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Falências

Paulo Toledo
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Pedidos de falência caem 10,38% em 99

Texto: Paulo Toledo

Os pedidos de falência que deram entrada no Cartório de Ofício de Distribuição Judicial do Fórum de Bauru tiveram uma retração de 10,38% em 1999, caindo de 183, em 98, para 164. Vale ressaltar, que a quantidade do ano passado foi a menor desde 1995, quando foram registrados 157 pedidos, que foi o ano, após a implantação do Plano Real, no qual a quantidade de falências passou a crescer, até iniciar nova queda em 1997, segundo levantamentos do diretor do Cartório, Claudemir Jair da Silva.

No último trimestre do ano passado, a queda foi significativa, com reduções de 73,3% em outubro, 30% em novembro e 62,5% em dezembro, comparando-se com os mesmos meses do ano passado. Em 99, apenas os meses de janeiro, abril, maio e junho tiveram números superiores aos do ano passado (veja quadro completo com levantamento desde o início do Plano Real nesta página).

Vale destacar que a retração ocorreu em todo o segundo semestre, após uma alta para 21 pedidos, em junho.

Para o economista professor universitário e consultor de empresas, Carlos Roberto Sette, a queda nos pedidos de falência indicam que houve uma depuração no mercado, com mais de mil pedidos falências em Bauru, depois da implantação do Plano Real, reduzindo a quantidade de empresas que tem potencial para quebrar.

Além disso, afirma, muitas empresas foram aprendendo, da maneira mais difícil, com base na descapitalização, perda de bens, e outras dificuldades, a administrar no meio da crise de passagem de uma economia inflacionária para uma não-inflacionária. "Houve também um aprendizado de como administrar, uma melhora do desempenho gerencial das empresas", afirmou.

Sette diagnostica que a maior parte das empresas que vão à falência estão nas categorias de pequenas e micro empresas. Ele destaca, ainda, que muitas outras empresas não chegam a quebrar, mas têm a atividade encerrada e, muitas vezes, acabam nem sendo fechadas oficialmente perante os órgãos públicos.

Sette acredita que a tendência é de continuidade na redução do número de pedidos de falência. Para ele, baseando-se nas perspectivas macro-econômicas, nos próximos três anos, a economia brasileira será melhor do que nos últimos três.

Empresas estão mais adaptadas ao modelo econômico, diz Sampaio

A queda no número de pedidos de falência são um indicativo de que o processo de adaptação das empresas à nova realidade econômica do País vem se completando, uma vez que o índice está em declínio desde 1997. A análise é do presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Bauru (SinComércio), Walace Garroux Sampaio, para quem a tendência está dentro das perspectivas de que se tenha um melhor desempenho da economia do País no ano 2000.

Para ele, as empresas estão passando por um período de transformação e o sentimento

é de que o período crítico já tenha sido ultrapassado. Porém, isso não quer dizer que haverá períodos de euforia pela frente. "Haverá dificuldades pela frente, evidentemente, mas em menor número do que em anos anteriores", destacou.

Sampaio analisa que a queda nos pedidos de falência também são um indicativo de que a crise anunciada no início de 1999 - na época da desvalorização cambial - não foi tão forte quanto se anunciava. Além disso, afirma, passados quatro se caminha para uma superação da fase crítica da mudança da moeda. Para ele, é um sinal de que se caminha, pelo menos, para a estabilização da economia. O fato do número de protestos, despejos por falta de pagamento de aluguel e desemprego terem caído reforçam esta tendência de melhoria de desempenho.

Números são contraditórios, afirma diretor do Ciesp

O diretor da regional do Centro das Indústrias do Estado (Ciesp), José Luiz Miranda Simonelli, afirma que a redução no número de pedidos de falência pode ser considerado um dado contraditório, pois não

é o que pode ser observado em todo o País.

Simonelli diz que existe um dado formal de fechamento de empresas e um dado informal, no qual são incluídas aquelas empresas que não chegam ao pedido de falência, mas têm as atividades encerradas por não conseguir mais sobreviver. Ele diz que o pedido de falência é o fim, mas por outro caminho. "Muita gente chegou no fim sem ser por essa via", afirmou.

Para Simonelli, a redução no número oficial não significa uma melhora para o setor empresarial. Ele diz que sinaliza que ocorreram mais acordos entre devedores e credores, evitando que se chegasse à falência, que é o último estágio, e não é boa para ninguém, uma vez que o fornecedor, oficialmente, fica relegado a segundo plano, pois têm prioridade no pagamento os impostos e salários. "O credor vai receber somente uma parte proporcional ao que tinha de crédito, se sobrar algo. Então, comercialmente, a falência não é interessante. Quando se pede a falência, acabam as oportunidade de receber por integral aquilo que têm de crédito", afirmou.

Simonelli chega a dizer que, por esses motivos, acredita que a queda no número de pedidos de falência se deve a fato de ser pouco interessante aos credores comerciais. Para ele, é preferível buscar um acordo para reduzir o valor do prejuízo. (PT)

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