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Custódia de crianças

Redação
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Protesto de mães no Cevac acaba em B.O.

Mães de crianças que são atendidas pelo Centro de Valorização da Criança (Cevac), localizado no Núcleo Geisel, estiveram reunidas, ontem à tarde, em frente à entidade protestando contra a transferência de três irmãos menores. Segundo a advogada Cristiane Lippe, membro do Conselho Fiscal do Cevac, a transferência

é um procedimento administrativo normal, autorizado pelo Conselho Tutelar.

A mãe dos menores, Márcia Rodrigues Prata, perdeu a guarda das crianças há dois anos e, hoje, elas estão sob custódia do Conselho Tutelar. Segundo Cristiane, o Cevac estava cuidando dessas crianças por um tempo determinado, mas ontem elas tiveram que ser transferidas para a Sociedade de Proteção à Maternidade e Infância, na Bela Vista. O Cevac só mantém crianças com mais de 12 anos no regime de internato. Márcia não aceitou a transferência e mães de outras crianças atendidas pela entidade se uniram a ela em protesto.

A mãe pretende conversar com o juiz da Vara da Infância e da Juventude, Ubirajara Maintinguer, para pedir a volta dos filhos ao Cevac. Ela argumenta que mora próximo do Cevac e que, portanto, pode visitar as crianças sempre. "Eu quero estar perto deles", disse.

A avó das crianças, Isabel Aparecida Lacerda, quer a guarda dos netos. "Eu posso cuidar dos meus netos, não quero que eles fiquem em outro lugar. As diretoras do Cevac não me avisaram dessa transferência. Não é justo tirarem eles daqui sem falar com a gente", protestou. Outros internos do Cevac também estiveram brigando contra a transferência das crianças, causando um grande tumulto dentro da entidade.

A Polícia Militar esteve no Cevac para acompanhar o protesto e dois boletins de ocorrência foram registrados. Um pela advogada Cristiane, que teve seu carro depedrado por pessoas não identificadas, e outro pela diretoria do Cevac. Tatiana, de 14 anos, uma das meninas atendidas pela entidade, que já fugiu do Cevac uma vez, teria se apossado de uma faca durante a confusão de ontem, e não teria explicado o que pretendia fazer com a arma. Maria Tereza foi agredida verbalmente por Cláudia Aparecida da Silva, uma das mães que protestaram contra o fechamento do semi-internato.

Semi-internato

Há mais ou menos 15 dias, as mães já protestaram contra o fechamento do semi-internato do Cevac. Na ocasião, cerca de dez mães se reuniram pedindo a continuação do trabalho. Ontem, a membro da diretoria do Cevac, Maria Tereza Macário, disse que as quatro meninas mantidas atualmente em regime de semi-internato, deveriam ser transferidas para reformas no local, mas as crianças não aceitaram a transferência.

O Cevac tem, atualmente, além das quatro meninas, 12 meninos no regime de internato. Segundo a diretoria, não há funcionários suficientes para cuidar de todos eles. Cláudia disse que o Cevac tem que cuidar das crianças para evitar outros problemas. "Essas crianças com mais de 7 anos vão acabar sendo drogadas se ficarem na rua", afirmou.

Cláudia também reclamou da nova diretoria do Cevac. Segundo ela, não foi realizada uma votação para eleger as diretoras, como as mães queriam. A presidente do Cevac, Élida Freitas, estava viajando e não soube do ocorrido. Em uma entrevista anterior concedida ao JC, ela afirmou que o programa de semi-internato foi cancelado para que o Cevac não fechasse as portas. Ela disse também que a entidade tinha algumas dívidas e teve que se adaptar para se enquadrar no modelo exigido pelo governo.

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