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Oftalmologia

Erika de Lima
| Tempo de leitura: 5 min

Cirurgias são feitas com laser e ultrassom

Texto: Erika de Lima

Aplicar anestesias com agulhas ou abrir em muitos milímetros um olho para se fazer uma cirurgia são procedimentos não mais utilizados com tanta freqüência na área oftálmica. Atualmente, a tecnologia permite que novos recursos sejam usados e com sucesso pelos cirurgiões oftálmicos.

O laser usado nos erros refrativos do olho (como miopia, astigmatismo e hipermetropia) e a anestesia local feita através de colírio são métodos advindos com a nova tecnologia. Embora sejam tecnologias de ponta na área oftálmica, não são todos pacientes que podem usá-la. O cirurgião oftálmico Riandro Soegeng Reksodihardjo afirma que é necessário verificar cada caso para aplicar a nova técnica. E enfatiza: "É necessário saber em qual paciente podemos usar a anestesia tópica, para que não ocorram problemas durante a cirurgia".

A modernização das máquinas e dos aparelhos de cirurgia oftálmica trouxe inúmeras vantagens tanto para o cirurgião quanto para o paciente. O cirurgião oftálmico Luiz Utyama, vê os novos recursos como evoluções importantes na área de Oftalmologia. E afirma: "Essas novas técnicas são avanços que serviram para reduzir o tempo de cirurgia e para uma rápida recuperação do paciente".

Especificamente, a cirurgia de catarata há mais de dez anos era realizada com aplicação de anestesia geral, depois passou a ser só local. Para se realizar a cirurgia

é necessário retirar o cristalino, que fica atrás da pupila e é destinado a focalizar as luzes que incidem na retina, colocando-se após uma lente de silicone em substituição ao cristalino.

A lente, usada anteriormente, era de acrílico rígido e, por isso, o corte cirúrgico tinha que ser de até 15 milímetros. Atualmente, a anestesia é feita através de um colírio, possibilitando diminuir a incisão, que passou a ser de três milímetros. Mais um fator que permite a incisão pequena no olho são as lentes dobráveis, colocadas no lugar do cristalino, quando, então, tomam o formato original. Essa cirurgia hoje, tem duração de seis a dez minutos, sendo que antigamente demorava-se mais de uma hora para realizá-la, por causa da anestesia geral.

"Com o uso das lentes dobráveis diminui-se o risco de infecção", explica Reksodihardjo.

O facoemulsificador juntamente com o ultrassom são outras das inovações na área oftálmica, que surgiu para facilitar a cirurgia de catarata. Através desse aparelho o cristalino é aspirado e, não se corre o risco de remover outras partes do globo ocular. A palavra faco quer dizer cristalino e emulsificador, aparelho de diluição. Em sua ponta há um cristal que vibra numa freqüência muito alta, que emulsifica o cristalino. "É muito importante termos bons equipamentos, porque depende mais dos recursos do que do oftalmologista para o resultado ao final da operação ser satisfatório", argumenta Utyama.

Mas, nem toda tecnologia é 100% eficiente. Os pacientes que optam por essa inovação podem correr alguns riscos durante a cirurgia, ressalta Reksodihardjo. Mas vale lembrar que a cirurgia de catarata quando era realizada sem a tecnologia de ponta (usada hoje) podia resultar em astigmatismo (defeito na curvatura do cristalino ou da córnea que impede a focalização correta das imagens) no paciente.

Tecnologia: cirurgia a laser

A cirurgia a laser, outra inovação na área oftálmica, chegou para corrigir os desvios ópticos. De acordo com Utyama, anteriormente a cirurgia era feita através de incisões sobre a córnea. "Hoje, com o novo recurso, Eximerlaser, por exemplo, podemos modificar a curvatura da superfície da córnea, alterando o poder de refração do olho, mas sem cortes", completa.

Existem 15 tipos de cirurgias a laser. Algumas são realizadas com equipamentos mais eficientes que outros. Umas possuem mecanismos como o eightracker, um tipo de sistema que o microscópio segue o olho para onde ele for. Caso o olho que está recebendo o laser desvie mais do que quatro milímetros da posição em que estava, o aparelho é desligado automaticamente. Esse mecanismo evita futuros problemas, como maiores incorreções.

A quantidade de laser aplicada no olho é referente ao grau e ao tipo de refração (desvio que o paciente tem): miopia, astigmatismo ou hipermetropia. A duração da cirurgia varia de 40 a 60 segundos.

Um item importante sobre essa nova tecnologia e que os oftalmologistas estão atentos é a qualidade da aparelhagem. "É necessário ter bons equipamentos e que deêm segurança ao paciente, para não ocorrer possíveis irregularidades como desvios oculares maiores do que antes ou mesmo infecções", acrescenta o cirurgião oftálmico Raul Gonçalves Paula.

A hipermetropia, uma irregularidade visual caracterizada pela formação do foco atrás da retina, devido a nova tecnologia também pode ser sanada com o laser. Quem tem até seis graus de hipermetropia pode ser submetido

à cirurgia a laser. Gonçalves Paula esclarece que a hipermetropia ainda não tem um bom resultado cirúrgico, mesmo com o laser. E frisa: "Os melhores resultados são para aqueles que têm até quatro graus de hipermetropia. Quem tem mais de quatro graus corre o risco de não ter seu problema sanado".

A cirurgia a laser pode ser realizada em pessoas que tenham mais de 18 anos e até 13 graus de miopia, quatro de hipermetropia ou três a quatro de astigmatismo. Sua reaplicação pode trazer riscos e não se obter um resultado 100%. Atualmente uma cirurgia a laser para miopia varia de R$ 600,00 a R$ 1.200,00 por olho.

Com as inovações tecnológicas, até mesmo quem usa óculos com grau muito alto, também conhecido por "fundo de garrafa", pode optar pelas Lentes de Contato Implantáveis (ICL) que possuem mais de 22 graus.

"É muito relevante que o paciente passe por um exame minucioso antes de fazer a cirurgia a laser", completa Utyama.

Mas, a modernização dos equipamentos ainda não chegou para todos os casos, por exemplo, como no da presbiopia, conhecida popularmente como "vista cansada". Ainda estão sendo realizados estudos para que a visão de quem tem mais de 40 anos, seja corrigida e volte a enxergar de perto.

Entretanto, as cirurgias podem acabar não tendo um resultado totalmente satisfatório. "O paciente deve estar ciente que toda cirurgia é passível de riscos", alerta Gonçalves Paula.

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