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Adriana Rota
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Indefinida a posse do coronel Carchedi

Texto: Adriana Rota

A posse do coronel Luís Roberto Carchedi no Comando de Policiamento Interior (CPI-4) permanece indefinida em razão das declarações feitas à imprensa sobre uma possível represália do comando geral da corporação, que o teria transferido para Bauru devido à sua simpatia pela emancipação do Corpo de Bombeiros. Carchedi tem até o dia 15 de janeiro para se apresentar, mas pode ter prisão decretada antes disso.

O coronel foi transferido do posto de comandante-geral do Corpo de Bombeiros do Estado de São Paulo para atuar ao lado do coronel Cid Monteiro de Barros no CPI - 4 (antigo Comando de Policiamento de Área - Interior, CPAI/9), através de decreto estadual publicado no Diário Oficial do último dia 31.

O secretário de Segurança Pública, Marco Vinício Petrelluzzi, garantiu à imprensa que a transferência não tem nada a ver com o fato de Carchedi ser favorável

à independência do Corpo de Bombeiros em relação ao comando da PM.

O mesmo se aplicaria ao subcomandante-geral, coronel Hipólito Pinto - que foi para Ribeirão Preto - e ao comandante da Capital, coronel Orlando Rodrigues Camargo - remanejado para Guarulhos.

Para Carchedi a função do bombeiro é diferente daquela dos que atuam como policiais militares, e São Paulo deveria tomar a iniciativa de desvinculação como outros 17 Estados brasileiros já fizeram.

A punição do coronel, anunciada por Petrelluzzi, também não teria relação com essa discordância, mas com o desrespeito às normas do regulamento corporativo que prevê respeito à hierarquia.

Na sua opinião, o trabalho desenvolvido tem sido eficiente do modo como está e, fez questão de frisar, os bombeiros são, antes de tudo, policiais militares como os demais, embora atuem numa outra frente de trabalho.

Petrelluzzi foi contatado por telefone no meio da tarde de ontem para fornecer detalhes sobre o assunto mas, segundo sua assessoria, não estava Secretaria de Justiça e deveria seguir direto para casa. Carchedi também não foi encontrado. Sua esposa afirmou que ele estava ausente e que o recado seria dado. Ele não retornou a ligação.

Comando de Bauru

O comandante do CPI - 4 disse ter ficado surpreso com a atitude de Carchedi, classificado como uma pessoa "muito inteligente e capacitada", que estaria sendo até humilde ao afirmar que a missão do bombeiro difere da do militar. Embora as declarações não tenham "caído bem", segundo disse, se vier para cá, certamente, ele exercerá bem sua função.

"Acho que se ele realmente quisesse vir, ele viria. Parece que o coronel só fez isso para não vir, mas prefiro não fazer juízo de valor a esse respeito", afirmou. O coronel Cid não esconde, entretanto, que a situação resultou num grande mal-estar.

O nome do outro "candidato" ao cargo, que assumirá no caso de prisão ou outra alteração, é desconhecido por Cid. "Isso fica a cargo do Comando Geral e da Secretaria de Segurança", disse.

Quanto à separação entre bombeiros e o comando da PM, o coronel acredita que seja necessária uma análise profunda sobre o assunto. Hoje, segundo ele, o Estado tem um convênio com as prefeituras, que arcam com parte dos gastos dos bombeiros.

"Será que os municípios teriam condições de bancar? Temos notícias de Estados em que a desvinculação não deu certo. E mais: hoje, o trabalho dos bombeiros é excelente. Outro detalhe é que, amanhã ou depois, se eles estiverem descontentes, podem fazer greve, por exemplo, coisa que hoje é proibida", afirmou.

Controvérsia antiga

De acordo com o comandante interino do 12.º Grupamento de Bombeiro (GB, antigo Grupamento de Incêndio - GI), capitão Jovelino Barbosa Lima Filho, o Corpo de Bombeiros, ao longo de sua história (que começa no século 19), esteve ligado ora ao município, ora ao Estado. Em muitos países do Exterior, não é vinculado à força policial e, em outros, funciona como serviço voluntário.

As emancipações, no Brasil, começaram no início da década de 90. Questionado se ocorreram de modo natural ou traumático, afirmou: "O parto pode ser natural, mas precisar de um fórceps. As mudanças sempre causam algum rebu. Agora, se as coisas vão fluir bem ou não, isso é, no mínimo, uma polêmica. Se houver uma transição, que seja o menos dolorosa possível, visando o bem da comunidade".

Ele considerou difícil emitir uma opinião sobre a vantagem ou não da separação. "Foi uma iniciativa de um deputado que 'comprou a idéia', um ato político. O projeto será analisado pela Assembléia.

Às vezes, ele pode entrar de um jeito e perder a finalidade com o tempo. É como a gravidez: sempre existe dúvida se o bebê vem perfeito, se será homem ou mulher", comparou.

Com relação à punição, capitão Barbosa acredita que Carchedi conhece as normas e, ainda assim, chamou para si a responsabilidade de discutir o assunto. Existem punições específicas dos militares, que não são rígidas demais, na opinião do capitão.

"A gente não é 'vaquinha de presépio'. Existem maneiras de se expressar. Eu não sou proibido de falar, mas assumo a responsabilidade do que falo", finalizou.

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