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Presente de Natal

Márcia Buzalaf
| Tempo de leitura: 11 min

O qur você quer ganhar de Natal?

O que você quer ganhar de Natal?

Texto: Márcia Buzalaf

Os representantes de categorias em Bauru e a população em geral afirmam que o melhor presente é a paz e a saúde. Alguns, gostariam de ganhar presentes diferentes e caros neste Natal. Outros, criticam a atitude de algumas classes sociais em uma época do ano que deveria ser mais introspectiva e menos consumista. Ouros, ainda, sofrem com o fato de não poderem presentear. Mas todos, ao refletirem sobre o ano que passou, reclamam do governo e esperam um futuro bem melhor.

Não adianta querer mudar. O discurso do Natal é sempre o mesmo. Todos desejam apenas um presente: recheado de paz e de muita saúde - o resto, a gente dá um jeito. Mas este ano, muitos querem apenas que o País melhore, ou um simples emprego como presente de Natal. Algumas pessoas têm aspirações materiais, outros, só querem aproveitar com a família. Veja o que algumas pessoas pensam e como elas sentem esta época do ano.

"Eu tenho uma boa formação religiosa e, para mim, o aniversariante é o principal. E, em torno disso, eu gosto muito de ficar com a família. Para mim, vai ser o primeiro Natal sem o meu pai, o que vai ser uma maneira de a gente estar com esta força da família e da religião. Eu acho até que a religião dá este equilíbrio que a gente precisa. Acho que as pessoas estão mais abertas

à solidariedade, a preocupação com o outro. Eu gosto de cultivar isso.

O que seria o meu sonho de consumo para ganhar no Natal? Eu estou numa fase de família e eu gostaria de ganhar uma chácara bem aparelhada, para receber meus amigos, fazer um churrasco... Não pela satisfação pessoal, mas para chamar os amigos e a família mesmo..."

Reinaldo Cafeo, economista da Acib

"Eu passo o Natal com a família da minha esposa. Eu não muito gosto de festa, de agitação e bebidas, por isso, eu fico com a família. Com tanto trabalho a fazer, eu não consigo pensar em presente para ganhar. Eu tenho tanto a desenvolver aqui no Ministério Público Federal que a gente poderia melhorar a vida das pessoas, que eu não penso em presente. Eu me sinto muito angustiado com a demanda muito grande que a gente tem de coisas para fazer. Porque aqui, nós somos os advogados da sociedade.

Para mim, este aspecto espiritual e fraternal deviam ser levados a sério o ano todo, não só na época do Natal. A fraternidade tem que estar presente o ano todo, principalmente para mudar a vida das pessoas. Hoje, eu vejo que a sociedade está em uma crise ética: defende o interesse público desde que aquele interesse público não prejudique o interesse particular. 90% dos casos de denúncia aqui no Ministério Público são casos que prejudicam pessoalmente o denunciante. Acho que vai chegar uma hora que a sociedade vai mudar. Isso para acabar com o abismo entre a classe alta e classe média."

Pedro Antônio de Oliveira Machado, procurador da República

"Para mim, é uma data super importante, principalmente no aspecto religioso. Em outros aspectos, como presentes, eu não ligo muito. Eu só cumpro com alguma formalidade, mas não tenho aquela loucura de ir em uma loja e comprar um monte de presentes. Para mim, é a data mais importante do ano, apesar dela ser contestada. Eu já estudei muito isso e, para mim, tinha que ser um dia, então que seja o 25 de dezembro. Para mim, o Natal não é por causa de comemoração. Comemoração para mim você faz o ano todo.

Para mim, eu passo com a minha mãe, que já está mais de idade. O Natal para ela tem outro significado. Ela é judia, então... E eu já perdi meu pai, então vou sempre para passar com a minha mãe em São Paulo. As pessoas podem pensar que é demagogia, mas é uma

época do ano em que a gente só quer o bem.

Um bom presente para o próximo ano seria ver menos notícia ruim nos noticiários. O que me alegra nesta época

é porque há um espírito do bem. Ninguém sabe se vai conseguir, mas todo mundo quer desejar a paz para os outros."

Maurício Lima Verde Guimarães, presidente do Sindicato Rural de Bauru

"O que nós desejamos para o Natal é que as pessoas procurem, em um encontro espiritual, sua realização de vida, o amor ao próximo. Nisso, a ambição dos bens materiais tem que ser o complemento da vida e acima de tudo nós temos que pensar que o verdadeiro significado do Natal é isso, acima de tudo, harmonia entre as pessoas. Isso para que a gente possa resolver o problema da miséria. Sem dúvida nenhuma, a vida vai melhorar, tem que exercitar o otimismo. Tenho certeza absoluta que esta situação que a gente viveu este ano vai melhorar. Nós só podemos esperar um ano 2000 melhor do que este. Em termos de presente, eu sempre gostei de carro, e eu gosto muito de andar nas estradas vicinais, em sítios, eu queria um jipe para andar bastante."

Sérgio da Silva Branco, 49 anos, subdelegado regional do Ministério do Trabalho e Emprego

"Eu só quero ter saúde, paz obviamente, e eu gostaria de ver para este País uma ordem mais justa, de maiores oportunidades, menos dependência de uma classe que tem contribuído pouco, que são os políticos, e maior liberdade e oportunidade para quem empreende neste País. Eu quero passar com a minha família. E eu quero dormir tranqüilo, sabendo que estamos fazendo nossa parte, e com isso, estar dando oportunidade para quem de certa forma trabalha conosco. Por uma razão econômica, nós não estamos podendo comemorar de uma forma festiva - estamos simplesmente renovando nosso compromisso de renovar e buscar dias melhores para todos nós."

Ricardo Coube, diretor do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp)

"Eu fico deprimido no período de Natal. Primeiro, a pressão é grande para transformar esta data em uma data de consumo. É a lógica do próprio mercado, mas a partir daí é que dá para ver o fosso entre os que podem e os que não podem. Também

é uma data muito propícia para a hipocrisia - salvo aqueles que efetivamente têm no seu cotidiano o despojamento de ajudar outros, o restante, ajuda só nesta época.

É como aqueles que dizem: `vamos fazer o Natal dos pobres melhor'. Por exemplo, aqueles que podem ter posturas mais solidárias 24 horas por dia, todos os dias do ano, não exercem. É muito fácil o patrão no final de ano comprar umas cestas, que custam uns R$ 20,00, e entregar isso para as pessoas, achando que isso pode servir de pagamento de indulgências para comprar o reino dos céus. Quando no dia-a-dia, podia ter um relacionamento mais generoso. Tem as condições dos presentes também. Para mostrar um sentimento, você tem que indicar com um presente material. De acordo com o valor da mercadoria é que se faz a graduação do seu sentimento. Eu procuro no meu dia-a-dia fugir destas convenções.

Agora, tem gente que presenteia com um bom disco, um bom vinho, um bom abraço, uma boa conversa... Eu gosto de passar o Natal com a minha família. Eu gostaria de reencontrar velhos amigos das lutas coletivas como presente. Mas presente mesmo, eu gosto é de um bom disco. Mas eu digo que meu maior presente

é continuar com a minha esposa, minha companheira."

Roque Ferreira, presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias de Bauru e Mato Grosso do Sul

"O presente que eu gostaria de receber seria se todas as correntes políticas se comporiam em torno de um objetivo comum, que é o bem-estar da comunidade bauruense. Em termos de presente material, eu não tenho nenhuma aspiração material. Um livro, que esteja como best-seller do momento, seria um bom presente. O Natal é uma ocasião que nos permite confraternização, reflexão... As pessoas fazem uma pausa, se afastam um pouco da vida material, e refletem como seria bom se tivessem uma vida fraterna. Eu prefiro não sair muito no Natal, prefiro ficar com a família."

Nilson Costa, prefeito municipal de Bauru

"Para mim, o clima que se cria em torno do Natal é muito reflexivo, o que faz com que a gente fique mais suscetível. Quer dizer, se você tem um motivo para ficar triste, você acaba ficando. Para mim, este Natal vai ser triste. O que eu não gosto no Natal é a histeria coletiva que se cria em torno disso. Aliás, eu não gosto de nenhum tipo de histeria coletiva, de ter que ficar alegre em Natal, final de ano, Carnaval... Também tem a imbecilidade, a hipocrisia das pessoas que são sacanas o ano todo e que vêm para você desejando Feliz Natal. É comum nos bancos que os donos mandem cartões de Natal para os funcionários depois de passar o ano todo demitindo e arroxando salários. Tem também a exaltação do consumismo. Mesmo quem não tem dinheiro é induzido a consumir. Eu não dou presente nem gosto de ser presenteado nesta época. De presente de Natal, eu queria que o Papai Noel levasse embora o Presidente da República embora para o Pólo Norte. E que ficasse com ele muitos e muitos anos."

Marcos Aurélio Silvestre, diretor de comunicação do Sindicato dos Bancários e Financiários de Bauru e Região

"Em primeiro lugar, eu gostaria de muita saúde, de paz para o País inteiro, um Brasil melhor, mais justiça. Eu passo o Natal com a família, mas este ano está bem mais difícil do que o ano passado. Eu tenho cinco filhos, mas eu acho que não vou poder presentear eles, só um abraço. Vou dar presentes para os meus netos. O meu sonho na verdade era ganhar um carrinho e que o País melhorasse, para a gente ter mais emprego."

Elza Lopes Oldani, dona de casa

"Minha mãe falou que ela ia comprar presente só para o moleque pequeno. Disse que minha idade não é para ganhar presente de Natal. O que eu estava pedindo para o meu pai era uma bicicleta. Eu gosto da festa do Natal."

"Eu queria ganhar uma bicicleta ou um playstation. Minha mãe disse que ou vai dar um videogame ou vai dar a bicicleta só em janeiro. O aniversário dele é no ano novo e então a gente faz festa."

André Luís Morgatto Silva e Paulo Ricardo Gomes Morgatto, ambos com 12 anos, primos

"Natal é festa, para passar com a família. Para mim, toda família com saúde é o melhor presente, não tem quem pague. Antes, eu gostava da festa porque podia beber de tudo. Hoje, não posso mais, o coração não deixar, né? Então, vamos acompanhar os outros. Na minha classe de pobre, a gente tem um pouco de tudo, graças a Deus. Só queria a felicidade para mim, para meus netos e para todo povo brasileiro."

Carmo Marcelino, 73 anos, aposentado

"Natal para mim é época de ganhar dinheiro, né? É a época em que eu vendo cartão e, além de ajudar uma instituição, eu seguro um dinheiro para o Natal, porque eu sustento minha mãe e minha irmã. Eu ralo muito nesta época, trabalho das 7 horas da manhã até 11 horas da noite. Mas a partir do dia 24, é um mês de descanso. Eu queria ter mais paz, mais saúde, e que este governo dá um jeito para melhorar o Brasil, porque esta situação não dá para agüentar. Eu gostaria de ganhar mesmo era um carro zero de Natal. Já ajudava."

Fábio Henrique de Miguel, 22 anos, estudante e vendedor

"Natal é uma data para reunir toda a família,

é uma época de comemorativa. É a comemoração do nascimento de Cristo. O que eu gostaria mesmo de ganhar era um carro, mesmo que fosse um fusca. Eu queria que tivesse mais valorização das pessoas, mais compreensão, mais paciência..."

Delton Ramos, 29 anos, gerente da Bunny's

"Para mim, é como aniversário meu mesmo. Representa muita coisa boa. Na noite inteira de Natal, é só cerveja e churrasco, a noite toda. A gente também vende mais no Natal, e isso ajuda. Eu já comprei presente para todos os netos, para os 13 netos que eu tenho. Eu queria ter mais saúde e prosperidade. Se eu fosse escolher um presente, queria mesmo um carro. Ajudava bastante. Ai, eu não ia precisar empurrar carrinho até em casa, eu ia de carro."

Miguel Alves dos Santos, 53 anos, vendedor autônomo

"Natal eu curto com familiares e amigos, com todo mundo, não pode escolher a cor ou a raça. Eu vou passar o Natal com os familiares e amigos. Dá para festejar bastante... Eu queria ganhar era mais respeito dos meus amigos. O presente que Deus podia dar para mim era uma profissão boa, um emprego. Este ano, a situação está feia. Não dá para ser como os outros anos passados. O maior presentão de Deus era um emprego."

Fernando Vieira, 17 anos, estudante paranaense

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