Homem mata mulher e se suicida no jardim Andorfato
Homem mata mulher e se suicida no Jardim Andorfato
Texto: Eva Rodrigues
Um rapaz enforcado e a mulher morta e enterrada debaixo da cama. Não, não se trata de filme de terror, mas de uma cena real presenciada por moradores do Jardim Andorfato, em Bauru, na madrugada de ontem. O ciúme é a única razão plausível apontada por conhecidos do casal para as mortes. Tudo indica que se trata de homicídio seguido de homicídio.
Segundo informações obtidas junto à polícia, por volta de 2 horas da manhã de ontem, Adriana Aparecido Gusmão, 20 anos, chegou à casa localizada na rua Antônio Carlos Gomes, 2-13, Jardim Andorfato, quando encontrou o seu irmão, Elias Aparecido Gusmão, 22 anos, suspenso por uma corda que estava amarrada em um caibro da cobertura da casa.
Ela avisou a polícia e pediu para que um vizinho guardasse as armas encontradas no local: uma garrucha calibre 22, municiada, e uma arma de fabricação caseira de carregar pela boca. Ao chegar na residência, a polícia encontrou um bilhete, provavelmente escrito por Elias, que informava que a sua mulher, Cláudia José André dos Santos, 22 anos, estava enterrada debaixo da cama.
Escavações revelaram o corpo que foi reconhecido por Adriana como o sendo de Cláudia. As armas e o bilhete foram apreendidos pela polícia. A amiga do casal, Benedita dos Santos, estava ontem à tarde nas redondezas da residência e apontou o ciúme como única causa possível para as mortes. "Eu gostava deles, vinha aqui almoçar, e sei que ele tinha muito ciúme dela. Então acho que ele desconfiou de alguma coisa e deve ter pensado 'Mato e também morro, não dou gosto para ninguém'", disse.
A vizinha R. O., 16 anos, lembra que Elias e Cláudia tinham retornado de uma festa em família na sexta-feira à noite. "Estava aqui em casa em escutei dois gritos dela (Cláudia), por volta da meia-noite de sexta para sábado. No dia seguinte chamamos o Elias para um churrasco - ele não quis vir e disse que a Cláudia tinha saído e não sabia onde ela teria ido. Ele estava murcho e inquieto, aí pedimos para chamar a Natália (irmã de Cláudia que morava com o casal) e ele informou que ela tinha ficado na festa onde tinham ido na noite anterior. Ontem (domingo) fizemos outro churrasco, perguntamos novamente pela Cláudia, ele repondeu que não tinha retornado e novamente negou participar do churrasco. Vimos ele pegando corda e balde no quintal mas não pensamos em nada..."
O último barulho ouvido da residência, segundo R., teria sido um choro que sua mãe escutou e identificou como sendo de Elias. Conforme os vizinhos mais próximos, os dois tinham uma boa convivência, com discussões dentro do padrão de normalidade de outros casais. A Delegacia de Investigações Gerais/Grupo Armado de Repressão a Roubos e Assaltos (DIG/Garra) está investigando as mortes e apurou que o casal brigou na festa. Segundo a polícia, o irmão de Cláudia foi ferido no rosto ao tentar defender sua irmã.
Morte por esganadura
Segundo informações do Instituto Médico Legal
(IML), Cláudia levou um tiro de revólver calibre 22 que penetrou na mama esquerda e se fixou na musculatura torácica. Mas a causa da morte foi outra: asfixia mecânica por esganadura com força bruta, o que significa uma compressão muito forte no pescoço. Ela também apresentava hematomas e equimoses (manchas roxas) por todo o corpo.
Conforme o IML, somente o tiro não traria consequência alguma a Cláudia. Elias morreu em consequência de fratura e luxação da coluna cervical por enforcamento. Segundo avaliação do IML, Cláudia teria morrido na sexta-feira à noite e o companheiro no domingo à noite.