Delegado busca documentos na casa de funcionários da Funcraf
Delegado busca documentos na casa de funcionários da Funcraf
Texto: Ieda Rodrigues
O delegado Dinair José da Silva vai pedir mais 30 dias para concluir o inquérito que apura o desvio e venda irregular de passes adquiridos pela Fundação para o Estudo e Tratamento das Deformidades Crânio-faciais (Funcraf) destinados a funcionários da fundação e pacientes do Centrinho. Como foi noticiado, no mês passado o vereador José Carlos Batata comprou 1.807 passes adquiridos pela Funcraf no mercado paralelo. O prazo-limite para conclusão do inquérito era amanhã, dia 10.
Silva explicou que vai precisar de mais tempo para apurar os fatos diante da quantidade de documentos apresentados pela Funcraf, que estão sendo analisados, e das provas periciais e ofícios enviados, que estão sendo aguardados, além de outras diligências que estão sendo feitas. Ontem, com autorização judicial, o delegado apreendeu documentos na casa de funcionários da Funcraf, cujos nomes não foram divulgados.
Os documentos apreendidos, de acordo com Silva, reforçam suspeitas anteriores de envolvimento de funcionários da Funcraf no desvio dos passes. Na opinião do delegado, esses documentos serão importantes como provas no inquérito. A polícia também já levantou o número de passes adquiridos pela Funcraf neste ano e o montante envolvido.
Silva apurou que de janeiro a novembro a Funcraf comprou 180 mil passes, num total de R$ 145 mil, volume considerado bastante alto. Como está claro que houve desvio, funcionários da Funcraf e pacientes do Centrinho, que deveriam receber os passes, estão sendo ouvidos numa tentativa de identificar como ocorria a irregularidade.
Vários dos pacientes ouvidos pelo delegado disseram que não recebiam os passes regularmente. Silva também investiga se pacientes que têm o passe-deficiente e, portanto, podem andar nos coletivos sem pagar, constam da lista dos beneficiados da Funcraf. Já com relação aos funcionários, que afirmaram receber regularmente os passes, o delegado investiga se o benefício está sendo concedido dentro da lei.
Silva ressaltou que pela lei que disciplina o uso do vale-transporte só tem direito a passe o funcionário que realmente utiliza o transporte coletivo. Portanto, o funcionário que vai ao trabalho de carro ou utiliza outro meio não poderia estar recebendo os passes da Funcraf.