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Mercado informal

Márcia Buzalaf
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Informais buscam esperança no "camelódromo"

Texto: Márcia Buzalaf

A economia informal reclama do ano de 99 e da desvalorização do real, que afetou diretamente os preços dos produtos importados. A perda até o Natal havia sido de aproximadamente 30% das vendas de 98, que também já haviam sinalizado queda. Mário Augusto dos Santos, presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Economia Informal de Bauru (Sinteib), um dos três únicos sindicatos da categoria no Estado, investe a esperança dos informais na promessa da Prefeitura Municipal em montar o Centro de Comércio Popular, o "camelódromo" tão esperado.

Dois fatos marcaram a vida dos informais este ano, e os dois atingiram mais diretamente os permissionários, chamados de camelôs. Primeiramente, a desvalorização do real que começou em janeiro e, em segundo lugar, as apreensões feitas pela Polícia Civil em fevereiro.

Santos é o único representante da economia informal em Bauru, mas seu sindicato representa apenas 350 dos 30 mil informais estimados na cidade. "Mas a importância da gente na economia é esquecida pelas autoridades", reclama Santos.

Ele afirma que os permissionários foram os mais prejudicados este ano, já que perderam poder de compra das mercadorias importadas e são os que mais "colocam a cara para bater".

A apreensão feita em fevereiro de CDs e depois de cigarros inviabilizou o trabalho para vários informais. Segundo Santos, muitos destes produtos foram comprados com dinheiro das vendas do final de 98 e, por isso, alguns permissionários deixaram de montar a barraca no centro da cidade.

"O desemprego abrange todo o território. Hoje, a pessoa está empregada e amanhã está desempregada, e vai para a economia informal. Com isso, os informais deixaram de colocar a barraca na rua. Estão fazendo um serviço de pedreiro, encanador, eletricista, fazer salgados em casa...", explica Santos. Ele afirma que a saída encontrada pela categoria foi diminuir a quantidade de produtos comprados.

O presidente do sindicato é otimista e diz que, apesar da crise financeira, os consumidores não deixaram de comprar os produtos comercializados pelos camelôs, que variam entre R$ 1,00 e R$ 35,00.

Durante este ano, Santos afirma, profissionais de todas as áreas se voltaram para a economia informal por falta de opção. Ele cita o exemplo de advogados e até médicos, que têm carrinho de lanche para se manter", conta.

Para o ano 2000, Santos espera que o Centro de Comércio Popular seja levado adiante. O plano é que ele seja construído ao lado do Hotel Colonial, na praça Rui Barbosa. O projeto também tem a previsão de dois bolsões de permissionários, um no Mary Dota e outro no Geisel, que são grandes centros de consumo. "Eu vejo o ano 2000 com boa expectativa desde que o Executivo execute esta obra que vai beneficiar centenas de trabalhadores, que com cinco dependentes cada, são milhares de pessoas envolvidas", diz.

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