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Equipamentos de pesca

Roberta Mtahias
| Tempo de leitura: 6 min

Indústria da pesca traz novidades

Indústria da pesca traz novidades

Texto: Roberta Mathias

Os proncipais fabricantes de carretilhas e molinetes investem em aperfeiçoamento dos modelos já existentes e evitam novos lançamentos para 2000.

Quem vive no Brasil, às vezes pode achar que as novidades da indústria da pesca tardam um pouco a chegar, porém as notícias chegam rápido e deixam os pescadores com sede de novidades. Conversando com o pescador Gerson Pereira Kavamoto, 30 anos, que atualmente mora no Japão, ele adiantou aos leitores do Pesca & Lazer algumas dos novos investimentos da indústria da pesca. As líderes na fabricação de molinetes e carretilhas optaram por melhorar seus equipamentos, antes de lançar novidades no mercado.

Kavamoto, que está na "fonte" da alta tecnologia, procurou saber quais as modificações que a Daiwa e a Shimano preparam para o ano 2000. Os preços variam bastante e as modificações vão desde reforço da haste até materiais mais resistentes. Os brasileiros terão que esperar um pouquinho pelas novidades, mas podem ir se preparando.

Kavamoto esteve visitando uma loja especializada em artigos para a pesca e, conversando com o vendedor Utsunomiya sobre as novidades para o ano 2000, obteve a informação que tanto a Daiwa como a Shimano, até dezembro de 1999, não haviam produzido nenhum modelo novo de carretilha ou molinete.

"O que se comenta é que as duas marcas líderes do mercado estão aperfeiçoando seus modelos em mínimos detalhes", explica Kavamoto.

"A Daiwa, líder em molinetes, por exemplo, para melhorar a performance de seus molinetes, construiu o corpo do molinete em magnésio, deixando-o mais leve que os construídos anteriormente, em duro alumínio." O único inconveniente, que o pescador não pode esquecer, é que os molinetes em magnésio não poderão ser usados em água do mar.

De acordo com Kavamoto, a Daiwa também está estudando e aperfeiçoando a haste e o guia que distribui a linha na bobina há muito tempo. "Hoje, além dos molinetes não torcerem mais a linha com os sistemas Twist Buster2 e ABS (anti-backlash system), desenvolvidos em anos anteriores, estão reforçando as hastes para evitar entortar ao puxar peixes grandes e pesados, aumentando a durabilidade do produto." No guia que distribui a linha na bobina foi feito um novo design para não enroscar a linha quando é travado o molinete.

Já a Shimano, responsável pela liderança na fabricação de carretilhas, ampliou as aplicações da Scorpion Antares, que não podia ser empregada em água salgada. "As carretilhas do ano 2000 poderão ser trocadas as bobinas conforme a pescaria. As novas bobinas opcionais da Shimano são fabricadas em magnésio, alumínio ou metanium, com capacidade de armazenagem de linha conforme a bobina (rasa ou funda). Também foi ampliada a opção do ratio de recolhimento, 1:6.2 e 1:5.1 sendo este último para peixes mais robustos", exemplifica Kavamoto.

O importante é que cada fabricante está aperfeiçoando cada vez mais os modelos já existentes, evitando lançar novos com custos mais elevados. Os modelos mais sofisticados da Daiwa são os da série Team Daiwa-X variando de ¥ 42.000 (R$ 747,81*) (modelo 1500iA de 8 rolamentos) até

¥ 75.000 (R$ 1.335,37) (modelo 6000HiA ou 6000RiA para água salgada com 12 rolamentos) seguido da série Tournament-ZiA custando de ¥ 50.000 (R$ 890,25) (modelo 1500iA de 11 rolamentos) a ¥ 57.200 (R$ 1.018,45) (modelo 3500iA de 12 rolamentos).

As carretilhas da série Scorpion da Shimano custam de ¥ 22.000 (R$ 391,71) (Scorpion 1500 de 4 rolamentos) a ¥ 42.500

(R$ 756,71) (Scorpion antares com bobina de magnésio e 10 rolamentos) todos os três modelos da Scorpion, Scorpion 1500, Metanium XT e Antares, possuem versões para canhotos. A versão II da antares para uso no mar está custando

¥ 39.000 (R$ 694,40), as bobinas de alumínio ¥ 8.000 (R$ 142,45) e a de magnésio ¥ 13.000 (R$ 231,46).

Agora os pescadores do Brasil podem ter uma idéia do que vão encontrar pela frente com relação às modificações, porém os catálogos só serão liberados após a exposição dos fabricantes. Até lá, é água na boca.

Gerson P. Kavamoto pesca desde os 5 anos de idade, quando fisgou sua primeira tilápia, na represa de Igarata, Santa Isabel-SP, e nunca mais parou. Apaixonou-se pelo fly quando pegou seu primeiro tarpon, em 96,na Flórida. Até o dia 7 de janeiro ele estará pescando nos rios de planice, na região de Queenstown e Te Anau, na Nova Zelândia.

* Os preços dos equipamentos foram convertidos de acordo com a tabela de 28/12/99.

* Fotos: Arquivo pessoal/Gerson Kavamoto

************* Campeonato reúne criançada***************

O campeonato de pesca infantil realizado nos dias 11, 12 e 18 de dezembro, no Pesqueiro Sakai agitou a garotada. O "Fisgando fortes emoções" realmente fez com que as crianças percebessem a importância de doar o seu brinquedo e participar. Apesar da chuva ter atrapalhado os planos de algumas crianças, que não puderam participar, Sérgio Sakai, proprietário do pesqueiro, avalia como muito boa a participação dos grupos. Agora é esperar para os campeonatos envolvendo os adultos, que nem sempre dão o mesmo "show" que as crianças. Vale conferir!

Pesqueiro Sakai fica na rodovia Bauru-Marília, Km 350, telefone (14) 972-9010. Taxa para a pesca é R$ 2,00 com direito a vara, isca e samburá. O quilo do peixe sai por R$ 3,80 a tilápia; R$ 4,50 o pacu e o piauçu; R$ 5,90 o matrinxã e a piraputanga; e R$ 12,00 o pintado.

*História de pescador*********

Atirei no que vi e matei o que não vi

Esta história aconteceu em 96, quando meu irmão Carlos e dois amigos, Clóvis e Orides, me convidaram para pescar. O local escolhido foi em Duartina, nas margens da antiga estrada de ferro, que cortava Duartina e Cabrália Paulista. Com o fim da estrada de ferro, o trecho foi loteado e surgiu uma plantação de eucaliptos. Chegando no local, como

é de praxe, acampamos ao lado da antiga ponte da estrada de ferro que cruzava o rio. Armamos a barraca, preparamos as iscas e abastecemos o isopor. De repente desabou um enorme temporal, e lá se foi a pescaria, que não tinha nem começado. O rio estreito encheu logo e inundou tudo. Clovinho, que conhecia a região, disse: vamos esperar, pois esse tempo ruim passa logo. Passamos a noite ali, e o tempo só melhorou ao amanhecer. Como não tínhamos mais espírito para pescar, resolvemos testar a pontaria. Peguei o saco de estopa em que tínhamos levado a rede e amarrei na cintura, como se fosse um embornal. Saímos para caçar pombos, pois tinha muitos deles por causa dos eucaliptos. Meu irmão, o mais velho da turma, gritou: "Vamos ver quem tira o dedo primeiro!"

Nesse momento, passou voando um bando de pombos "margosinhas", eu atirei a pedra para o alto, meio a esmo, e várias penas voaram, só que nada do pombo cair. Todos riram do meu fracasso. Mas não é que elas contornaram a copa dos eucaliptos, e uma caiu dentro do meu embornal! Todos ficaram pasmos na hora e eu, sem acreditar, suspirei aliviado "eu fui o primeiro". Quando atirei a pedra para o alto, apenas atordoei o pombo. Ele, não suportando a dor, caiu sem querer dentro do saco que eu carregava como se fosse um embornal. Com a irritação dos meus companheiros, foi o suficiente para acabar de vez com a pescaria.

Paulo Roberto Bellin é pescador e contador de histórias

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