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Comércio varejista

Paulo Toledo
| Tempo de leitura: 6 min

Vendas no comércio devem ter alta pela primeira vez em quatro anos

Vendas no comércio devem ter alta pela primeira vez em quatro anos

Texto: Paulo Toledo

A virada do milênio está fazendo bem para o comércio de Bauru que, após quatro anos, tem a expectativa de ter um crescimento de vendas no período de final de ano, numa transformação de tendências, já que, com exceção do primeiro ano do Plano Real, nos anos seguintes, o fechamento foi sempre negativo em relação ao ano anterior. Assim, todos os setores do comércio estão otimistas quanto ao resultado das vendas.

Walace Garroux Sampaio, 50 anos, presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Bauru (SinComércio) diz que a expectativa

é de que o Natal deste ano tenha um crescimento nas vendas em relação ao ano passado, o que significa uma reversão de tendência, depois de quatro anos de queda nas vendas.

Para o sindicalista o quadro não será de euforia de vendas, mas um período de reversão de expectativas, que pode se transformar em um indicador positivo para o ano 2000. Sampaio disse que o comportamento dos lojistas está mais otimista.

Para Cássio Nunes Carvalho, 45 anos, presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru (Acib), a perspectiva do comércio para o final de ano é muito boa. Segundo ele, há uma previsão de que possa ocorrer um crescimento de 5% nas vendas, porém o número não está fechado.

Carvalho destaca que a semana que está entrando é a de maior movimento nas vendas, pois será paga a segunda parcela do 13.º salário, provocando uma alavancagem maior na comercialização. Ele destaca, contudo, que desde o início de dezembro o índice de comercialização começou a crescer, melhorando, ainda mais, na semana que terminou.

Para o presidente da Acib, a virada para o ano 2000 está favorecendo o comércio, já que está sendo criada uma expectativa muito positiva na população, que tem buscado mais as compras.

Orlando Burgo, 68 anos, presidente da Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL), concorda sobre as boas expectativas. Para ele, o movimento deve ficar entre 5% e 10% acima do resultado do ano passado. Ele acredita que o aumento nas vendas é uma tendência nacional.

Shopping

No Bauru Shopping Center a expectativa de boas vendas persiste. No último final de semana, revela José Francisco Carrara, 45 anos, presidente da Associação dos Lojistas do Bauru Shopping Center (ALBSC), houve um aumento de vendas na ordem de 40%. Esse número também foi verificado nos shoppings da Capital. O volume de vendas foi igual ao que se teve na véspera do Natal do ano passado.

Para Carrara, apesar do número alto do último final de semana, a projeção é de que o crescimento nas vendas fique entre 5% a 10% acima do verificado no ano passado, a não ser que ocorra algum problema nos últimos dias de dezembro.

O movimento está sendo considerado surpreendente pelos próprios lojistas, que não esperavam um crescimento tão significativo. Para Carrara, a promoção do Bauru Shopping Center, que está distribuindo 10 automóveis Gol, para comemorar o Natal e os 10 anos do empreendimento, também está influenciando no nível de vendas. Para ele, os autopresentes, aqueles que as pessoas estão comprando para si, são outro ponto do alavancamento das vendas.

Lojistas facilitam as vendas

Walace Sampaio, presidente do SinComércio, lembra que o comércio trabalha acoplado ao setor financeiro, e, com a evolução da economia, nos últimos meses, favoreceu a implantação de prazos mais longos para financiamentos e uma redução na taxa de juros que, apesar de continuarem altos, tiveram uma sensível queda em relação ao Natal de 98. "Há, também, uma perspectiva econômica um pouco mais otimista do que no final do ano passado", destacou.

Sampaio disse que, nos últimos meses, houve uma reversão na tendência de queda do índice de desemprego, que parou de crescer, criando um comportamento mais positivo em relação ao futuro.

Cássio Carvalho, presidente da Acib, destaca que as taxas de juros mais favoráveis e as maiores facilidades de obtenção de crédito nos bancos por parte dos lojistas estão fazendo melhorar as condições de venda e financiamento, o que é muito favorável ao consumidor, que tem mais facilidades, com o repasse das vantagens obtidas pelos comerciantes.

Para Orlando Burgo, presidente da CDL, os lojistas estão mais flexíveis na hora da venda. Ele lembra que, além dos financiamento das lojas, há cartões de crédito que estão fazendo o parcelamento em três vezes pelo mesmo preço à vista. "Tudo isso está facilitando a concretização das vendas", afirmou.

No Bauru Shopping, José Francisco Carrara, presidente da ALBSC, destaca que as pessoas estão procurando, cada vez mais, negociar descontos maiores e pagar à vista. Segundo ele, de 10% a 15% dos clientes estão pagando em dinheiro vivo.

Outro ponto forte é a venda com cartão de crédito, que corresponde a cerca de 40% das operações. Carrara diz que a grande maioria das pessoas está evitando fazer crediários, optando pelos pagamentos à vista ou no cartão. (PT)

Novo perfil ajuda no movimento

A melhora do movimento do comércio neste final de ano tem algumas razões básicas, como a mudança do perfil do consumidor, que busca produtos mais baratos e as facilidades de crédito proporcionadas pelos juros mais baratos cobrados pelas lojas e financeiras. A análise é do economista e consultor de empresas Carlos Roberto Sette, 50 anos, que previu o quadro favorável há cerca de três meses.

Sette destaca que o perfil da compra mudou e as pessoas estão buscando mercadorias com preços mais módicos, mais dentro da realidade financeira das pessoas. Para ele, as mercadorias até R$ 40,00 são as "grandes vedetes" deste Natal. É uma concretização do que vem ocorrendo nos últimos três anos.

A queda da taxa de juros, principalmente no segundo semestre, teve um impacto nos juros cobrados pelas lojas e financeiras, fazendo com que as prestações fiquem menores. Além disso, as vendas em três ou quatro parcelas sem acréscimo também são motivadoras. O comerciante se adaptou a essa nova tendência do varejo.

Outro fator importante, na análise de Sette, é que as pessoas estão mais organizadas em sua vida financeira. Com isso, foram compondo suas dívidas, "limpando" nome no SPC e estão novamente habilitadas a compras.

A crise levou as pessoas a um amadurecimento fazendo com que as compras atuais sejam mais conscientes, baseadas em uma programação financeira. Em 96, no auge do Plano Real, quando as compras foram na base da emoção, houve grandes problemas para os consumidores, que acabaram inadimplentes.

O economista disse que o comércio está mais aberto ao consumidor e, além da adaptação dos produtos oferecidos ao novo perfil do consumidor, está buscando facilitar as compras, com crediários e outras facilidades mais adequados. "A tendência é ganhar no volume de vendas e não na margem alta, principalmente quando se trabalha com produtos que têm alta competitividade, como ocorre na maioria das lojas do Calçadão", afirmou.

Para Sette, os comerciantes adotaram, ainda, uma postura de compra diferente e, com isso, os estoques estão justos para o período. Com esse quadro, projeta o economista, poderá haver, até falta de alguns produtos. Porém, os estoques não ficarão altos como em anos anteriores. (PT)

Horário especial

Hoje o comércio estará funcionando em horário especial. Na área central, as lojas vão abrir das 9 às 17 horas. A expectativa é de que ocorra um grande movimento de consumidores, de Bauru e região, já que o domingo contorna o problema de falta de tempo de muitas pessoas.

No Bauru Shopping Center, haverá abertura hoje, também. O horário é diferenciado, das 13 às 19 horas. A projeção é que, também, o movimento seja grande.

Nos próximo dias, os horários especiais do comércio continuam. Confira o quadro nesta página. (PT)

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