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Redação
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Conselho Feminino recebe denúncias de mães contra a falta de pediatras

A presidente do Conselho da Condição Feminina, Estela Almagro, afirmou já ter sido procurada por dez mães que se sentem lesadas pela falta de acompanhamento de pediatra durante os partos feitos através do Sistema Único de Saúde (SUS), realizados na Maternidade Santa Isabel.

As mães, segundo Estela, não haviam denunciado os casos antes por falta de informação ou medo. Ontem, duas mães estiveram no Fórum, onde foram ouvidas pelo promotor da Cidadania, Carlos Roberto Simioni. Hoje, uma mãe que perdeu um bebê em março do ano passado na Maternidade, deverá depor sobre o seu caso.

Estela disse que deverá encaminhar duas mulheres por dia até a próxima sexta-feira para serem ouvidas por Simioni. Ela acredita que ainda pode surgir casos mais graves.

"As mães ficam numa situação delicada, nem sempre sabem quem procurar. Agora, com toda essa divulgação, certamente ficaremos sabendo de muitos casos", disse.

Estela afirmou também que a necessidade em procurar o Ministério Público para resolver o assunto, aconteceu por falta de acordo com os responsáveis. "Já que eles não tiveram a abertura de fazer uma discussão por lá para tentar solucionar a questão, tivemos que apelar para a Justiça. Temos que resolver esse problema de alguma maneira. O único que não pode acontecer é deixar como está", disse.

A presidente do Conselho contou que existem mães que deveriam ser indenizadas. Ela citou como exemplo o caso da desempregada Andréia Pereira Barbosa que teve problemas no parto e seu filho, de 1 ano e nove meses, sofre de crises convulsivas até hoje. "Ela, além de ter que levar a criança para fazer tratamento médico, não pode trabalhar porque tem que cuidar dele", explicou Estela.

Serviço

A presidente do Conselho da Condição Feminina, Estela Almagro, se colocou à disposição das mulheres que necessitem de orientação. O telefone para contato

é 9701-8246.

Entenda o caso

O JC revelou em reportagem publicada na edição do

último dia 7 de janeiro, que os partos realizados na Maternidade Santa Isabel não têm acompanhamento de médico pediatra. Esse profissional só é chamado quando há algum problema com o recém-nascido e, algumas vezes, o médico não está no hospital e demora minutos para chegar.

O diretor clínico da Maternidade, Rodolfo Celeste, disse que não há profissionais que aceitem ficar de plantão 24 horas devido ao valor pago pelo Sistema Único de Saúde

(SUS) por esse trabalho. O pediatra recebe apenas R$ 14,88 por acompanhamento de parto, o que dificulta a contratação desse especialista para o SUS.

Os médicos concordam que o ideal seria o acompanhamento de um pediatra em todos os partos.

Por mês, nascem, em média, cerca de 400 bebês na Maternidade Santa Isabel.

O Ministério Público (MP), através do promotor da Cidadania, Carlos Roberto Simioni, enviou ofícios para a Secretaria Municipal da Saúde, e para a Associação Hospitalar de Bauru (AHB) cobrando uma solução para a falta de médico pediatra nos partos do SUS.

O pedido de interferência do MP foi feito pelo juiz da Vara da Infância e Juventude, Ubirajara Maintinguer, que afirmou que o acompanhamento do pediatra nos partos é essencial e está assegurado na lei. "O que falta é fiscalização. Estou vendo o dia em que terei que ir pessoalmente fiscalizar o hospital", disse.

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