Ações de despejo caem 15%
Texto: Paulo Toledo
O número de ações de despejo por falta de pagamento de aluguel teve uma queda de 15,21%, em 1999, em relação a 1998, baixando de 809 para 686. Em dezembro, comparando-se com o mesmo mês do ano passado, também houve queda de 17,31%, numa redução de 52 para 43 , segundo levantamentos do diretor do Cartório de Ofício de Distribuição Judicial do Fórum de Bauru, Claudemir Jair da Silva.
Na comparação com o mês anterior, no último bimestre houve queda. As 68 ações de novembro foram 6,85% menores do que as 73 de outubro. No mês seguinte, foram 43 ações, ou seja, um número 36,76% menor.
O número de despejos por ação ordinária, aqueles que são feitos por interesse do proprietário em reaver o imóvel, cresceu 5,88% em 99, crescendo de 34, em 98 para 36 em 99.
O delegado regional do Conselho Regional dos Corretores de Imóveis (Creci), Giasone Albuquerque Cândia, destaca que, apesar da redução no número de ações, as dificuldades econômicas pelas quais vem passando o País continuam a refletir. Porém, indica que os inquilinos estão buscando adequar seus ganhos aos compromissos que têm a cumprir, evitando descontroles que os levem a inadimplência.
Ele destaca que muitas pessoas buscaram driblar as dificuldades financeiras indo morar com parentes, o que evitou o crescimento da inadimplência com conseqüente aumento das ações de despejo. "O quadro é um reflexo da falta de emprego e de dinheiro da população", afirmou.
De acordo com ele, os proprietários esperaram o que puderam antes de entrar com as ações, já que muitos inquilino prometeram acertar os aluguéis atrasados. Mas, nos casos em que não ocorreram pagamentos as ações acabaram sendo efetivadas. O delegado do Creci diz acreditar que há uma tendência de estabilização, com sensível redução.
Cândia disse que os proprietários e as administradoras estão abertas à negociação, como forma de evitar as ações judiciais.
Wânia Pôrto, presidente da Associação dos Administradores e Corretores de Imóveis de Bauru (Aciba) diz que a redução nas ações de despejo por falta de pagamento é fruto de uma adequação do Plano Real. Ela disse que, os 900 despejos de 97 foram causados pelo descontrole econômico das pessoas, provocado pelo desemprego e outras variáveis negativas do plano. "O despejo está atrelado ao emprego. O índice de desemprego, em 99, diminuiu. Apesar de ainda não ser o esperado, já vem refletindo positivamente na questão das ações de despejo, que caíram", afirmou.
Wânia Porto disse que a expectativa, agora, é de que ocorra uma estabilidade na quantidade de ações de despejo com tendência de uma pequena queda. Para ela, a negociação entre inquilinos e proprietários vem sendo um importante instrumento para evitar os despejos e os prejuízos para as partes.
O delegado de Bauru do Conselho Regional de Economia (Corecon), Reinaldo César Cafeo, acredita que a queda se deve ao fato de estar havendo uma tolerância maior por parte dos proprietários, em razão dos ônus que acarretam uma residência vazia, em relação a IPTU e, no caso de apartamentos, do condomínio.
Ele destaca que, depois de alguns insucessos da economia brasileira, as pessoas passaram a ter um pouco mais de disciplina no controle do orçamento familiar, evitando atrasos em situações importantes, como é o caso do aluguel. "As pessoas que estão se acertando estão buscando uma disciplina maior em seus gatos", afirmou.