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Ponte do tietê

Fábio Grellet
| Tempo de leitura: 3 min

Ponte ganha protetores contra colisões

Ponte ganha protetores contra colisões

Texto: Fábio Grellet

Estruturas vão evitar que os pilares da ponte sejam atingidos por barcaças, que já causaram sua interdição duas vezes

Começaram a ser instalados nesta semana os protetores ao redor dos pilares que sustentam a ponte sobre o rio Tietê, nas proximidades do km 200 da rodovia Bauru-Jaú (SP-225). Eles vão evitar que as embarcações, ao navegar sob a ponte, acabem batendo nos pilares e causando novas interdições da rodovia, por onde passam 6 mil veículos a cada dia. Desde 1997, três barcaças já colidiram com os pilares da ponte, causando duas interdições. Uma terceira interdição aconteceu porque um veículo com excesso de carga passou por sobre a ponte, abalando suas estruturas.

Segundo Ângelo Munhoz, 45 anos, supervisor da obra pela Cesp (Companhia Energética de São Paulo), empresa responsável pela administração da hidrovia Tietê-Paraná, os protetores devem estar instalados até o Natal, se a chuva não interromper o serviço:

"São necessárias três semanas, ao todo", disse. Só os dois pilares que compõem o vão principal da ponte (aquele por onde passam as embarcações)

é que vão ganhar protetores. Orçada em R$ 1,5 milhão, a obra vai ser paga pela Cesp.

As estruturas começaram a ser produzidas em agosto, no estaleiro Belconave, em Araçatuba, e foram transportadas pelo rio até a ponte, onde chegaram no começo desta semana. A primeira etapa da instalação consiste em depositar no fundo do rio, ao redor dos pilares, 24 peças de concreto que pesam, cada uma, 13 toneladas, e vão funcionar como âncoras. Elas foram produzidas sob medida, de forma a se ajustar no fundo do rio, e vão ser ligadas umas às outras por cabos de aço. Depois que, com o serviço de quatro mergulhadores, essas peças estiverem no lugar adequado, a elas vão ser fixadas outras estruturas, que são os protetores flutuantes. São quatro peças feitas de aço, cada uma pesando 70 toneladas, que vão cercar os dois pilares a serem protegidos. Revestindo a estrutura metálica, existe uma cerca de madeira, que tem a função de amortecer qualquer impacto das embarcações. Assim, se uma barcaça trombar contra a estrutura, deve danificar apenas a madeira, e não a estrutura de aço.

A estrutura metálica tem 3,4 metros de altura, dos quais a metade (1,7 metros) fica submersa e a outra metade, sobre a

água. Já a proteção de madeira tem uma altura, acima d'água, de 3,3 metros. Os protetores vão ficar a sete metros de distância dos pilares.

A instalação das estruturas deve diminuir em cinco metros (de 40 para 35 metros) o espaço para a passagem das embarcações, segundo o supervisor da Cesp. Uma das causas sugeridas para justificar as colisões de barcaças contra os pilares era a largura entre eles - o vão destinado

à navegação já seria estreito demais. Conforme Ângelo Munhoz, porém, as barcaças que navegam pela hidrovia Tietê-Paraná têm no máximo 11 metros de largura, porque, sendo mais largas, não passariam pelas eclusas existentes ao longo da hidrovia. As normas que regem a navegação exigem que a largura entre pilares, nas pontes, corresponda a, no mínimo, uma vez e meia o tamanho das embarcações. No caso, portanto, o tamanho mínimo seria de 16,5 metros. Mesmo com os protetores, vai ser mantido um espaço com largura 18,5 metros superior

àquela exigível, para a passagem das barcaças.

A instalação dos protetores foi incluída num acordo entre a Cesp e o Ministério Público de Jaú, que exigiu providências para evitar novas interdições da ponte da rodovia Bauru-Jaú. Segundo Munhoz, porém, mesmo antes da exigência, a Cesp já previa a instalação de protetores em 13 pontes existentes ao longo da hidrovia Tietê-Paraná. Diante da cobrança, foram priorizadas as obras na ponte da SP-225. Outras duas pontes, em Anhembi e Porto Ferrão, já ganharam protetores, que estão instalados. No trecho do rio Tietê que passa pelo distrito de Potunduva, há uma ponte onde também estão sendo instalados protetores.

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