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Acidentes domésticos

Adriana Rota
| Tempo de leitura: 4 min

Férias exigem cuidados redobrados com as crianças

Texto: Adriana Rota

Está aberta a temporada de acidentes com crianças. O que é descanso e diversão para os pequenos, para os pais pode transformar-se num martírio. Para que isso não ocorra, a atenção sobre os "anjinhos" tem de ser redobrada. No Pronto-Atendimento Infantil (PAI), os traumas causados por quedas lideram o "ranking" dos atendimentos, seguidos pelas queimaduras e intoxicações.

Algumas dicas aparentemente banais às vezes evitam acidentes mais banais ainda, mas que podem ter sérias conseqüências. Por exemplo, crianças jamais devem ficar sozinhas em regiões de alto risco, como rios com corredeiras e cachoeiras, locais altos ou escorregadios.

As piscinas devem ser permanecer cercadas ou cobertas com telas, os baldes e tanques cheios, sob vigilância constante. Coletes salva-vidas são indispensáveis nas embarcações e na praia. O chefe da Unidade Médica do PAI, Felinto dos Santos Neto, salienta a importância de "vigiar" também a criança que saiba nadar, porque algum amiguinho que não saiba pode puxar o outro para baixo ao tentar salvar-se.

As brincadeiras de "caldinho", aparentemente inofensivas, também podem provocar problemas, bem como o exercício exagerado após as refeições. "Comer e entrar na água não causa transtornos, desde que você fique quieto, porque o sangue fica mais concentrado no aparelho digestivo do que no cérebro. Como é difícil manter a criança quieta, o ideal é aguardar de 40 minutos a uma hora para voltar à piscina", aconselhou Santos Neto.

Nas brincadeiras de rua, os filhos devem ser orientados e, de preferência, acompanhados por um adulto. Isso porque o índice de atropelamentos engrossam a fileira dos acidentes causados por traumas. As quedas de trocador, cama, sofá e bicicleta também podem ser perigosas, mas nada supera a insegurança das janelas, que precisam ser protegidas por telas.

Quanto às queimaduras, a melhor maneira de evitá-las

é mantendo as crianças longe das panelas do fogão, do café que está sendo coado, do forno quente, ferro elétrico, velas e produtos químicos passíveis de causá-las. Aliás, produtos de limpeza, venenos e remédios jamais devem ser deixados ao alcance das crianças, para afastar o risco de intoxicações.

Peças pequenas, objetos cortantes, pontiagudos e aqueles passíveis de causar asfixia mecânica - como almofadas, travesseiros, lençóis, sacos plástico, armários fechados, cobertores pesados - devem permanecer em locais inacessíveis ou supervisionados por adultos.

Estes, ao dispensarem atenção aos "maiorzinhos", não devem esquecer de observar, por exemplo, o sono do bebê, que pode afogar-se com leite regurgitado. Embora haja controvérsia sobre manter o bebê de bruços, Felinto explicou que o índice da temida morte súbita

é menor que por asfixia mecânica. Por isso, esta ainda seria a posição ideal.

Dentre os acidentes considerados "bizarros" pelo pediatra, está a prisão do pênis pelos zíperes das calças e shorts, comuns entre os "apressadinhos" que querem voltar logo para a brincadeira. Neste caso, a melhor opção é cortar o zíper na parte de baixo, quando ele se abre e solta.

"Os adultos não estão acostumados com criança em casa, mas cometem o erro de achar que apenas a rotina delas muda. Na verdade, a dos pais também, porque um adulto tem de estar sempre os acompanhando. Quanto menos coisas a criança tiver para fazer, mais ela vai querer inventar", alertou o chefe da Unidade Médica do PAI.

Como proceder em caso de acidentes?

* fraturas - o membro atingido deve ser imobilizado com uma tala e uma faixa, sem que sua posição seja modificada

(não adianta tentar esticar, por exemplo). Essa atitude diminui a dor, que intensifica com a movimentação.

* queimaduras - apenas água fria e analgésico. Pode-se cobrir o local com pano (limpo) molhado, para hidratar, desde que ele não seque e acabe grudando no ferimento. Pó de café, creme dental, açúcar e quaisquer outros artifícios estão proibidos, por serem passíveis de provocar infecções graves e sofrimento maior na hora da limpeza.

* afogamentos - o corpo deve ser mantido de bruços, tentando-se expelir a água. Em seguida, é necessária a respiração boca-a-boca, mantendo-se o rosto virado de lado. Mas atenção: só pessoas habilitadas podem efetuar os primeiros-socorros, caso contrário, a

água pode ser enviada para os pulmões, surtindo um efeito indesejável.

* em algumas situações, como fraturas e queimaduras, não existe a necessidade de "sair correndo". O mesmo não ocorre com as asfixias, por exemplo, que exigem atendimento imediato.

* jamais deixe transparecer desespero, que é captado pela criança, dificultando o atendimento.

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