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Imagem do Noel

Eva Rodrigues
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Papai Noel: simbiose entre infância e velhice

Papai Noel: simbiose entre infância e velhice

Texto: Eva Rodrigues

Professor da Unesp analise os elementos que compõem o bom velhinho, ídolo das crianças

Pelo menos algumas versões circulam através dos tempos para dar explicações sobre as possíveis origens do bom velhinho de roupa vermelha e que enche de fantasias a cabeça dos pequeninos. Mas onde estaria escondido tamanho sucesso do Papai Noel? A análise de alguns elementos característicos da figura mais simbólica do Natal podem apontar indícios.

Para o especialista em expressão facial e professor de etologia (estudo do comportamento numa perspectiva evolutiva) da Unesp de Bauru, Sandro Caramaschi, o Papai Noel é uma combinação esdrúxula porque "ao mesmo tempo em que reúne características infantis na formação do rosto, que despertam sentimentos de proteção e vinculação à criança, apresenta um padrão evidentemente adulto, com a barba e os óculos".

O professor explica que uma série de estudos aponta que as pessoas são mais sensíveis e simpáticas a características de face que lembram rostos de bebês, como a testa evidente, olhos e bochechas grandes, nariz pequeno, rosto arredondado e queixo menor - características marcantes no tradicional Papai Noel, porém nem sempre condizente com as figuras pouco robustas vestidas de vermelho que se espalham pelo comércio nesta época do ano.

Outro elemento de análise é o padrão corporal atribuído ao Papai Noel endossado por um estudo que consta no livro "Comunicação Não Verbal", de Mark Knapp. Em uma pesquisa com sombras de três tipos físicos - gordo, atlético e magro - as pessoas atribuíam características a cada um. Em 90% dos casos os atributos para o gordo eram parecidos: simpático, generoso, tranqüilo, afável, afetuoso. Visão aparente, contudo, pois o professor observa que "outros estudos comprovam que apenas 15% dessas atribuições coincidem com o que a pessoa realmente é".

O bom vovô

A valorização do idoso como aquele que tem responsabilidade, experiência, está diretamente ligada ao Papai Noel.

"É o vovô bonzinho, que ama incondicionalmente, ao contrário dos pais, que vivem impondo limites", discorre Caramaschi.

Os óculos e a barba completam o visual do bom velhinho.

"As pessoas que usam óculos têm um ar de mais maduras e inteligentes. Uma pesquisa feita com estudantes concluiu que os barbudos são vistos como independentes, seguros de si mesmos, extrovertidos, refinados e valentes." Cor quente, o vermelho também ressalta as características de afetividade e calor humano, "além disso é uma cor atrativa e que desperta a percepção da criança", expõe Caramaschi.

Dentro de uma perspectiva etológica, explica o professor,

"a imagem do Papai Noel se configura como um estímulo supernormal porque enfatiza características que desencadeiam sentimentos específicos. A idéia básica é: se a barba traz maturidade, vamos colocar uma barba enorme; se a bochecha enfatiza a simpatia, vamos escolher um bochechão; e assim por diante".

Muito provavelmente, o Papai Noel não nasceu exatamente como se apresenta hoje em dia. "Ele é uma combinação que foi se estruturando ao longo do tempo e com a ajuda efetiva do âmbito comercial na sua utilização. De forma às vezes até intuitiva, o Papai Noel foi tendo suas particularidades ajustadas e aprimoradas no sentido de desenvolver determinadas características corporais que desencadeiam determinadas sensações".

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