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Urbanização

Andréia Alevato
| Tempo de leitura: 4 min

América desacelera verticalização

Texto: Andréia Alevato

Até 1995, os jardins América e Europa tiveram um crescimento predominantemente vertical, fazendo com que a região acumulasse prédios. Essa tendência de verticalização, que é uma característica da Zona Sul de Bauru, se estabilizou.

Junto com a verticalização, a região recebeu os maiores investimentos da cidade, porque isso repercute no valor do terreno, que teve aumento. Esse aumento do preço leva a um maior aproveitamento dos terrenos, uma tendência natural de verticalização.

Com o crescimento do bairro e a valorização dos terrenos, muitos prédios foram construídos nesse período o que levou o bairro ser o mais "vertical" de Bauru. Mas a partir de 1995, moradores desses dois bairros se movimentaram para impedir que o processo de verticalização continuasse na região, onde já existia uma grande quantidade de casas térreas. Com a ajuda de alguns vereadores, os moradores conseguiram que uma lei fosse aprovada, que garante que em algumas áreas do Jardim América e Jardim Europa não haja construções de prédios.

"De uma forma geral, Bauru apresenta na Zona Sul a tendência de verticalização. Dentro da Zona Sul os Jardins América e Europa tiveram um acúmulo de edificação", disse José Xaides de Sampaio Alves, professor de Urbanismo na Unesp e doutorando em gestão urbana sobre Bauru.

Ele explicou que o processo de verticalização em Bauru, se mantém espalhado, o que é uma qualidade.

"Há a concentração na Zona Sul, principalmente no Jardim América e no Jardim Europa, mas não é só ali, em um único foco, ela é espalhada. Há muitos prédios na Vila Universitária e nas proximidades do Shopping. E isso é bom", afirmou o professor.

Um problema existente em várias cidades do Brasil, e Bauru não fica fora dessa realidade é a falta de áreas institucionais, que servem para escolas, creches, postos de saúde, praças e até áreas verdes, no tamanho ideal para suprir o crescimento da população que a verticalização proporciona. Segundo dados da Secretaria Municipal de Planejamento (Seplan), o Jardim Europa tem uma área total de 1.069.838 metros quadrados, sendo que 34.369 metros quadrados são destinados para áreas verdes, e nenhuma área institucional. No Jardim América são 402.811 metros quadrados de área total e nenhum metro quadrado destinado para áreas institucionais.

"No caso da verticalização em Bauru, o Poder Público não tem exigido, ao longo da história, a ampliação dessas áreas. Dentro de uma previsão que esse processo de verticalização continuará acontecendo, vai haver, como já está havendo, uma pressão por essas áreas institucionais, e o bairro vai ficando carente desses equipamentos. Basta ver, mesmo as escolas particulares, estão tendo que buscar condições ruins, em termos de planejamento de crescimento no futuro, como pontas de terrenos que eram vazios urbanos, para suprir essas demandas coletiva e pública que estão surgindo", afirmou Xaides.

Para tentar resolver esse problema e equilibrar essa produção verticalizada com as demandas sociais causadas pelo processo, como a falta de áreas verdes e de escolas, há várias legislações de planejamento utilizadas em diversas capitais brasileiras, como em Curitiba. A discussão mais recente é o Estatuto da Cidade, aprovado em dezembro do ano passado pela Comissão de Política Urbana e que já está em discussão na Câmara dos Deputados em Brasília. Esse Estatuto busca, entre outras coisas, tratar a verticalização, entendendo-a como um fenômeno de especulação imobiliária, dando condições para que haja um desenvolvimento urbano mais adequado, e minimizar o processo de especulação imobiliária.

"Hoje já existem instrumentos no Brasil que deveriam estar sendo implantados em Bauru há algum tempo, com mais eficiência, para trabalhar essas questões coletivas e públicas. Já existem legislações de planejamento, em que Bauru poderia estar se apoiando para melhor adequar essas áreas, como o Jardim Europa e Jardim América, que têm tendência de verticalização para o valor da terra", concluiu Xaides.

Conforto

Apesar da grande procura por apartamentos, existem pessoas, que não trocam o conforto e espaço de uma casa pelos requintes e segurança de um apartamento.

É o caso do dentista Leonardo Lamberti Obici, que escolheu o Jardim Europa para morar devido à tranquilidade que o bairro apresenta.

Ele afirmou que não quis morar em apartamento, porque a casa é mais confortável e espaçosa. Para ele, o principal problema de se morar em casas são os assaltos, que acontecem em qualquer região da cidade.

Aeroclube

Após a inauguração do novo aeroporto de Bauru, o Aeroclube terá um movimento de embarque e desembarque menor.

Segundo o presidente do Aeroclube, José Ribeiro, os aviões de grande porte, tanto de passageiros quanto os de carga, irão pousar no novo aeroporto. Porém, os aviões de menor porte, como os executivos e particulares, que fazem parte da aviação vip, continuarão a usar o Aeroclube.

"O Aeroclube é dentro da cidade, bem mais prático para a aviação vip", disse Ribeiro.

O Aeroclube de Bauru também continuará com sua escola de aviação, que forma pilotos de avião e de plainador.

O Aeroclube de Bauru foi fundado em 1939 com o objetivo de formar profissionais de aviação e cedeu parte de suas instalações para o funcionamento do aeroporto da cidade.

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