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Autonomia dos Bombeiros

Fábio Grellet
| Tempo de leitura: 3 min

Covas admite discutir autonomia dos bombeiros

Texto: Fábio Grellet

O governador Mário Covas, em visita à região de Bauru ontem, admitiu a possibilidade de estudar a separação do Corpo de Bombeiros da Polícia Militar. A autonomia dos Bombeiros, prevista no projeto de lei do deputado Vaz de Lima, tem gerado polêmica. O coronel Luís Roberto Carchedi, ex-comandante do Corpo de Bombeiros da Capital, por exemplo, afirma que foi transferido para a Polícia Militar de Bauru em represália por apoiar o projeto.

Apesar de Carchedi ter declarado que a população irá perder com a sua transferência para a Polícia Militar, pois há muitos anos não pega em armas, Covas não pensa em rever a nomeação do coronel para dividir o Comando de Policiamento do Interior-4 (CPI-4) com o coronel Cid Monteiro de Barros. O governador deixou claro que Carchedi terá que obedecer as decisões do comando da Polícia Militar.

Covas também afirmou que a transferência de Carchedi para Bauru não foi represália por ele ser favorável

à autonomia dos Bombeiros. As opiniões sobre a separação dos Bombeiros da PM são bastante diversas. O coronel Cid, por exemplo, acha que é preciso uma análise profunda sobre o assunto. Ele lembra que, atualmente, o Estado tem um convênio com as prefeituras, que arcam com parte dos gastos dos bombeiros. A questão é se as prefeituras terão condições de arcar com o Corpo de Bombeiros.

O comandante interino do 12.º Grupamento de Bombeiro, de Bauru, capitão Jovelino Barbosa Lima Filho, em entrevista anteontem ao JC, não quis emitir opinião sobre a separação dos Bombeiros da PM. Mas ele lembrou que o Corpo de Bombeiros, ao longo de sua história, esteve ligado ora ao Município, ora ao Estado e que em muitos países do Exterior não é vinculado à força policial.

Em dezessete Estados brasileiros o Corpo de Bombeiro é desvinculado da Polícia Militar. Leia a seguir os comentários de Covas a respeito da transferência de Carchedi e do projeto, apresentado pelo deputado Vaz de Lima, que pretende dar autonomia ao Corpo de Bombeiros.

Jornal da Cidade - O que pensa sobre a posição do coronel Carchedi, ex-comandante do Corpo de Bombeiros em São Paulo, que considerou sua transferência para Bauru como uma punição pelo fato dele defender a autonomia do Corpo de Bombeiros, em relação à Polícia Militar?

Covas - Isso é uma coisa resolvida na própria hierarquia da Polícia Militar, ela é que decide para onde vai cada comando, cada pessoa. Aliás, hoje li em jornais e liguei até para São Paulo, para saber, que tinham sido transferidos mais três oficiais. Esses são os oficiais subalternos de quem comanda. Quem foi comandar lá no lugar escolheu seus oficiais subalternos, portanto, os outros que estavam lá saíram. A transferência de Carchedi aconteceu porque o comandante achou que devia ir, assim como um secretário acha que deve mudar esse ou aquele.

É assunto local, normalmente eu não me envolvo.

Jornal da Cidade - O senhor acha que a transferência não foi uma punição?

Covas - Nem tem razão para ele ser punido. Punido pela razão que ele afirma não, por ele ser favorável

à separação administrativa do Corpo de Bombeiros não.

Jornal da Cidade - O que o senhor pensa sobre o projeto, apresentado pelo deputado Vaz de Lima, de separar a Polícia Militar e o Corpo de Bombeiros?

Covas - Acho que, colocada para discussão, é uma coisa razoável. Depende da maneira como seja feita. Se for para criar outra estrutura de mesma dimensão, não interessa, porque hoje você tem uma estrutura administrativa que serve as duas áreas. Não há nenhum interesse em criar duas estruturas, multiplicar o pessoal para fazer serviço burocrático. Embora o comandante da polícia discorde, eu acho estudável, como outro problema qualquer.

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