Geral

Poluição

Roberta Mtahias
| Tempo de leitura: 7 min

Tietê: morte de peixes preocupa

Texto: Roberta Mathias

Nem precisa ser pescador para ficar triste e indignado com o fato que ocorreu na semana passada, quando foi detectada a mortandade de peixes e moluscos no rio Tietê, entre Barra Bonita e Macatuba. Nessas horas, as pessoas esquecem o quanto colaboram para a degradação do meio ambiente (afinal, é difícil encontrar quem nunca desrespeitou a natureza) e apenas revoltam-se com a situação.

É claro que as causas devem ser investigadas (e aparentemente essas medidas estão sendo tomadas) e, caso sejam apontados os culpados, que sejam punidos e, principalmente, que busquem formas de reparar e evitar esse tipo de incidente. Porém, o fato é mais um alerta, um grito de apelo que o rio nos dá, pedindo socorro. Todos sabem que há muito tempo as águas do rio Tietê e muitos outros rios do Estado de São Paulo (sem falar do País) estão contaminadas com esgotos e resíduos industriais.

Não é raro ouvir notícias de rios com águas poluídas, impróprias para o banho e, o que interessa ao pescador, com peixes contaminados. O rio Tietê já sofre uma grande batalha ao passar pela Capital, onde pode ser considerado um "esgoto a céu aberto" seguindo para o Interior do Estado. O percurso incomum, pois a maioria segue direto para o mar, oferece ao Tietê a oportunidade de se livrar de muitas impurezas adquiridas na grande São Paulo. Mas não é bem isso que acontece.

No Interior, o rio Tietê também não recebe todo o respeito. Seus afluentes levam para o leito o esgoto (tratado ou não) de várias cidades da região, o que já seria suficiente para tornar os peixes capturados em suas águas impróprios para o consumo.

Segundo informou o presidente do Instituto Ambiental Vidágua, Rodrigo Agostinho, que foi verificar a mortandade de perto, no

último sábado, os peixes que habitam as águas do rio Tietê já estão contaminados. "Quase todas as cidades jogam esgoto em seus afluentes, o que faz com que a água fique contaminada com colifórmios fecais. Parte das bactérias que ficam nos peixes morrem no momento do cozimento, porém ficam algumas toxinas que podem causar danos à saúde", explica Agostinho.

Apesar de haver dúvidas sobre a causa da mortandade (baixa oxigenação da água ou contaminação com produtos químicos), é importante alertar quanto ao perigo de se consumir peixes do rio Tietê, principalmente nesse período. "Nós vimos pessoas recolhendo peixes mortos, talvez surpresos por ver peixes grandes, porém o risco de consumo é muito grande. Pode haver uma contaminação

à base de metal pesado", comenta o representante do Vidágua.

Ele observou também que das espécies encontradas mortas, como mandiúva, tuvira e curimbatá, algumas são de peixes de fundo (as espécies de bagre, principalmente), o que poderia ser indício de uma contaminação química. Agostinho não acredita que a morte dos peixes tenha ocorrido devido ao baixo índice de oxigênio.

"Havia também muitos moluscos mortos, próximos

à barragem."

Piracema

É importante lembrar que o período é de piracema, quando os peixes buscam as nascentes para reproduzir, e época em que a pesca é proibida. Mesmo nesse contexto, não

é difícil encontrar pescadores nas margens dos rios ou circulando com seus barcos. Agostinho informou que alguns dos peixes recolhidos estavam aptos à reprodução, cheios de ovas. "A maioria tentava subir o rio pela barragem, que não possui escada para peixes", lembra Agostinho.

Os acessos para que os peixes possam concluir o seu ciclo de reprodução são raros nas represas brasileiras, o que impede parte da reprodução das espécies nativas. Uma solução paliativa é a reprodução de algumas espécies em pisciculturas e posterior repovoamento do rio com esses alevinos.

Para que as causas sejam verificadas, a Cetesb coletou, em pontos estratégicos do Tietê, amostras da água que estão sendo analisadas pelo laboratório de Marília. O Vidágua também recolheu amostras de moluscos, da água e de peixes para análise em Botucatu, que estão sendo feitas pelo Centro de Toxicologia (Ceatox), da Unesp. É provável que até o final da semana as análises tenham sido concluídas, revelando as possíveis causas da mortandade.

Peixes não devem ser consumidos

Como as causas da mortandade não foram detectadas e o período

é de piracema, a ordem é não consumir peixes capturados no rio Tietê, na região entre Barra Bonita e Macatuba. É importante lembrar dos riscos à saúde e da proibição da pesca nessa época. Normalmente, diz Agostinho, a água aparenta estar limpa, mas carrega uma série de impurezas que devem ser observadas, como a presença de colifórmios fecais.

De acordo com o médico veterinário da Vigilância Sanitária da DIR-10, Daniel Placência Matheus, o resultado da pesca nessa região não deve ser consumido em hipótese alguma. "A Vigilância Sanitária atua na fiscalização de empresas que comercializam alimentos de origem animal e os estabelecimentos que comercializam peixes são acompanhados pelos fiscais. É observada a origem do peixe, as condições em que se encontra, não deve soltar escamas, a consistência deve ser firme, as mucosas rosas, enfim, uma série de características e informações que permitam ao açougue, peixaria ou supermercado comercializar o peixe. Por isso, ninguém deve adquirir produtos de procedências duvidosas."

Comprar peixe que não se sabe onde foi pescado é um risco muito grande, principalmente nesse período em que ainda não se sabe as causas da mortandade dos peixes, no Tietê. Matheus aproveita para alertar os pescadores sobre o risco de estar consumindo esses peixes. O perigo existe. Como informação, vale lembrar que a última notícia de morte de peixes neste trecho do rio Tietê foi há dois anos. Quando o vinhoto liberado pelas usinas de açúcar foi apontado como o responsável pela morte dos peixes.

O ocorrido vale como alerta a todos que de uma forma ou de outra têm uma relação com o rio, com suas águas. Isso inclui a todos, pois sem ela a vida seria impossível.

É necessário que todos façam a sua contribuição ao meio ambiente para que ele possa se recuperar de uma forma saudável.

*************História de pescador*************

Acontecendo no Batalha

Sou pescador assíduo do rio Batalha, freqüento todo final de semana uma chácara perto da ponte do cedro, do meu sobrinho Marcos, e durante a semana eu descanso, sou aposentado. Vamos à história real que está acontecendo.

Na chácara mora o meu amigo Serginho, pescamos juntos há muito tempo, há 3 meses ele arrumou um filhote de cachorro e colocou o nome de Rex, não vou falar a raça, porque muita gente vai se interessar.

Durante esses três meses, levamos o Rex para pescar conosco. Um mês atrás aconteceu um fato que mudou o nosso sistema de pescar.

Estávamos pescando lambari, e já tínhamos pego uns 100, quando o Serginho fisgou um belo tambiú, mas ao tirá-lo do rio (não estava bem fisgado) o peixe caiu na água e, para espanto, nosso o Rex, que estava ao nosso lado, pulou no rio e mergulhou. Pensávamos que ele ia nadar. Qual nada, ao sair à margem, lá estava ele com o tambiú na boca e abanando o rabo de alegria.

A partir desta data não levamos mais traia para as pescarias, só levamos uns quilos de quirela e o Rex.

Receita: Jogamos a quirela na água e os lambaris começam a pular, e lá vai o Rex para abocanhá-los.

Domingo passado trouxemos 87 lambaris que o Rex pegou. Ele é tão vidrado nesse tipo de pescaria que, quando estamos assistindo à alguma pescaria na tv, e ele vê, temos que segurá-lo porque investe para pegar o peixe.

Agora arrumamos mais cinco filhotes da raça do Rex e estamos treinando-os para pegar peixes grandes no Mato Grosso.

Futuramente daremos o endereço para a venda de peixes mais baratos e também cachorros treinados para pescaria.

Manoel T. de Oliveira (Néle) é pescador e contador de histórias reais.

Foto

"Eu peguei estas piaparas na barragem Jupiá, em Três Lagoas. A isca usada foi o caramujo, em um lugar cevado com sangue de boi e quirela, que me rendeu, no total, dez quilos de peixe. O maior exemplar tinha dois quilos."

(Paulo Roberto Bellin tem 32 anos, é pescador amador e fisgou as piaparas no ano passado)

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