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Polícia feminina

Redação
| Tempo de leitura: 3 min

Seeeentido!

Já vai longe o tempo em que ser policial militar era coisa de homem. Hoje, sem qualquer tipo de privilégio, a profissão também é exercida por mulheres, que garantem que é perfeitamente possível dividir o batom - principal "arma" da mulher - com o revólver

- principal objeto de trabalho da policial. Em Bauru, o trabalho de Policial Militar Feminino é exercido por 101 mulheres. E mais: desde o dia 15 de dezembro de 1999, a função de capitão-feminino PM passou a ser ocupada na cidade por Daniela Michelão Penasso, 28 anos. Daniela vai entrar para a história como a primeira capitão-feminino da cidade.

Jornal da Cidade - De onde veio o desejo de se tornar policial militar?

Capitão-feminino Daniela - Meu pai, Orlando Sebastião Penasso, é militar. É tenente aposentado. Eu vivi no quartel. Eu me lembro que meu pai trabalhava no Corpo de Bombeiros, numa jornada 24 por 48 horas. Quando minha mãe ia visitá-lo,

à noite, eu ficava brincando no caminhão dos Bombeiros. Em 89, terminando o colegial, prestando vários vestibulares, meu pai me perguntou se eu não gostaria de prestar a academia.

JC - Na verdade, a idéia foi do seu pai, então?

Capitão Daniela - É. Eu nunca inha pensado na possibilidade. Eu pensava em fazer Veterinária, Agronomia. Mas quando meu pai falou eu me interessei. Prestei o vestibular para a academia e fui passando.

JC - Dá para dizer que você teve sorte, porque, geralmente, os pais levam um susto quando as filhas dizem que querem ingressar na carreira militar.

Capitão Daniela - Muitos não aceitam, não gostam. Eu desconheço que alguma policial, aqui em Bauru, tenha tido algum problema. Mas na minha turma, na academia, tinha uma capitão que a família não concordava. Achavam que era perigoso, que estava se expondo a riscos.

JC - E é perigoso?

Capitão Daniela - O policial feminino trabalha da mesma maneira e corre os mesmos riscos que o policial masculino. Não há privilégios. É lógico que quando há uma ocorrência de vulto, outras viaturas vão apoiar, independente de masculino ou feminino. O risco para a mulher existe, como existe para os homens também ou para qualquer pessoa, dentro da profissão que escolheu.

JC - Você pensou em desistir da carreira?

Capitão Daniela - Algumas vezes pensei em desistir por causa da distância da família. O curso demora quatro anos, é feito em São Paulo. O mais difícil são as aulas de jornada, quando a gente fica uma semana no mato para treinar sobrevivência, etc. Mas já não penso mais. Minha intenção é seguir em frente com a carreira militar.

JC - Você já sofreu algum tipo de constrangimento, em serviço, por ser mulher?

Capitão Daniela - Já, em Bauru. Estava num bloqueio de trânsito e um veículo foi parado. O homem que estava dirigindo casou problemas. Ele não queria entregar os documentos do carro por eu mulher. Ao final, ele foi conduzido ao Distrito Policial por desacato e responde a processo.

JC - Você é casada?

Capitão Daniela - Noiva.

JC - Já enfrentou problemas de relacionamento com seu noivo por causa da profissão que escolheu?

Capitão Daniela - Não. Ele atua na mesma

área que eu, é delegado, o que acaba facilitando o entendimento da profissão.

JC - Como é que você encara o fato de ser a primeira capitão-feminino PM de Bauru.

Capitão Daniela - É uma responsabilidade e tanto. Até então não tinha vaga. Essa companhia tem um ano e meio, o que abriu a possibilidade do cargo em Bauru. A responsabilidade aumenta. Tem que gerenciar a parte administrativa e a parte operacional. São 101 mulheres sob meu comando. Mas Bauru, em termos de policiamento, é uma cidade excelente. E mesmo o índice de criminalidade, em comparação com cidades do mesmo porte, não é tão assustador.

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