Um "Tietê" dentro de Bauru
Um "Tietê" dentro de Bauru
Texto: Andréia Alevato
Um rio morto, totalmente sem vida. Esse é o Rio Bauru hoje, que recebe água com sabão, sabonete, detergente, shampoo, sujeira orgânica e industrial, ou seja, todo esgoto produzido diariamente na cidade.
O Rio Bauru nasce na união dos córregos Água da Ressaca e Água da Forquilha e tem nove afluentes: Água do Sobrado, Córrego da Grama, Barreirinho, Água do Castelo, Ribeirão das Flores (que passa embaixo da avenida Nações Unidas), Água Comprida, Córrego da Vargem Limpa e o Ribeirão Vargem Limpa. Cada um de seus afluentes tem uma história diferente, como a casa de Felicíssimo Antônio Pereira, que ficava às margens de um dos afluentes do Rio Bauru. Sua casa era um sobrado e, por isso, o córrego ficou conhecido como Água do Sobrado.
Mas, a atual história do Rio Bauru não tem sido tão interessante assim. Ele está totalmente morto, sem nenhuma forma de vida até o Ribeirão Grande, município de Pederneiras. Ali, o Rio Bauru continua poluído, só que numa escala menor, permitindo que formas de vida, como peixes e algas, sobrevivam nele.
Diariamente, o Rio Bauru recebe 13 mil quilos de sujeira por dia. Ao todo são 75.091 ligações de esgoto na cidade, que passa por uma rede de 1.323.326,32 metros, recolhendo os esgotos em toda cidade e jogando tudo no Rio Bauru. O Rio que corta a cidade é praticamente um "Tietê", como a cidade de São Paulo, só que com menos odor.
O tratamento de esgoto é a única solução para que o Rio Bauru volte a ter vida e, para que a população bauruense não acaba ficando sem água. Mas, essa solução tem que ser rápida.
O Instituto Vidágua deu um prazo para que o Departamento de Água e Esgoto (DAE) defina a situação do tratamento de esgoto na cidade. Segundo Rodrigo Agostinho, do Vidágua, se até março a autarquia não tomar providências, o Instituto tomará providências mais sérias, como representações na Justiça.
"Se até março o DAE não tomar uma providência em relação ao tratamento de esgoto, o Vidágua vai tomar providências. O que estão fazendo com o Rio Bauru é crime ambiental. Está no Código", disse Agostinho.
Para o Vidágua, a primeira atitude que deve ser tomada
é a construção das elevatórias do Rio Batalha, para que este rio, que também abastece uma parte da cidade também não fique poluído. Depois, o próximo passo seria colocar os interceptores, e o primeiro deveria ser no Córrego da Grama. E, por último, construir a Estação de Tratamento de Esgoto.
"O que precisa é definir e fazer. O DAE precisa firmar uma posição. Se não colocar a mão, vai sobrar para muita gente", completou Agostinho.