Ginástica de resultado é sucesso atual
Texto: Sabrina Magalhães
A maioria das pessoas que se matricula em academias quer ter um novo corpo em semanas, mas tem que malhar por meses
As modalidades mais procuradas em qualquer academia atualmente são as chamadas "ginásticas de resultado". Aulas onde o aluno faz um trabalho aeróbico e localizado bastante intenso, obtendo, ao mesmo tempo, condicionamento, resistência muscular e uma queima muito grande de gordura. O aluno sai da aula "morto", mas satisfeito por saber que gastou bastante energia e agora pode comer uma pizza sem peso na consciência.
No auge destas atividades estão - campeãs disparadas
- o Body Pump e o Body Attack, atividades importadas de uma das mais caras academias do mundo, na Nova Zelândia. A academia
"compra" os programas em esquema de franquia. Os professores escolhidos fazem um treinamento e passam por uma avaliação. Só os aprovados podem comandar as aulas, de forma que uma aula em Bauru seja exatamente igual à que é oferecida nos Estados Unidos ou em qualquer outra parte do mundo.
De acordo com Júnior Balestero, o Body Pump foi uma revolução nas academias e surgiu porque as aulas de ginástica não estavam atraindo mais. As coreografias eram longas e complexas e os alunos não queriam decorar coreografias. Queriam apenas malhar, suar e perder peso. Então surgiu essa modalidade super desafiante, em que os alunos fazem exercícios aeróbicos, mas trabalhando músculos específicos com a ajuda de barras e pesos.
"De certa forma, o Body Pump roubou os alunos da musculação.
É um trabalho de resistência muscular, onde o aluno usa 20% a 30% da carga máxima que seu músculo pode sustentar e faz muitas repetições, cerca de 100 repetições. Do outro lado, o professor não dá uma aula, mas um show, com toda a disposição possível. E a cada três meses nós passamos por um novo treinamento, aprendendo novas coreografias. Hoje, o Body Pump é sucesso em todos os lugares".
Perda calórica
Balestero comenta que estudos realizados na Nova Zelândia apontam que a queima de gordura de uma aula de Body Pump chega a 411 calorias. Depois, o organismo usa mais 340 calorias em mulheres e 480 em homens para sua recuperação após a aula. Somado ao que é gasto durante o repouso, chamado metabolismo basal, chega a 1.000 calorias. "Isso, claro, considerando um grupo de pessoas treinadas que já faziam a atividade há 4 anos e utilizavam sua carga máxima. Então, é um resultado muito bom. Já imaginou saber que você vai gastar mil calorias num dia e que depois você pode comer o que quiser e ficar tranqüilo?"
E segundo uma pesquisa também realizada na Nova Zelândia, 90% dos alunos de Body Pump sentem-se motivados e entusiasmados com as aulas. 93% acham que a aula é desafiante e 97% consideram a coreografia fácil. "Isso porque o aluno se desafia na intensidade e na carga dos exercícios, enquanto que a coreografia, em si, é simples."
Body Attack
O Body Attack já é uma aula mais pesada, direcionada apenas para alunos em nível intermediário ou avançado e desaconselhável para iniciantes. "Lembra a ginástica aeróbica antiga, mas com movimento extremamente intensos e vigorosos. Eu cheguei a perder oito quilos em duas semanas depois que comecei a dar aulas de Body Attack, porque o gasto é muito grande. E não é uma aula de dança. Você corre pela sala, faz flexões, atividades que estão levando os alunos de volta para a sala de ginástica, inclusive os homens", afirma Balestero.
De acordo com Amilton Pereira de Almeida, da Marathon, a academia que lançou essa modalidades já está exportando o Body Balance, que é uma aula de alongamento, o Body Step e o Body Combat, que usa movimentos de artes marciais. Todas essas modalidades têm como objetivo aumentar a intensidade das atividades já existentes, tornando a aula cada vez mais atraente para os alunos, com incríveis perdas calóricas.
"E nós devemos estar fazendo o treinamento agora em janeiro para trazer mais destas modalidades para Bauru."
Step
As aulas de step também são bastante procuradas nas academias, por oferecerem resultados rápidos. Segundo Balestero, a modalidade foi criada por uma norte-americana que tinha uma aluna com problemas no joelho. Ela precisava fortelecer o joelho da aluna e colocou a moça para subir e descer escadas. Mas temendo a rotina, tentou criar algo mais interessante, colocou música para incentivar o trabalho, então tirou a escada e deixou só um degrau. Hoje a aula de step
é feita com coreografias executadas sobre uma plataforma, com movimentos de sobe-e-desce, em diferentes posições e intensidades, conforme a música. Uma aula que já existe há cerca de dez anos e continua lotando as salas de ginástica.
Pedalando a mil
O ciclismo sempre foi uma modalidade esportiva de resultado. Então, inventaram a bicicleta ergométrica. Mas passar meia hora, uma hora pedalando sem sair do lugar pode tornar-se uma atividade chata e estressante. Então, surgiram o spinning e a RPM. O professor inicia a aula descrevendo um percurso. Em determinados momentos o aluno tem que simular uma subida, em outros, uma descida, aumentando e diminuindo a carga do aparelho, bem como a intensidade das pedaladas.
Segundo Amilton de Almeida, a diferença entre o spinning e a RPM é que a última também é uma franquia, como o Body Pump e o Body Attack. Então, o professor
é treinado e são feitas inúmeras pesquisas antes de lançar o produto no mercado. "Eles sabem até onde podem ir para não dar uma lesão.
É uma aula muito bem planejada, com aquecimento na parte aeróbica e alongamento no final. Um programa super completo, que é monitorado pelos criadores, já que temos que mandar fitas das nossas aulas para avaliação deles."
Uma questão de tempo
Amilton Pereira de Almeida, o Xuxa, dá um recado para quem pretende iniciar um programa de atividades físicas: "Para começar a sentir o efeito da atividade física, são necessários vários meses. Nos primeiros dois meses, em média, o aluno vai trabalhar o nível fisiológico, vai acostumar seu organismo com a atividade física, vai se adaptar com os aparelhos. Em um mês ele condiciona seu sistema cardiovascular, sua circulação e lentamente o próprio organismo começa a exigir mais dele. Se a pessoa realmente malha todos os dias, se ela tem um programa e segue esse programa fielmente, se preocupando com a intensidade do trabalho, com a freqüência cardíaca, em três meses ela atinge seus objetivos e em cinco meses ela está super condicionada. Mas vai depender do professor, do aluno dar seguimento ao processo e 50% de uma correção alimentar. Sem isso, ela não atinge objetivo nenhum".