Geral

Pequenas empresas

Paulo Toledo
| Tempo de leitura: 4 min

Micros e pequenas do Interior têm melhor desempenho

Texto: Paulo Toledo

O faturamento das micro e pequenas empresas do Interior do Estado de São Paulo foi melhor, nos 11 primeiros meses de 99, do que o alcançado pelas empresas do mesmo porte da Região Metropolitana. Pedro João Gonçalves, 34 anos, consultor de Economia do Sebrae em São Paulo, destaca que, em novembro, enquanto a área relativa à Capital teve um faturamento 18,5% abaixo do mesmo período do ano anterior, o Interior ficou apenas 0,7% abaixo, segundo a Pesquisa de Conjuntura das Micros e Pequenas Empresas (MPEs) do Estado de São Paulo (Pecompe), realizada em conjunto pelo Sebrae e a Fundação Seade.

Gonçalves diz que a hipótese dos técnicos Sebrae-Seade é de que as empresas do Interior representam melhor o quadro da economia brasileira.

O economista Wagner Ismanhoto, professor-chefe do Departamento de Economia da Faculdade de Ciências Econômicas da Instituição Toledo de Ensino (ITE) afirma que esse melhor desempenho do Interior se deve à tendência de descentralização do ramo industrial, que se intensificou nos últimos anos. Porém, observa que muitas empresas estão "interiorizando" saindo de São Paulo e indo para Campinas, por exemplo, que é muito próxima

à Capital, o que não significa um desenvolvimento tão intenso do Interior como poderia se pensar.

Observe-se que de janeiro a novembro, o faturamento médio das MPEs de São Paulo encontra-se num nível 11,3% inferior ao mesmo período de 1998. Na análise dos técnicos do Sebrae-Seade o resultado tem a influência direta do fraco desempenho da economia no ano de 1999.

Em novembro de 1999, o faturamento das MPEs paulistas apresentou, em média, aumento de 5,6% em relação ao mês anterior. A indústria apresentou elevação de 12% em seu faturamento. O Comércio registrou aumento de 2,2% e o setor de serviços fechou com elevação de 5,9% em relação a outubro/99. O destaque do mês fica por conta da elevação do faturamento da indústria de bens não-duráveis (22,7% em relação a outubro/99), refletindo as vendas da indústria para abastecer o comércio no Natal, indicando que grande parte do crescimento registrado no mês teve caráter sazonal.

Para Gonçalves, as projeções para o fechamento do ano, cujos dados só estarão disponíveis no início de fevereiro, é de que se confirme o desempenho superior das MPEs do Interior sobre as da Região Metropolitana.

Pessoal

O economista Wagner Ismanhoto destaca que em 99, a indústria, apesar de ter apontado um ano razoável, teve um fechamento de 59 mil postos de trabalho. Para ele, mesmo que ocorra uma retomada do crescimento, dificilmente será possível voltar ao mesmo patamar de emprego, já que existe uma grande capacidade ociosa de produção nas empresas do setor.

No geral, de acordo com a Pecompe, o nível de ocupação de pessoal nas MPEs paulistas, apontou em novembro de 99 uma ligeira elevação de 1% em relação ao mês anterior. No acumulado do ano, o nível de pessoal ocupado indica estabilidade (0,4% inferior a igual período do ano anterior).

Nos gastos com salários, a Pecompe apresenta variação de 40,6% em relação a outubro/99, resultado do pagamento da primeira parcela do 13.º salário. Na comparação janeiro-novembro/99 com o mesmo período de 98, houve redução de - 2%.

Ismanhoto lembra que esse aumento de gastos não deve ser considerado animador, pois não houve aumento da massa salarial, apenas o pagamento do 13.º salário, como apontaram os técnicos do Sebrae e da Fundação Seade.

Tendências

De acordo com a Pecompe, o primeiro semestre de 2000 deverá apresentar moderado crescimento na economia. Espera-se gradual aumento do volume de crédito e lento recuo dos juros cobrados ao consumidor. As exportações devem seguir em alta, mas o consumo de bens semi-duráveis e não-duráveis (setores nos quais a presença de MPEs é mais relevante) ficará relativamente contido. Isto pode ocorrer face à corrosão dos salários reais (a venda de itens mais essenciais e baratos pode crescer um pouco, porém, os demais produtos tendem a ser penalizados).

De acordo com os técnicos Sebrae-Seade, em janeiro, a baixa do dólar ajudará a conter a inflação (principalmente no atacado). Já os aumentos ocorridos nas tarifas públicas vão continuar pressionando os preços, cujos índices ao consumidor tendem a ficar abaixo do verificado no último trimestre de 1999, mas ainda elevados.

Em relação às vendas das MPEs, há uma tendência de um crescimento moderado neste início de 2000. Entretanto, a perspectiva de um resultado melhor deve ficar atrelada a uma maior inserção nos mercados externos (para a indústria) e, no âmbito do mercado interno, à possibilidade de não repassar aumentos de custos aos preços finais ( via ajuste nos custos ou troca de fornecedores).

Para Ismanhoto, em nível regional, o desempenho razoável do comércio da região em dezembro pode alavancar uma movimentação da indústria, já que as lojas terão que repor estoques, prolongando o período de aquecimento. Porém, para o comércio, as perspectivas são de uma redução natural nas vendas, que deve provocar a dispensa dos funcionários temporários contratados para o período de maior movimento.

Comentários

Comentários