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Aliança política

Josefa Cunha
| Tempo de leitura: 3 min

PMDB ensaia "frente" com PSDB, PFL e PTB

Texto: Josefa Cunha

Confirmando especulações levantadas nos últimos dias, o PMDB revelou estar mesmo disposto a compor um grupo com PSDB, PFL e PTB para fazer frente à possível dobradinha PDT (Pedro Tobias)/PSB (Tuga Angerami) e ao núcleo que apoiará a reeleição do prefeito Nilson Costa

(PPS). A união, assim como todas as outras articulações com vistas nas eleições de outubro, ainda está em estágio de ensaio, mas as chances de consolidação parecem reais.

Tucanos, petebistas e pefelistas já vinham conversando desde o final do ano passado e, num prévio acordo em prol da unidade, decidiram suspender temporariamente as pretensões individuais de seus partidos. Todos os três têm pré-candidatos a prefeito lançados, mas a imposição de um ou outro nome acabaria minando a virtual aliança.

O PMDB, por sua vez, também tinha planos de conversar individualmente com PTB, PSDB e PFL. Os encontros estavam agendados para o final de dezembro, mas as festas adiaram os encontros. Passada a virada, os projetos foram retomados numa reunião com o PTB. "Apesar de nada preferencial, iniciar o diálogo com o PTB foi importante porque eles já haviam estado com o PSDB e PFL. Na ocasião, o Lelo (José Walter Lelo Rodrigues, presidente do PTB) nos disse que eles estavam conversando em torno de propostas, não de candidatos. Achamos a idéia válida e mostramos interesse em participar das conversações", declarou Fernando Monti, presidente municipal do PMDB.

Publicamente, as quatro forças em questão alegam que a unidade gira em torno de visões comuns sobre os problemas locais. O ponto de convergência seria justamente a discussão de um programa de governo capaz de recolocar Bauru na rota do desenvolvimento. "Nosso município está praticamente riscado do mapa político. Nada chega até aqui; nem mesmo autoridades aparecem para uma visita. Queiram ou não, isso tem uma relação estreita com o desenvolvimento. Nesse sentido, parece que todos nós (os quatro partidos) temos o mesmo pensamento, a mesma visão das necessidades", considerou Monti. Vale destacar que as conversações todas passam somente pelas candidaturas majoritárias (prefeito e vice), já que as quatro legendas em questão possuem chapa mais do que completa para vereador.

Já numa avaliação política, PSDB, PMDB, PFL e PTB representam, juntos, uma força capaz de enfrentar em "pé de igualdade" os grupos adversários que já mostram a cara. Numa ponta, está Nilson Costa, que pode colher em votos os dividendos deste último ano de governo. A máquina administrativa, com chances de recuperação em virtude da rolagem das dívidas, está a seu favor.

Em outra ponta, está a quase acertada dobradinha entre PDT e PSB, tida por muitos como "imbatível". O nome do deputado Pedro Tobias, respaldado pela incontestável boa estrutura do PDT, representa uma novidade, enquanto o ex-deputado Tuga Angerami continua com baixos índices de rejeição. A candidatura de um ou outro, por isso, preocupa os adversários.

A virtual aliança do PSDB, PMDB, PFL e PTB fecharia o triângulo, tendo o espaço na mídia como o principal trunfo. Juntos, eles somariam mais de 40 minutos na propaganda eleitoral gratuita, um tempo "jumbo" suficiente para projetar

(ou arruinar) qualquer campanha. O grupo também poderia lançar mão da candidatura Caio Coube - vedete em todas as rodas políticas no ano passado -, mas o empresário continua alegando dificuldades operacionais e pessoais para assumir uma campanha.

Embora coerentes e possíveis, as composições do cenário político para o processo de sucessão municipal não passam de conjeturas. Nos bastidores, comenta-se que as definições começarão em fevereiro, ou melhor, tão logo PDT e PSB anunciem suas pretensões. Enquanto isso, conforme palavras de uma liderança política,

"cada partido mantém seu candidato para conveniência e consumo interno, dialoga humildemente com todo mundo para cumprir a boa vizinhança e espera para ver qual será a trajetória do chute".

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