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Gustavo Cândido
| Tempo de leitura: 4 min

Tudo pelo esporte

Texto: Gustavo Cândido

O corredor e organizador de eventos esportivos bauruense Luiz Felício Lacerda é um apaixonado pelo esporte. Maratonista, com experiência internacional, ele se dedica, sempre com a ajuda da família, a tornar o pedestrianismo um esporte cada vez mais popular e respeitado no País. Recém-chegado de São Paulo, onde disputou a 75ª Corrida de São Silvestre, a mais tradicional maratona do Brasil, Luiz falou sobre o esporte na sua vida.

Jornal da Cidade - Há quanto tempo você corre?

Luiz Felício de Araújo Lacerda - Faz 17 anos. Eu era militar, fui pára-quedista e sempre pratiquei esportes, quando deixei o exército montei uma fábrica de artefatos de gesso e depois comecei a trabalhar com esporte e a treinar sério. Estava com trinta e poucos anos, comecei veterano. Antes, quando era militar já havia disputado provas mas a atenção que se dá hoje ao atletismo é muito maior do que naquela época.

JC - Qual a sua profissão hoje?

Luiz Felício - Trabalho com eventos esportivos e com o comércio de troféus e medalhas.

JC - Por que decidiu mudar de vida e começar a trabalhar com esporte ?

Luiz Felício - Sempre quis trabalhar com esporte, organizar eventos e correr. Formamos a Associação dos Corredores Reunidos e Associados de Bauru, CORRA, ou seja, abracei mesmo a causa e hoje organizo provas em Bauru e região

JC - Você sempre correu corridas de longa distância?

Luiz Felício - Sim, sempre maratonas

JC - Você já disputou a São Silvestre?

Luiz Felício - Já, uma vez, quando a prova ainda era disputada a noite. Este ano também fui, junto com o meu filho João Fabrício. No dia 30 organizei a 2ª São Selvagem, aqui em Bauru, no dia 31 fui para São Paulo. A São Silvestre é uma prova mais de participação, de festa, de incentivo, só quem está no pelotão de elite tem chances de vencer.

JC - Você já disputou provas de maratona em vários lugares do mundo, Estados Unidos, França, Portugal, África do Sul, qual a sua medalha mais importante?

Luiz Felício - É essa de participação na Ultramaratona de Uberaba, que tinha a distância de 100km. Foi uma prova internacional, difícil, sem sombras, sem muito apoio. A primeira maratona que eu disputei em Nova York também foi importante para mim, marcou muito.

Participei de campeonatos mundias em Buffalo, nos Estados Unidos e em Durban, na África, mas a prova de Uberarba é a mais importante, porque não é uma prova para qualquer pessoa.

JC - As provas que são disputadas no Brasil ainda não têm todo o apoio para os corredores que têm as estrangeiras não é?

Luiz Felício - As provas internacionais, principalmente a de Nova York, têm a cada 5 quilômetros água e hidratante para os corredores, mas para o final da prova eles distribuem barras energéticas, frutas secas, o apoio é muito bom. No final das provas eles distribuem uma sacola com frutas, lanche, hidratante. Depois de ter participado destas provas no exterior trouxe muita coisa para as corridas aqui em Bauru.

JC - Como o que, por exemplo?

Luiz Felício - Aqui na região há alguns anos atrás quando se fazia uma prova os organizadores juntavam 6 ou 10 medalhas, sem gravação, sem nada e davam para os vencedores e só. A gente que participava achava aquilo o máximo porque não sabia o que acontecia fora. Eu comecei a valorizar as corridas por aqui. No percurso sempre há água para os atletas, frutas na chegada. Sempre que dá também fazemos camisetas. As medalhas também são todas gravadas e damos troféus e certificados aos vencedores. JC - É possível viver só de corrida e organização de eventos?

Luiz Felício - Não, tenho casas de aluguel e a loja, que me ajudam a sustentar a família. Não fico com nada do dinheiro da organização das corridas, não pego um centavo para mim, cheguei a vender uma casa e colocar todo o dinheiro no esporte e na organização dos eventos. Às vezes cobro inscrição das provas, mas só dos que podem pagar e mesmo assim esse dinheiro não cobre os custos do evento e meus gastos com gasolina, telefone, fax.

JC - Você conta com o apoio de toda a família?

Luiz Felício - Sim, sem eles jamais seria capaz de me dedicar tanto ao esporte. Eles me ajudam e me incentivam. Meu filho João também está correndo e já vem se destacando.

JC - Quando você treina?

Luiz Felício - De manhã ou à noite, um dia sim outro dia não. Acordo bem cedo e no final do dia completo 15km de treino.

JC - Para sua saúde isso é importante?

Luiz Felício - É fundamental. Se eu não fosse atleta acho que já estaria morto. Eu trabalho demais e vivo preocupado, se não tivesse o esporte acho que já teria sofrido um infarte. O esporte melhora a musculatura, deixa o coração forte, a mente sadia e faz a agente superar todos os desafios da vida.

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