Economia informal vai fechar o ano com grande redução nas vendas
Economia informal vai fechar 99 com grande redução nas vendas
Texto: Patrícia Zamboni
Os trabalhadores da economia informal tiveram um ano difícil, e pelo que tudo indica, não terão muitos motivos para comemorar as festas de final de ano. De acordo com o presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Economia Informal de Bauru (Sinteib), Mário Augusto dos Santos, os camelôs devem fechar o ano com uma redução de 30% a 40% nas vendas em relação ao final do ano passado. "Se o tempo melhorar, a nossa expectativa é de que a partir dessa semana até perto do Natal o movimento aumente. Mas mesmo assim nós não vamos conseguir recuperar a performance ruim deste ano. Não vejo este final de ano com bons olhos", afirma Santos. A chuva de ontem rendeu prejuízos para vários trabalhadores do comércio informal. "Teve muita perda de mercadoria e estragos nas barracas com essa chuva. Isso é um fator negativo pra quem já não tem muita coisa", observa Mário dos Santos.
A alta do dólar e a desvalorização do real deixaram os camelôs numa situação muito difícil, já que a maioria das mercadorias que esses comerciantes compram são importadas. Segundo Santos, o comércio informal trabalhou com uma margem de lucro muito pequena durante o ano todo, e mesmo as festas de final de ano não estão melhorando as vendas. "Estamos sufocados mesmo", diz o presidente do Sinteib.
Com tudo isso, os produtos nacionais voltaram a ser bastante procurados nas barracas do comércio informal. "Acho que o desemprego, a recessão e a inadimplência estão atrapalhando demais as vendas este ano. E com a alta do dólar acabou a febre dos produtos importados. Nós estamos voltando a investir no produto nacional por causa disso, mas não podemos abrir mão dos importados porque dão um bom retorno. Mas os produtos nacionais estão vendendo bem por causa dos preços", diz Santos.
Segundo Mário Augusto dos Santos, a situação difícil atinge os trabalhadores da economia informal não só da região de Bauru, como do País todo.
"Essa situação não afeta só o pessoal de Bauru e das cidades vizinhas, não. Afeta muito os de Campinas e os de São Paulo, por exemplo. Em São Paulo é bem pior do que aqui, porque os camelôs têm só duas horas para trabalhar, das seis às oito. Depois eles são atropelados pela PM e pela Guarda Civil Metropolitana. Aqui em Bauru eles trabalham doze horas, com tudo regularizado na Prefeitura. Os consumidores não têm a mesma voracidade do que nas grandes cidades, como São Paulo, mas temos um público bom aqui. Mas os camelôs trabalham para comer. Pra ficar rico não tem jeito nenhum, só se ganhar na Sena", observa Mário Augusto dos Santos.