PV poderá abrir mão de alianças
PV poderá abrir mão de alianças
Texto: Josefa Cunha
O Partido Verde de Bauru está discutindo seriamente a possibilidade de abrir mão das coligações que vinha articulando e poderá partir sozinho para a disputa da eleição municipal de 2000. A mudança nos planos, que até então previam alianças com o PSB e PC do B, deve-se tanto a decisões internas do partido quanto a alterações nos quadros dos potenciais aliados - a entrada de Tuga Angerami no PSB é uma delas.
Em meados deste ano, a cúpula nacional dos verdes deliberou que as lideranças municipais do partido deveriam trabalhar para viabilizar candidatos majoritários próprios em cidades com mais de 100 mil eleitores. Bauru, como um dos primeiros municípios brasileiros a ter uma base do partido e com um colégio eleitoral beirando 200 mil votantes, teria fundamentalmente que seguir a decisão nacional. "Já temos uma história de 12 anos aqui, uma experiência que não pode ser desprezada. Está mais do que na hora de mostrarmos nossa cara e propostas à sociedade local", avalia Cláudio Turtelli, secretário nacional de comunicação do PV.
Há pouco mais de dois meses, PV, PSB e PC do B haviam formalizado antecipadamente a coligação para 2000, batizando a unidade de "Aliança 21". A união entre as três legendas reeditou a experiência de atuação política unitária que ocorre no Congresso Nacional desde o início da atual legislatura. Em Brasília, o PC do B e o PSB se revezam na liderança de uma bancada constituída por sete deputados comunistas e 18 socialistas. O bloco também tem se aliado ao PT e à bancada pedetista
(os brizolistas) na oposição ao governo neoliberal de Fernando Henrique Cardoso (PSDB).
A filiação de Tuga Angerami ao PSB, entretanto, estremeceu a unidade, sem falar da postura do PC do B, que nos
últimos tempos vem se mostrando bem próximo do PPS de Nilson Costa. Cláudio Turtelli não esconde que a entrada do ex-deputado pôs por terra os planos eleitorais do PV. Na costura existente até então, o Partido Verde tinha a garantia de apresentar o cabeça de chapa, ou seja, de lançar um candidato de seu quadro para disputar a Prefeitura. "O Tuga, de quem sou amigo e não nada a falar, tornou-se o líder e para o PV isso não interessa. Até poderíamos coligar, desde que com um candidato nosso. É um compromisso que temos para com a direção nacional", explicou.
A previsão de trilhar sozinho na campanha eleitoral, porém, não parece ter desestimulado o partido. Ao contrário, os ânimos recobraram-se com a possibilidade de Bauru aumentar o colégio eleitoral e ganhar o direito ao segundo turno. A proposta lançada esta semana pelo JC em busca dos 200 mil votantes contagiou os partidos de uma forma geral e com o PV não foi diferente. "O segundo turno abre mais chances para os partidos menores, na medida em que permite o fortalecimento individual de cada um. O PV vai se empenhar nessa luta e, dentro dos próximos dias, sairemos às ruas com a campanha 'Se liga 16'", anunciou.
A contribuição dos verdes na campanha rumo aos 200 mil eleitores estará no incentivo à cidadania dos jovens entre 16 e 18 anos. Militantes do partido pretendem percorrer os redutos dos "teens" para conscientizá-los sobre a importância do segundo turno e, conseqüentemente, da necessidade deles tirarem o título de eleitor.