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Nélson Gonçalves
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Prefeito tem que demitir 24 na Cohab

Texto: Nélson Gonçalves

O presidente da Cohab, Arialdo Mercadante, confirmou, ontem, que o enxugamento tem que ser feito em mais 24 vagas

A administração Nilson Costa (PPS) ainda não realizou o enxugamento administrativo necessário nos diferentes setores da Prefeitura. A gestão atual vem repetindo o caso da Cohab como exemplo de eliminação de cabides de emprego. A atual administração eliminou mais de 200 cargos de confiança na Cohab, que apresentava déficit em função dos apadrinhados. Entretanto, o número ainda não é o ideal. Ontem, o presidente da Cohab-Bauru, Arialdo Mercadante confirmou que existem 24 cargos a serem extintos, entre os quais aqueles que geraram crise entre o PPB e Nilson Costa.

No papel, como define o presidente da Cohab, ficou estipulado que a empresa de economia mista ficaria com 24 cargos de confiança. Mas hoje ainda existem 48, o dobro do programado no plano de cargos e salários entregue ao Ministério do Trabalho. Arialdo Mercadante argumenta que o prefeito municipal pediu para que os 24 cargos excedentes fossem mantidos até a "vacância". Ou seja, a Cohab continua desperdiçando dinheiro público com excesso de vagas de confiança até que ocorra a extinção.

O prefeito municipal pode estar trabalhando com a tolerância da legislação eleitoral para, daqui há algumas semanas, justificar que não poderá mais eliminar esses cargos excedentes. Como se sabe, a lei passará a não permitir demissões e contratações até outubro, seis meses antes. Se conseguir chegar ao "período de proibição", a administração poderá ficar de bem com os excedentes, não só da Cohab, e ainda justificar a situação na legislação.

É verdade que a situação da Cohab era de extremo desperdício na gestão passada. Mais de 340 cargos e uma folha de pagamento de quase R$ 1 milhão por mês eram sustentados com o calote no seguro, em uma dívida que supera a R$ 23 milhões. Hoje, por outro lado, os próprios números da Cohab demonstram: ou a torneira era fechada ou a insolvência fechava as portas da Cohab. Ademais, qualquer agente público com responsabilidade cumpriria seu dever, eliminando mais de 200 cargos.

Agora, passado a fase do desperdício, a Cohab entra na etapa de busca de recuperação. Para tanto, o atual presidente não esconde que a folha de pagamento ainda tem que render mais algumas economias, com chances reais de ficar abaixo da casa dos R$ 300 mil por mês. Os indicadores estão em dois pontos principais. De um lado, não há nenhuma explicação técnica, por enquanto, para que o prefeito defenda a manutenção dos 24 cargos excedentes. De outro, com a terceirização do setor de cobrança outras despesas com pessoal podem ser revistas.

Arialdo Mercadante se define como um técnico e como tal não quer fazer nenhum comentário no campo político, sobre a crise gerada pela declaração do prefeito em relação ao partido que o indicou para a Cohab, o PPB. Entretanto, Arialdo afirma que, durante sua gestão, o PPB indicou apenas um cargo para a companhia. A vaga é ocupada pelo ex-juiz Emir Maddi, que cumpre uma função técnica no setor jurídico.

Por outro lado, a presidência não esconde que dos 24 cargos de confiança previstos existem representantes indicados de vários partidos, entre eles o PDT, PTB, PPB e PPS. "Não entro no mérito político. Fui indicado pelo PPB para fazer uma gestão técnica na Cohab, para torná-la superavitária e é isto que estamos fazendo. Sobre o episódio da crise política, já coloquei meu cargo à disposição do prefeito", fala Mercadante. A informação da assessoria de imprensa de Nilson Costa, ontem, era de que o presidente da Cohab permanece no cargo, após reunião com o prefeito no final da tarde de ontem.

Fisiologismo

Para formadores de opinião da cidade, o prefeito fez uma boa definição política do fisiologismo, ou seja, disse ser contrário à acomodação de cargos na Cohab com o PPB em razão do apoio político-administrativo na Câmara Municipal. Porém, a mesma definição, em outro sentido, coloca uma situação para o prefeito: Sua afirmação só se torna conceito (prática) na gestão se for aplicada em todos os setores, para todos os partidos.

A rigor, o ideal seria que Nilson Costa não aceitasse sequer a negociação de um cargo para cada vereador, muito menos a acomodação de alguns assessores que recentemente engrossaram as fichas de filiações do PPS. A própria Cohab tem um assessor do presidente que antes estava no DAE, que, por sua vez, deixou a autarquia para ajuste de outro cargo. O presidente do partido a qual pertence o prefeito é um caso. Rubens de Souza veio há não muito tempo da assessoria do prefeito de Ourinhos para ocupar a presidência do PPS em Bauru e, coincidentemente, uma cadeira de confiança no DAE.

Mas existem outros inúmeros exemplos que não servem nem para justificar a posição do PPB nem o discurso de combate ao fisiologismo do prefeito. São casos em dezenas, que compõem uma situação, faça-se justiça, que nem o chefe do Executivo tem controle: a cultura de cargos em troca de apoio político. Mas não há programa de governo, mesmo porque o atual prefeito herdou o cargo e, com ele, as promessas de seu titular, com quem esteve em palanques e bateu palmas.

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