TV bombardeia mente de crianças
Os devaneios de consumo que a televisão, insistentemente, veicula, pode interferir na personalidade das crianças e criar problemas para as famílias que não têm condições econômicas de comprar os produtos de moda. Segundo a psicóloga e psicoterapeuta Regina Célia Paganini Lourenço Furigo, a TV cria uma necessidade nos hábitos da pessoa, desestabilizando a dinâmica familiar.
Hoje, tudo gira em torno de modismos passageiros, criando uma atmosfera do descartável, ou seja, não existe uma continuidade. Fadadas a durar pouco, a febre consumista contamina as crianças e se repete a cada novo costume.
A grande estrela, hoje, entre a garotada, é o Pokémon. São 150 diferentes espécies de monstrinhos que contaminaram não só a televisão, mas também as bancas de jornais, revistas, gibis, álbuns e figurinhas. Nas lojas de brinquedos eles aparecem de todas as formas: relógios, bichinhos de pelúcia, chaveiros, bonés, quebra-cabeças, jogos eletrônicos e movimentam bilhões em todo o mundo.
Mas, antes do Pokémon, existiram outras manias, como por exemplo, o bichinho virtual Tamagotchi, que era tratado como um ser vivo pelas crianças. Algumas choravam quando o bichinho morria.
Para a pedagoga Ana Maria Cremonesi, a televisão, em modo geral, tem uma influência negativa no desenvolvimento da criança. Ela acredita que a melhor saída é o trabalho em parceria da escola com os pais. "Nas escolas e em casa, as crianças devem conhecer outros tipos de valores como uma boa música, por exemplo", explicou.
Existem pais que fazem questão de colocar os filhos no mundo da moda. Segundo Regina, o ideal não é tirar a criança do mundo real, mas mostrar os limites para que, no futuro, a falta do poder aquisitivo não cause uma frustração.
"Algumas famílias não possuem condições financeiras para sustentar esse modismo e isso tem que estar claro na cabeça das crianças", explicou.
Regina explicou que as crianças são prejudicadas porque vêem tudo como algo superficial e, no futuro, podem aplicar esses conceitos na própria vida. "Hoje, elas descartam os brinquedos, que são o que elas têm de mais importante, amanhã, elas podem descartar pessoas e valores e isso é muito ruim", disse.
Outro fator preocupante, segundo as profissionais, e que também
é bastante exibido pela televisão, é a sensualidade mostrada por dançarinas que usam seus corpos como forma de expressão. As crianças, muitas vezes incentivadas também pelos pais, se vestem da mesma maneira e imitam cada movimento visto na tela.
A psicóloga Regina disse que esse comportamento não condiz com o desenvolvimento psicológico da criança.
"A criança apenas imita os gestos, mas o adulto tem um outro padrão de julgamento", disse. Ela acredita que isso pode ter interferido no aumento da perversão sexual que acontece hoje no Brasil.
Com o bombardeio de informações que a televisão embute na vida das crianças, a criatividade perde lugar para aquilo que já está pronto. O vício acontece pelo excesso de exposição. O marketing é grande e mostra uma força sem precedentes.
Regina acredita que as crianças da geração anos 90, não têm a estimulação para criar e ingerem com mais facilidade os conceitos transmitidos através da tela da televisão. "Em apenas 30 segundos elas adquirem muita informação, mas com falta de qualidade", disse.
Pais devem interferir na formação dos filhos
Ana Maria acredita que os pais têm que acompanhar os filhos, assistindo os desenhos, filmes e novelas. Segundo ela, depois de conhecer o programa eles podem selecionar o que é bom e o que é ruim, de acordo com os valores de cada família.
"Eu, por exemplo, fui com meus filhos assistir o filme da Xuxa e eles já sabiam que depois do filme haveria uma conversa. Tem que haver um espírito crítico", contou.
O ideal, segundo a psicóloga Regina é de que os pais devem cultivar outros valores dentro de casa como a música, a leitura e a arte, fazendo com que a criança tenha outros tipos de cultura. "Se a criança forma a personalidade somente com o que ela vê na TV, ela vai crescer com valores que não vão de acordo com nossa sociedade. Tem que dar mais do que isso. Educar é participar", disse.
As regras das aventuras de Pokémon
Existem 150 espécies de monstrinhos documentadas. São 15 os principais elementos que os qualificam, como fogo, água, veneno, rocha e dragão. Para capturar um Pokémon selvagem, o treinador deve atirar a Pokébola. Nessa luta, conta com a Pokéagenda, que traz informações sobre cada tipo de monstrinho. Ao final da batalha, ninguém morre. Os derrotados são capturados e reanimados, voltando para a vida com os mesmos poderes de antes.
Informações adquiridas na internet, através do site: http://www.pokemon.com