetivo do Rolfing?

Raquel - Depende, cada pessoa tem um objetivo, uma quer vencer uma cor, outra percebeu que um ombro está mais baixo que outro e quer arrumar isso, outra quer alinhar o quadril, outra só quer fazer um trabalho corporal porque o terapeuta disse que isso ajuda a se organizar mais mentalmente. Ou seja, depende da pessoa.

JC - No caso de uma pessoa que quer colocar o ombro no lugar certo, por exemplo, depois que isso for conseguido pelo Rolfing, há o risco de uma volta às condições anteriores?

Raquel - O corpo é muito plástico, portanto não fica em uma posição que você estabelece e pronto. Com o Rolfing você aprende a lidar com o seu corpo, aprende a movimentar, com isso você aprende a se mover e não a deixar o seu corpo de um jeito. Quem deve saber se o seu corpo está de uma forma correta ou não é a própria pessoa, baseada em suas próprias sensações. Se você está em pé e suas costas doem porque você quer esticá-las muito, é sinal de que essa não é a posição ideal, você deve então pendurar um pouco para frente para passar a dor, ou seja: encontrar o seu lugar. Durante as sessões eu ajudo as pessoas a perceberem onde elas estão com o corpo, a mexer com corpo e encontrar um lugar um pouco mais confortável.

Serviço

Para entrar em contato com Raquel Motta o endereço do seu consultório é: Rua Bandeirantes, 10-70. O telefone

é o 227-1412 e o seu e-mail é: raquel@techno.com.br

A mãe do Rolfing

Cientista e bioquímica americana, Ida P. Rolf (1896-1979), recebeu o título de PhD pela Universidade de Columbia em 1916, onde trabalhou na década seguinte. Criou e desenvolveu o método Rolfing de Integração Estrutural, produto de 50 anos de estudos e prática. Seu trabalho, foi altamente comprometido com a evolução humana e seu legado, uma prova de criatividade, contribuição e uma intensa participação na melhoria da qualidade de vida das pessoas.

Benefícios do Rolfing

* Alinha, alonga e integra o corpo

* Libera tensões e dores musculares crônicas

* Flexibiliza e libera o movimento das articulações

* Melhora a circulação e a respiração

* Aumenta a consciência corporal

* Traz maior vitalidade para o indivíduo

* Possibilita movimentos mais eficientes e graciosos

* favorece o crescimento psicológico

* Promove mudanças progressivas nos níveis físicos e emocionais

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