Pescadores ganham novo espaço
Texto: Roberta Mathias
Ninguém descobriu um lugar nunca antes explorado pelo homem, repleto de peixes de várias espécies, com uma linda floresta, águas cristalinas... infelizmente esses lugares estão cada vez mais distantes do pescador e dos moradores do planeta terra. Mas o JC traz uma nova coluna para a participação dos leitores/pescadores: "Troféu Pescador".
Agora os pescadores poderão participar ainda mais do Pesca
& Lazer enviando a fotografia do seu troféu. Vale foto durante a briga com o peixe, mostrando o "bichão" para a câmera, o lindo salto do brigador, mas com especial carinho, o JC vai publicar aquelas fotos em que o principal retratado está voltando para casa. Isso mesmo, aquela foto que você está soltando o peixe para o rio.
É claro que também serão publicadas as fotos tradicionais, "posando com troféu", afinal são as preferidas da turma de pesca. Só tem uma exigência: a fotografia deve ser VERDADEIRA! Não vale fazer pose com o peixe do vizinho! Tem um peixe que até já cobrou direito autoral de tantas vezes que foi fotografado em mãos diferentes... E até peixe fisgado há mais de ano! Aí não tem graça, né?
Na verdade, a iniciativa de programar mais um espaço para os pescadores nasceu da grande participação dos leitores no Pesca & Lazer. Todas as semanas, chegam cartas
à redação sugerindo matérias, dando dicas e, não poderiam faltar, as histórias dos pescadores. Não é difícil perceber também que essa tribo fala a mesma língua e se entende muito bem independente da faixa etária, condição social, do nível de instrução, da religião... Pescador é pescador, e pronto! Tem os sapateiros, mas isso é outra história!
Observar os pescadores conversando é muito interessante e didático. Mesmo sem se conhecerem eles discutem técnicas, equipamentos, "jeitinhos", iscas, melhores locais para a pesca, enfim, eles se entendem melhor do que se fossem duas pessoas da mesma profissão. E isso é fantástico. O que ainda não aconteceu, mas acredita-se que está caminhando para ocorrer é a conscientização de todos os pescadores com relação à quantidade de peixes.
Infelizmente ainda tem muita gente que espera voltar da pescaria com o freezer cheio para compensar os gastos com a viagem. Na verdade, não há quantidade de peixe suficiente para pagar os prazeres que
a pescaria oferece ao pescador. Mesmo sem peixes! A beleza do lugar, os momentos entre amigos, a paz, a tranqüilidade e, para valorizar ainda mais, excelentes "brigas" que valem mais que o peixe. Depois da batalha, o pescador devolve seu amigo
às águas embarcando apenas o suficiente para saciar a fome.
As idéias estão mudando e o pescador está modificando também suas atitudes. Hoje não é difícil encontrar pescadores que respeitam a desova, o tamanho dos peixes, o ambiente em que a pesca está inserida
(rios, mares, matas...) e evitam a pesca predatória com armadilhas, anzol de galho, joão bobo, etc. É para esses pescadores que o JC reserva um espaço especial. Para o pescador que conta causos, que participa, que lê, que escreve, que pesca e, principalmente, que preserva. Envie a sua foto para:
Jornal da Cidade
Pesca & Lazer - Troféu Pescador
Rua Xingu, 4-44, Jardim Higienópolis
CEP 17013-510 Bauru SP
* Não esqueça de colocar seu nome, a espécie do peixe e onde foi fisgado. Ah! Se possível o peso estimado do troféu. Todos vão querer saber o tamanho da "mentira"!
Rubinho lança site na Internet
Agora os pescadores têm um canal aberto direto com Rubinho Almeida Prado, grande incentivador da pesca esportiva no Brasil e reconhecido pescador em todo o País. Rubinho lançou um site na Internet que pretende facilitar o contato entre a Pescaventura e os pescadores, com rapidez e praticidade, procurando levar as informações necessárias. Ele idealizou a Pescaventura há muito tempo, mas foi em janeiro de 99 que pôde concretizar o projeto de montar uma escola de pesca, onde o pescador pode aprender a arremessar, atar moscas, conhecer o ambiente de pesca, enfim, a ter uma vivência da modalidade esportiva. Na Pescaventura é possível, inclusive, programar viagens com Rubinho, um bom companheiro de pescarias.
"Já soltei muitos peixes... E creio ter contribuído para o desenvolvimento da consciência do 'pescar e soltar' entre os pescadores brasileiros", diz Rubinho, que trabalha com uma equipe de profissionais capacitada, que ao seu lado ministra cursos em vários Estados brasileiros orientando pescadores e levando iniciantes a se apaixonar pela pesca. Com o site da Pescaventura, que começou a operar em janeiro de 2000, o pescador pode tirar dúvidas e ter muitas informações do universo que envolve a pescaria.
Além dos tradicionais causos, piadas e charges, o site traz informações científicas sobre o setor; mostra críticas e posicionamentos de pessoas relacionadas
à pesca; traz a visão feminina da pescaria (o primeiro depoimento é de Elen Carneiro, esposa de Rubinho que foi fisgada pela pescaria. Ela conta como foi "Pescar trutas em Bariloche". Detalhe importante, ela ficou bem longe do marido pescador!); além de uma série de informações sobre peixes e pescaria.
O pescador/internauta também fica por dentro de leis e normas de pesca e recebe dicas interessantes para a saúde. Para quem quer cozinhar, a culinária não foi esquecida. O site da Pescaventura é diversificado e torna-se mais uma opção para o pescador estar ligado aos peixes sem sair de casa, na rede da Internet. É importante dizer que o site é fácil de navegar e um tem visual agradável.
(RM)
O endereço é:
http://www.pescaventura.com.br
********** A vez é das mulheres! ************
A temporada de pesca oceânica está aberta desde outubro e agora chegou o momento das mulheres mostrarem seu talento. Em Ilhabela, neste final de semana, será realizada a terceira edição do torneio "Belas & Feras". A competição, organizada pelo Yacht Club Ilhabela, será no dia 8, quando as "feras" terão que enfrentar cerca de três horas de navegação para encontrar o mar azul e iniciar sua aventura, à procura dos peixes.
Elas estão preparadas para utilizar equipamentos pesados e altamente sofisticados e pretendem encontrar os peixes de bico, como marlim azul, marlim branco e sailfish. Também estão na mira dessas mulheres apaixonadas por mar, os peixes de oceano como o atum e o cação.
Os bicos serão no sistema "tag & release"
(marca e solta). O peixe fisgado recebe uma pequena marca de nylon numerada, fornecida pelo Instituto de Pesca de Santos, usada para estudos de migração e crescimento. Os estudos são desenvolvidos em diversos países em conjunto com a TBF
(The Billfish Foundation) e a Fundamar (Fundação Marlim Azul). Já os atuns, cações, dourados, bonitos e wahoos poderão ser embarcados. A pontuação
é diferenciada entre bicos e de oceano, como nos torneios masculinos. A bicampeã do torneio "Belas & Feras"
é Elizabeth Marchi, da lancha Tuca.
A Temporada de Pesca Oceânica é uma realização do Yacht Club de Ilhabela, organizada pela W60, com o patrocínio da Globalstar e Cia. Brasileira de Comércio Exterior, com o apoio da Transbrasa, Importa Assessoria Aduaneira, Mazzaferro/Araty Ocean, Associação Comercial de Ilhabela e Nautinet Dialdata.
************ História de Pescador***************
Zé Capivara
Sr. Editor. Antes de contar minha história, quero sugerir para que esta seção abra espaço aos leitores que queiram dar dicas, mandar recados e também optarem pela publicação de anúncios classificados, pois, sendo específica, a seção Pesca & Lazer pode trazer maior/melhor retorno aos anúncios. Então, se permitido, quero mandar um recado para o Fernando Lucilha Júnior, autor daquela história do dourado publicada no dia 16/12/99, porém avisando aos outros leitores que não sou o Cirineu da turma dele. Bem, Fernando, você poderia ter saltado do avião junto com a corda e vir para Bauru, ou pelo menos até Pederneiras, por água, rebocado pelo peixão.
Agora vamos à história, mesmo. Zé Capivara eu conheci quando chegou como cozinheiro de uma caravana de pescadores que se instalou ao lado da nossa, às margens do rio Aquidauana, isso já há um tempão. Não fiquei sabendo de suas qualidades como mestre-cuca, mas se não as tivesse, pouca importância teria, pois as outras qualidades... O pessoal chegou à noitinha e notamos uma voz que se destacava no comando. Foi pouco tempo para se instalarem e já veio novamente a voz do Zé Capivara comandando o pessoal para sair atrás de isca. Foi pouco tempo e já voltaram com um punhado de curimbas. No outro dia, acordei cedo, mas o Zé já vinha chegando com alguns palmitos para o almoço. Naquela noite o Zé saiu de barco e pegou um jacaré em frente ao nosso acampamento, utilizando-se tão somente de uma fisga. O homem não tinha parada e fazia tudo "na maior". Num outro dia, estava eu pescando de barranco e, mais acima, o Zé Capivara lavava as traias de cozinha. Num dado momento, ele reclamou dos peixinhos que vinham atrás dos restos de comida e acabavam por beliscar suas pernas. Então, pegando uma faca, ele disse: - Vocês parem ou eu corto um no meio! Ah, truquei no ato. - O que você disse, Zé, vai pegar um desses na faca? - É, e você tá duvidando? Então veja: Ergueu a faca, mordeu meia língua, fixou o olhar no rio e ZÁZ! Mandou uma facada n'água. Em seguida, enfiou a outra mão na água e já me jogou duas metades de um lambari... Isso é fácil? Então vejam essa: No outro dia, saímos de barco, eu e meu cunhado, Serginho Godoy. Paramos numa curva que tinha um belo poção e descemos do barco para explorar o lugar. Aproveitei e fiz um arremesso, fixando a vara no chão, porém em posição invertida para garantir a minha breve ausência enquanto observava o lugar. Eis que percebi um sinal de peixe beliscando, voltei, peguei na linha levemente, porém em seguida houve um puxão tão forte que, assustado, soltei da linha que lá se foi com vara e tudo para dentro do rio. Fiquei desesperado pois o molinete era um Daiwa 5000, a vedete do momento, comprado a duras penas de um importador do Paraguai. Tentamos de tudo, eu e o Serginho, mas o molinete já era. Chegando ao acampamento, o Zé Capivara ficou sabendo do ocorrido e, saindo mais à tardinha para pescar, perguntou onde eu tinha perdido o molinete pois iria trazê-lo de volta. Expliquei, mais ou menos a quantas curvas era do local, certo de que o Zé estava apenas procurando ser gentil. Mas sabem o que aconteceu?
À noite me aparece o dito cujo com minha vara e molinete. Disse que parou na curva, fez um lançamento, sentiu que tinha algo enroscado, puxou e era o meu material e, pasmem, com um jaú de 40 quilos fisgado. Fiquei contente e agradecido, apesar dele não ter me dado o peixe, mas por outro lado, com uma ponta de inveja. Pôxa, o homem ganhava todas! Num outro dia, o Zé Capivara convidou-me para colocar algumas armadilhas para caça e, sentindo aí a oportunidade para ganhar uma, aceitei mais do que depressa. Sou bem mais jovem e vou dar uma canseira no Zé andando pelo mato, pensei... E lá fomos nós. Mais ou menos meia hora, o Zé arfava de maneira estranha, mas não parava. Apertei o passo, o Zé me acompanhou mas aumentou o barulho do seu peito. Mais de uma hora e comecei a sentir cansaço. O Zé apertou o passo. Não pude evitar e perguntei: Zé, que barulho é esse? E ele respondeu, na maior simplicidade:
- Ah, é que eu só tenho um pulmão.
Sei que muita gente não vai acreditar, mas podem perguntar para o Aníbal Ortolan, Berbel, Edson Fagnani, Hugo Reis, João Batista de Oliveira e seu filho, Marco Antonio e também para o Antonio Sérgio de Godoy, vulgo lindinho.
Cirineu A. Bonete é pescador e contador de histórias