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Morte de peixes

Marcos Zibordi
| Tempo de leitura: 3 min

Esgoto teria matado peixes no Tietê

Texto: Marcos Zibordi

Laudos da Unesp e Cetesb descartaram morte por produtos químicos. Esgoto despejado no rio seria a causa

Após várias hipóteses levantadas sobre o que teria causado a mortandade de peixes e moluscos no rio Tietê há 15 dias, os laudos concluídos descartam algumas possibilidade e apontam o esgoto como a provável causa da queda de oxigênio na água e a consequente morte dos peixes.

O laudo do Centro de Toxicologia da Unesp de Botucatu (Ceatox), divulgado nesta semana, descartou a possibilidade das mortes terem sido causadas por produto químico ou metal pesado. Segundo o laudo, que não aponta as causas mas descarta possibilidades, não foi agrotóxico ou outro produto do tipo organoclorado

(proibidos) ou organofosforado (produtos com utilização restrita) os responsáveis pela morte dos peixes.

De certa forma, o laudo é tranqüilizador, porque o risco de contaminação para os moradores ribeirinhos e pescadores fica, digamos, no mesmo patamar. Muitos utilizam a água do rio e consomem seus peixes.

O laudo do Ceatox também afasta a desconfiança de que o vinhoto (resíduo da destilação e fermentação do álcool de cana de açúcar) de alguma usina da região tivesse sido jogado no rio, até porque elas não estão produzindo este subproduto nesta

época do ano e nem aplicando agrotóxicos.

Descartada também a possibilidade dos metas pesados (chumbo, mercúrio e cromo) terem sido os causadores da mortandade, fica também afastada a desconfiança de que alguma indústria da região tivesse despejado este tipo de produto no rio (pelo menos neste caso).

O cromo compõe o material usado no tratamento do couro nos cortumes, comuns em nossa região. O chumbo é utilizado em baterias automotivas ou metalúrgicas e o mercúrio poderia ter vindo de uma contaminação ocorrida na Capital. Os metais pesados são acumulativos, ou seja, ficam depositados no fundo do rio e causam sérios danos à saúde. Eles são diferentes de matéria orgânica, das quais bactérias e peixes se alimentam. Esta matéria orgânica, no entanto, pode ser tóxica e causar a morte da vida no rio, como ocorreu desta vez, com o material orgânico formado pelo esgoto.

Os Boletins de Análise da Companhia de Tecnologia e Saneamento Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), divulgados no final da semana passada são claros ao afirmar: a causa da mortandade foi a queda dos níveis de oxigênio dissolvido nas águas do Tietê.

Os técnicos da Cetesb, conforme informou o gerente da Agência Ambiental de Bauru, Rogério Chini, 49 anos, recolheram amostras em diversos pontos do rio para detectar as possíveis causas.

O nível de oxigênio no local do acidente estava entre dois e três miligramas por litro de água. O mínimo aceitável, ou normal, para um rio como o Tietê, é de cinco miligramas por litro de água.

Lodo assassino

A barragem de Barra Bonita recebe todo o esgoto que vem do rio Sorocaba, Piracicaba e do próprio Tietê em São Paulo. Este material vai sendo depositado no fundo do lago, de forma que o nível de oxigênio da água vai diminuindo conforme a profundidade. Os técnicos detectaram oito miligramas de oxigênio por litro na superfície do reservatório e, no fundo, ele chegou quase a zero.

Depositado no fundo do reservatório, esse lodo orgânico cheio de bactérias não é tão perigoso. Mas neste época do ano, as chuvas acabam revolvendo o material, que absorve instantaneamente o oxigênio da água.

Quando esta água passa pelas turbinas, já está sem oxigênio. A Cetesb não conseguiu associar a mortandade dos peixes à limpeza da eclusa, mas também não descartou a possibilidade da limpeza ter contribuído para o revolvimento do material orgânico e sua conseqüente absorção dos já baixos níveis de oxigênio da água. "Não conseguimos associar essa limpeza

à mortandade de peixes, mas também não dissociamos", disse Chini.

Como até agora nenhuma autoridade constituída em Barra Bonita tomou qualquer providência em relação ao caso, o Instituto Vidágua de Bauru vai ingressar na Promotoria daquela cidade pedindo abertura de inquérito para que a Companhia de Geração Elétrica Tietê informe a metodologia usada na limpeza da eclusa.

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