Ladrões sequestram para roubar BB
Grupo invade casa de gerente e pernoita no local; roubo só não foi consumado porque PM desconfiou e frustrou ladrões
Por cerca dez horas, familiares do gerente do Banco do Brasil, agência de São Manuel, Antonio Masson, viveram momentos de horror, a maior parte do tempo dentro da própria casa que foi invadida por ladrões que tinham como objetivo, roubar uma quantia razoável de dinheiro, do banco. Para isso, a quadrilha invadiu a casa do gerente no começo da noite de anteontem e rendeu toda a família. O plano dos ladrões só não deu certo porque, ontem de manhã, a Polícia Militar chegou à casa, desconfiou que algo pudesse estar errado e resolveu tocar a campainha.
Segundo o comandante interino da PM em São Manuel, tenente Luiz Carlos Wagner, o gerente e sua família foram seqüestrados por um grupo de sete homens e uma mulher. A intenção dos assaltantes era manter as vítimas como reféns até o amanhecer do dia, quando poderiam ter acesso ao cofre do banco onde, segundo informações extraoficiais, havia cerca de R$ 300 mil.
O grupo de assaltantes chegou à casa do gerente, na rua dos Andradas, por volta das 19 horas da quinta-feira. Dominou toda a família e a levou para um canavial próximo
à cidade. No local a mulher do gerente, seus dois filhos e dois sobrinhos, foram trancados na carroceria de uma caminhonete Fiorino. O gerente foi levado de volta para casa, por quatro dos assaltantes, que o mantiveram incomunicável à espera da hora de abertura do segredo do cofre.
Mas o plano dos marginais começou a dar errado quando, já amanhecendo o dia, um morador das proximidades viu um carro (Gol) estacionado em local proibido, em frente a casa do gerente e resolveu chamar a polícia. O Gol também chamava a atenção por estar muito sujo de lama. No local, os soldados Carlos Roberto Benedito e Paulo Henrique Pareja, constataram a irregularidades bem como outros indícios de que algo de errado pudesse estar ocorrendo no local, como portão entreaberto e pegadas de lama que adentravam à residência. Até então, os policiais não sabiam que ali morava um gerente de banco.
Além do Gol, os PMs constataram também um Vectra com placas de São Paulo parados em área proibida. Resolveram, então, bater na porta para verificar se havia algo de errado. Antonio Masson os atendeu, dizendo nervosamente que não havia nada, mas os soldados insistiram para que ele saísse. Fora da casa ele gritou que havia sido seqüestrado e sua família estava com parte do grupo. Enquanto isso, os ladrões fugiam a pé pelos fundos da casa. Iniciou-se então a caça aos marginais. A polícia apurou que pelo menos três deles obrigaram um ônibus de transporte de trabalhadores foi interceptado pelos marginais e obrigado a levá-los até uma rodovia. Na sequência, os ladrões teriam deixado o ônibus e abordado um Logus que passava pelo local. Após isso, não há mais informações.
Libertação
Por volta das 9 horas da manhã, a mulher de Antonio ligou de São Paulo, informando que toda a família havia sido libertada no Jabaquara, em São Paulo e que ninguém estava ferido. Além de dois automóveis, a polícia apreendeu uma pistola automática e cupons dos pedádios da rodovia Castelo Branco. Até até a tarde de ontem não haviam queixas de furto sobre os dois veículos.
Outras roubos
Essa é a segunda vez que seqüestram o gerente do Banco do Brasil de São Manuel. Há dez anos a polícia matou um ladrão e prendeu outros dois que mantinham o gerente e sua família presos em casa.
Em setembro do ano passado, duas ocorrências semelhantes
à de ontem já haviam sido registradas, uma em Brotas e uma em Itapuí. Só que nessas duas cidades os ladrões conseguiram levar o dinheiro. Os números não são oficiais, mas informações extraoficiais davam conta de que em Brotas, os ladrões levaram cerca de R$ 40 mil do Banco do Brasil e em Itapuí, cerca de R$ 70 mil do Banespa.