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Erosão

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 5 min

Jardim Jussara enfrenta problemas com erosão

Texto: Patrícia Zamboni

Sem ter sido construído com as devidas obras de infra-estrutura, que incluem galerias de águas pluviais, o bairro Jardim Jussara está ultrapassando momentos críticos. A Redação do JC foi procurada, ontem, por Roberto Carlos Ferreira Soares, que está desesperado com uma erosão gigantesca - segundo ele, com cerca de 40 metros de largura - que vem aumentando a cada chuva, há vários anos, e está, segundo ele, há 35 metros da casa que está construindo na quadra 11 da rua Antonio Requena Levado. De acordo com Soares, os problemas constantes com buracos naquela região vêm se agravando há pelo menos quatro anos, e agora já chegam a impedir que alguns moradores tirem o carro da garagem devido aos buracos que são formados em frente

às casas. "Quando o Residencial Pernambuco começou a ser construído, há mais ou menos dois anos, o problema foi ficando pior. Muita terra e entulhos desciam para o Jardim Jussara com a água das chuvas e a rua Alfredo Maia chegou a entupir. Agora, estou investindo tudo o que eu tenho nessa casa que estou construindo e estou ameaçado de perder tudo com essa erosão enorme. Se tiver mais algumas chuvas fortes, tenho medo de que a erosão, que já está a 35 metros da minha construção, acabe engolindo a casa. E não vai ser só a minha. Outras casas também correm o risco de serem engolidas por essa erosão. O tamanho dela é inacreditável", diz Roberto Carlos Soares.

Seguundo ele, durante anos a Prefeitura tem agido de forma paleativa, jogando terra para tentar evitar que os buracos aumentem. Mas o problema não foi resolvido de fato, e a situação vai ficando pior porque, segundo Roberto Carlos, muitas pessoas estão jogando entulho nessa erosão. "As águas das chuvas passam do lado da casa que eu estou construindo, e isso está fazendo a erosão aumentar muito rápido. Daqui a pouco vai engolir um poste da CPFL, e já engoliu a frente de vários terrenos. Estou reclamando na Secretaria de Obras faz tempo, desde que o Leandro ainda era o secretário. Nada foi feito até agora e os moradores daqui estão esquecidos", afirma Soares.

Segundo ele, toda a rua Antonio Requena Levado está tomada por buracos devido ao fato do bairro não possuir galerias de águas pluviais. Também por estar localizado numa região baixa da cidade, o Jardim Jussara sofre com as conseqüências das chuvas porque a água corre de diversos outros bairros próximos para lá. "Além dessa erosão enorme, do outro lado tem outro buraco, causado pela ação das chuvas. Se não forem tomadas providências urgentes, os dois buracos vão acabar se encontrando e a minha construção será a primeira a ser engolida", reclama Roberto Carlos Soares. Ele reclama da lentidão da Prefeitura em sanar problemas sérios como o do Jardim Jussara. Como cidadão, para ele a periferia de Bauru está "sofrendo demais".

"A periferia está sendo muito prejudicada. A Prefeitura não está dando a atenção devida a esse bairro, por isso a situação está piorando. Eu faço tudo dentro da lei, pago meus impostos corretamente e é obrigação da Prefeitura garantir obras de infra-estrutura para os bairros da cidade. Não estou pedindo nada demais, nada que a Prefeitura não possa e não deva fazer", finaliza Roberto Carlos Ferreira Soares.

Obras

De acordo com o secretário de Obras da Prefeitura Municipal de Bauru, Edmilson Queiróz Dias, é notório que a situação do Jardim Jussara é extremamente delicada porque as ruas do bairro foram pavimentadas sem ter galerias de águas pluviais. O problema maior que a Secretaria de Obras enfrenta, segundo ele, é a falta de verbas para colocar em prática alguns projetos. "Nos últimos 30 dias nosso pessoal está passando lá constantemente, acompanhando tudo e avaliando se a erosão está aumentando ou não. Ela está estabilizada, mas nós entendemos que os moradores estejam preocupados com a situação. O que eu posso dizer por enqüanto é que não será feito nunhum paleativo, porque isso não vai resolver o problema. Nós vamos executar obras para o combate da erosão, inclusive fazendo uma travessia entre o Jardim Jussara e a Quinta Ranieri. Isso está nos planos de urgência da Secretaria. É nossa prioridade. Paleativo nós estamos fazendo constantemente, agora vamos agir diretamente no combate da erosão, estancando a terra que desce para o Jardim Jussara. Também está no orçamento desse ano o projeto de execução de galerias para esse bairro. O projeto já foi apresentado ao prefeito", afirma Queiróz.

Segundo o secretário, a Secretaria tem a intenção de executar o máximo de obras possíveis com mão-de-obra própria da Prefeitura, pois isso significa uma grande economia, e com uma menor quantidade de dinheiro é possível fazer um maior volume de obras. Queiróz afirma que uma parte do material que será utilizado nas obras do Jardim Jussara já foi comprada. O início dessas obras está previsto para, no máximo, começo de abril. "Nós começamos esse mês a construir a galeria da Vila Industrial, onde a água destruiu a Elias Miguel Maluf, e se a galeria não for construída o serviço que foi feito lá será perdido. Isso não é justo porque significa jogar dinheiro público fora. Na Vila Ipiranga também está sendo construída galeria. Para as obras do Jardim Jussara só falta terminar de comprar o material e alugar uma máquina específica para esse trabalho, que é uma retro-escavadeira capaz de erguer o tudo de dez mil quilos que será colocado lá. Precisamos desse equipamento", diz o secretário. Segundo ele, a falta de equipamentos é outro problema que atrapalha o andamento das obras previstas. "Há anos a Prefeitura não investe na compra de máquinas nem na manutenção das que possui. Por isso, quando precisamos fazer vários trabalhos ao mesmo tempo o maquinário existente não dá conta de tudo", aponta Edmilson Queiróz Dias.

O secretário de Obras faz questão de frisar que a periferia não está esquecida pela Prefeitura. Segundo Queiróz, as obras vão sendo feitas na medida do possível, enfrentando o problema da falta de verbas da atual administração municipal. "Não

é descaso, de forma nenhuma. O prefeito Nilson Costa pegou a Prefeitura quebrada e precisou administrar vários problemas ao mesmo tempo, como a falta de pagamento dos funcionários. Por isso as pessoas acham que tudo é lento na Prefeitura. As obras do Jardim Jussara são nossa prioridade. Vamos conseguir resolver os problemas de lá em breve. Precisamos apenas da compreensão e de mais um pouquinho de paciência da população", afirma o secretário.

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