Selo quer resgatar autenticidade artesanal
Selo quer resgatar autenticidade artesanal
Texto: Marcos Zibordi
Autênticos artesãos terão agora uma maneira de identificar seus produtos em meio aos importados da Praça do Artesanato
Um selo de autenticidade é a solução que os verdadeiros artesãos de Barra Bonita encontraram para tentar competir num mercado cada vez mais alienígena. A praça dos artesãos, na avenida principal, é um dos principais pontos turísticos da cidade que, logicamente, deveria abrigar os trabalhos artesanais. Mais não é isso que ocorre. Dos 34 boxes disponíveis, somente 3 deles estão ocupados por produtos artesanais. O resto é bugiganga paraguaia.
A formação da Praça dos Artesãos ajuda explicar o desvio da sua finalidade. Há cerca de dois anos, em um local bem próximo, os artesãos e os sacoleiros dividiam o espaço na Praça da Juventude, com 13 boxes. Com a inauguração da Praça dos Artesãos, eles foram transferidos para aos boxes, sob concessão da Prefeitura.
Os espaços que sobraram (20) foram cedidos aos inscritos de uma seleção feita pela Prefeitura. Foi desse ponto que se desenhou o atual quadro.
A situação então forçou uma iniciativa da Associação dos Artesãos de Barra Bonita, que então criou o selo de autenticidade, para caracterizar
(e diferenciar) o artesanato.
Maria José Correa, 38 anos, é esposa do presidente da Associação, que teve a idéia do selo, desenhado pelo artista Oli Osnaid. Sua loja na Praça trabalha com cerâmicas e chega exportar anualmente uma remessa para o Japão.
A falta de artesãos na praça é inversamente proporcional ao número deles na cidade. Além de cerâmica, artesãos trabalham com arraiolo (espécie de tapeçaria), tapetes, bordados, escultura em madeira e muitos outros, que estão em algum lugar anônimos, menos na praça que, em tese, deveria abrigá-los.
A Picola Arte, loja que vende artesanato de argila, cuja especialidade são réplicas de peixes, é a outra loja que funcionava na semana passada. Raphael Moda Marcon, 16 anos, é herdeiro da tradição do pai, que naquele dia estava produzindo peças em casa enquanto os filhos cuidavam da loja. A loja já exibe o selo em seus produtos, além de um enorme banner na porta, exemplo também seguido por Corrêa.
Segundo ela, será iniciada uma triagem na Casa da Cultura para os artesãos que se interessarem em selar autenticamente seus produtos. "A pessoa vai ter que provar que ele fabrica, que ele que faz, que é um artesanato mesmo. Ele vai se filiar à associação. Fora isso não". O nome do selo é "Autêntico".
Ela avalia que muita gente trabalha com artesanato na Barra Bonita, faz lindos trabalhos, e está esquecido. O objetivo dos artesãos que estão querendo proteger seus produtos não é de expulsar os sacoleiros da Praça, até porque entendem que todos precisam trabalhar. "Ela vai ter liberdade de comprar tanto paraguaio ou qualquer outra espécie de material, mas sabendo que em alguns boxes terá o selo do produto autêntico".
Domingas Tereza Martins Perea, secretária da Cultura, alega que a praça dos Artesãos é resultado de uma restruturação que começou ser feita desde sua posse, há dois anos.
Segundo ela, existe uma Associação Cultural de Barra Bonita, que abriga manifestações populares e/ou culturais, no total de 12 atividades diferentes.
Ela, no entanto, não conseguiu explicar a quantidade de sacoleiros numa praça de artesãos. "Então
é exatamente isso que você constatou; e nós não temos nada contra", justifica.
Entusiasmada, ela acredita que o estatuto próprio dos artesãos e a ficha de inscrição é sinal de uma "revolução" que sua secretaria de Cultura prepara. "É o que nós estamos pretendendo. O que vai acontecer, vai de acordo assim... com o acreditar".