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Represa

Fábio Grellet
| Tempo de leitura: 3 min

Chuva faz represa romper em Lençóis

Chuva faz represa romper em Lençóis

Texto: Fábio Grellet

Represa particular construída há 40 anos era usada para criar peixes e rompeu com a chuva do último dia 10. Donos reclamam da Prefeitura

Uma represa particular, situada numa chácara próxima ao Loteamento São Judas Tadeu, em Lençóis Paulista, foi destruída, no último dia 10, pela força da enxurrada acumulada com a forte chuva que caiu naquele dia, na cidade. Segundo Gustavo Lorenzetti Sakai, filho da proprietária da chácara, Elenice Lorenzetti, quando chove, a falta de galerias para absorver a água, no Loteamento São Judas Tadeu, faz com que uma quantia muito grande de água se acumule e siga em direção

à represa.

No dia 10, as paredes da obra não resistiram e cederam

à força da água.

A represa, construída há 40 anos, usava a água do córrego Marimbondo, que passa pela chácara e deságua no rio Lençóis. Antigamente, naquela

área, situada numa área afastada da cidade, funcionava o sistema de tratamento de água de Lençóis. O Loteamento São Judas Tadeu surgiu, segundo Sakai, há pelo menos 15 anos, quando as terras foram divididas em áreas de um hectare, aproximadamente, ocupadas posteriormente por ranchos. Embora o loteamento não tenha sido asfaltado - o que dificultaria ainda mais a absorção da água pelo solo, fazendo com que ela se acumulasse em maior quantidade -, foram abertas ruas que, sem vegetação, se tornaram vias para o escoamento da água não absorvida pela terra. Essas ruas se cruzam e, segundo Sakai, a enxurrada acumulada ao longo delas segue para sua propriedade, acabando por desaguar na represa e aumentando significativamente o volume de água lá.

Não foi a primeira vez que as paredes da represa estouraram com a força das águas acumuladas com a chuva: em 1987, um acidente semelhante aconteceu e as barragens tiveram que ser refeitas.

Reconstruída, a represa atualmente era usada para criar peixes, que Sakai vendia aos pesqueiros da região.

Durante a chuva do dia 10, Sakai conta ter passado momentos de desespero. Ele estava na chácara e sabia que, conforme o volume de água aumentasse, a represa não resistiria. Junto com outras pessoas que trabalham em suas terras, Sakai tentou abrir novos caminhos para que a água escoasse, diminuindo a pressão sobre a parede da represa. Mas não foi suficiente: a barragem estourou e os peixes foram levados pela

água. O prejuízo ainda não foi contabilizado, mas deve ser bastante elevado.

Sakai pretende cobrar da Prefeitura os gastos para recuperar a represa. Ele alega que, caso o loteamento São Judas Tadeu tivesse galerias para absorver a água da chuva, a enxurrada que eventualmente chegasse à represa não seria tão volumosa e, portanto, não teria causado tantos estragos. Sakai disse ter se informado de que os proprietários das chácaras no loteamento pagam IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) e, portanto, caberia à Prefeitura fazer os melhoramentos necessários àquela área.

Sakai também alega que, em abril, a Câmara de Vereadores solicitou à Prefeitura que providenciasse a canalização das águas da chuva naquele loteamento. O prefeito teria alegado falta de verbas para a execução das obras.

Prefeitura

O procurador jurídico da Prefeitura de Lençóis Paulista, Marcos Aparecido de Toledo, não quis se manifestar a respeito das responsabilidades da Prefeitura sobre qualquer obra realizada no loteamento, alegando que cabe à Justiça decidir sobre o caso. Ele questionou a regularidade e a qualidade das obras da represa.

A assessoria de imprensa da Prefeitura informou que, atualmente, a prioridade da Prefeitura, na área de infra-estrutura, está voltada para o Parque Júlio Ferrari, onde a concentração habitacional é maior. Ainda não há previsão, portanto, sobre obras no Loteamento São Judas Tadeu.

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