Verão: Crianças pedem atenção redobrada
Texto: Erika de Lima
O verão chegou e, assim como em outras estações, os pais precisam tomar certos cuidados tanto com os recém-nascidos
(bebês de 0 a 29 dias) quanto com os lactentes (crianças de 29 dias a 2 anos). A diarréia e a brotoeja são as ocorrências mais comuns nos consultórios pediátricos nessa época do ano.
De acordo com a pediatra neonatologista Giselle Januzzi Zequi, a brotoeja, doença de pele, e a diarréia, do estômago e o intestino, são doenças do verão. "Nessa época, é comum aparecer essas doenças".
Nesse período quente, ela recomenda cuidados com o tipo de alimentação, ingestão de líquidos e higiene (leia mais na página 2).
A higiene é fundamental para que a criança cresça com saúde. Desde o nascimento
é preciso deixar higienizados materiais e roupas do bebê, em locais secos e ventilados. Giselle salienta que é importante usar sabonetes neutros e sempre após o banho utilizar soluções antissépticas para absorver o suor. "É necessário lavar sempre as mãos, antes de pegar o bebê, de preparar seus alimentos e ao levá-lo ao banho".
Os talcos não se enquadram mais no processo de limpeza. Estão sendo banidos da vida dos recém-nascidos porque, quando usados em demasia podem causar até pneumonia aspirativa. "Não recomendo talco porque existe um risco muito grande do recém-nascido aspirá-lo. Mas as mães podem utilizar soluções antissépticas e hidratantes que podem até ser elaborados em farmácias de manipulação", ressalva.
Mas é bom lembrar que as mães devem consultar o pediatra antes de optar por um ou outro produto.
Brotoeja
A lesão miliária, conhecida popularmente por brotoeja, é uma erupção causada pelo calor excessivo e que surge na pele do bebê. Normalmente, essa erupção cutânea aparece nas regiões em que o suor se acumula, como pescoço, tronco e região de dobras, por exemplo, na junção do braço e antebraço.
Quando os bebês estão com essa lesão ficam irritados porque há muita coceira. "Como não sabe se coçar, o bebê começa a chorar".
Mas esse incômodo pode ser evitado. Roupas leves de algodão ou linho, banhos freqüentes
(três vezes ao dia) e ambiente ventilado são itens que ajudam a evitar o problema. Giselle alerta que as mamães devem vestir seus bebês como elas se vestem. "A roupa dos bebês tem que ser coerente com a dos pais. Eles precisam pensar que eles (os pais) sentem calor, e os bebês, também".
No entanto, quando não dá para prevenir, os pediatras recomendam aos pais o uso de soluções como pasta d'água. A maisena também funciona para os casos de brotoejas e assaduras.
Diarréia
Fezes líquidas, esverdeadas e durante várias vezes ao dia pode ser um sinal de diarréia. Ocorre por intoxicação alimentar, podendo ser por verminose, viral ou bacteriana.
A diarréia provoca vários sintomas como vômitos e fezes líquidas (os mais freqüentes), que levam a criança à desidratação, por causa da grande perda de líquido. "A grande vilã do verão é a diarréia, principalmente, as virais e as bacterianas", afirma Giselle.
Nos Estados Unidos e na Europa essa doença ocorre, geralmente, no inverno, ao contrário do Brasil, que também registra a doença em outras épocas do ano, devido à falta de saneamento básico. "É importante ter condições mínimas de saneamento, higiene, água tratada e esgoto para a diarréia não se disseminar", acrescenta a pediatra.
Para que a doença não espalhe
é recomendado que mães não levem os filhos adoentados para as creches. Mas, muitas mães trabalham e não têm com quem deixar a criança e com isso acaba-se contaminando todas as demais. "Seria ideal que a criança permanecesse em casa e que a mãe recebesse uma licença-saúde para não trabalhar e cuidar de seu filho", salienta Giselle.
Amamentação
A amamentação tem grande importância para a prevenção de doenças. Um estudo realizado pela Universidade de Michigan e que foi divulgado pela Associação Americana de Nutrição, mostrou que a amamentação reduz em 20% o risco da criança contrair gripes e diarréias.
Devido a desidratação causada pela doença, é necessário rehidratar a criança. Além do leite materno, para os bebês com mais de seis meses, há outros remédios para hidratar a criança como o soro caseiro.
A pediatra avisa às mães para procurarem um médico caso o problema ocorrer. E frisa:
"Não é correto usar chá de goiaba ou outro qualquer, só porque uma vizinha indicou. O soro é o que salva a criança".
Um outro aviso importante dado às mamães é que mesmo com a criança doente, elas não parem de amamentar ou mesmo alimentar a criança que não mama mais. O leite materno possui anticorpos que irão combater às doenças do bebê.
Não há uma vacina 100% eficiente que combata esse tipo de doença e o que se indica é que a produção de anticorpos no organismo ainda
é um "santo" remédio.