Estimativa derruba preço do café
Estimativa derruba preço do café
Texto: Márcia Buzalaf
A primeira estimativa oficial da safra 1999/2000 de café derrubou o preço da saca do produto em 15% de terça para quarta-feira. A previsão anunciada, de colher 28,6 milhões de sacas do produto, foi maior do que o estimado com a seca, fazendo com que a reação fosse imediata e o preço da saca caísse em torno de R$ 35,00.
O vice-presidente da Federação da Agricultura do Estado de São Paulo e presidente do Sindicato Rural de Bauru, Maurício Lima Verde Guimarães, explica que esta é apenas a primeira estimativa. Em fevereiro, serão divulgados novos números, que só devem se confirmar ou não em maio, durante a colheita, quando será feita a terceira e última estimativa da produção.
"Como o mercado estava trabalhando com os níveis elevados, ele achou que estes 10% a mais na previsão permitia uma oscilação para baixo, e foi justamente o que aconteceu", explica Guimarães.
O Governo Federal, através da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), fez o estudo e divulgou o resultado na última terça-feira. Guimarães, que faz parte do Conselho Deliberativo de Política Cafeeira, também participou dos estudos. A reação no mercado de café foi instantânea. "O mercado de café oscila de uma forma muito rápida. O produtor faz uma força enorme para melhorar sua produtividade em 5 ou 6% em um ano e na hora em que você vai comercializar você corre o risco de perder em 24 horas 20% do seu faturamento", analisa o ruralista.
A primeira previsão que o mercado tinha era de colher 40 milhões de sacas, mas, com a seca, a estimativa do mercado caiu para uma média entre 25 e 26 milhões de sacas. Até o anúncio da estimativa da safra, o preço do café se encontrava em alta, motivado pela seca que abateu sobre o Estado no segundo semestre deste ano.
Na opinião de Guimarães, o melhor para os produtores
é esperar para ver a reação do mercado em relação a esta expectativa. Ele garante que os produtores não vendem o café em uma baixa dessas.
Para o representante dos ruralistas, este déficit de café deve prejudicar exclusivamente o mercado nacional, mas não o mercado mundial, que deve suprir a falta do produto com outros países produtores. Segundo Guimarães conseguiu apurar com analistas de mercado de café do exterior, um déficit de até 15 milhões de saca na produção cafeeira do Brasil não deve alterar em nada a oferta mundial do produto.