Erosão ameaça casas na Pousada I e Vila Ipiranga
Texto: Ieda Rodrigues
Um ramo da grande erosão existente na Pousada da Esperança I está ameaçando residências construídas na quadra 2 da rua Primo Crepaldi. Os moradores acreditam que, se a chuva continuar por mais um dia, eles terão que abandonar suas casas, mas a Defesa Civil informou que ainda não há riscos. Já na Vila Ipiranga, nove casas da rua José Rodrigues dos Santos estão sob risco de desabar.
As margens do córrego Água do Sobrado estão desmoronando. Duas casas estão interditadas já há algum tempo devido à erosão. Para Álvaro de Brito, presidente da Coordenadoria Municipal de Defesa Civil
(Comdec), para conter o processo erosivo é preciso fazer a dragagem do leito do córrego e recuperar as encostas. Com isso, a água voltaria a correr pelo leito original.
A erosão principal da Pousada tem cerca de um kilômetro de extensão e, em certos pontos, chega a dez metros de profundidade. A revolta é grande e eles alegam que a erosão existe há anos e que a cada chuva ela avança em direção às casas. "Nesses últimos dias a erosão avançou uns 15 metros. Estamos pedindo providências urgentes porque são as nossas casas que correm risco", disse um dos moradores.
A moradora Maria Aparecida de Moraes explica que toda a água da chuva da Vila São Paulo desce para a Pousada I. "Desce com velocidade e força, abrindo mais a erosão. Se continuar chovendo, vamos ter que sair das casa", receia a moradora.
Ela questiona a Prefeitura diante da situação. "Já ligamos várias vezes na Regional do São Geraldo e eles não vieram nem ver. Alegam que só tem uma máquina em Bauru e que estão socorrendo outros problemas."
O morador Paulo Henrique Cardoso não se conforma com o tratamento que a Prefeitura está dando para o caso. "A erosão existe há anos e só cresce porque ninguém toma providência. Eles vão esperar acabar com nossas casas para depois vir consertar?", questiona.
Outro morador que preferiu não se identificar alega que durante muito tempo não choveu e as ruas estavam esburacadas.
"Agora, a Regional alega que está chovendo. Os buracos e a erosão do bairro só avançam porque a Prefeitura não tomou providências", disse.
O secretário das Administrações Regionais
(Sear), Celso Donizetti, classificou a erosão da Pousada como o principal problema da cidade no levantamento dos estragos causados pelas chuvas, a mesma opinião do administrador da Regional do Parque São Geraldo, Isidoro Aparecido Alves.
Ainda ontem, de acordo com Donizetti, a Sear iria comunicar a Secretaria de Obras, responsável por obras maiores, que a erosão está aumentando. Na Pousada, a Sear irá fazer a terraplanagem de ruas que ficaram ainda mais esburacadas com as últimas chuvas.
Maquinários quebrados
A Secretaria das Administrações Regionais (Sear) está com cerca de 40% de seus maquinários quebrados, o que dificulta os serviços de manutenção e zeladoria da cidade, o que inclui a terraplanagem das ruas de terra e a tapar os buracos das vias pavimentadas. Para o titular da pasta, Celso Donizetti, mesmo se todos os equipamentos estivessem funcionando, ainda seriam poucos.
Atualmente, a Sear tem apenas duas equipes trabalhando para atender sete Regionais e o distrito de Tibiriçá. O ideal, seria uma equipe - uma pá carregadeira, uma motoniveladora e caminhões - para cada Regional. Donizetti espera consertar os maquinários quebrados e comprar outros com o orçamento da Sear deste ano.
Ele ressaltou que, apesar da falta de equipamentos, os funcionários da Sear têm se dedicado muito aos trabalhos. A Secretaria mantém uma equipe, com dez homens, de plantão 24 horas para qualquer emergência, como desobstrução de vias de ligação de bairros.
Ruas esburacadas
As ruas de terra, como em quase toda chuva forte, foram as mais prejudicadas. Levantamento da Sear apontou estragos grandes nas ruas do Parque Santa Edwirges, onde as condições de trânsito já estavam difíceis. Celso Donizetti, titular da Sear, disse que a terraplanagem das vias do bairro que são trajeto de ônibus começa na sexta-feira.
Anteontem à noite, dois veículos caíram em buracos em pontos distintos da cidade: na rua Roberto Kitizo Bastos, no Núcleo Édson Francisco da Silva (Bauru 16), um Kadett caiu num buraco que teria sido aberto pelo Departamento de Água e Esgoto (DAE). Na quadra 5 da rua Olavo Moura, no Jardim Carolina, uma caminhonete "afundou" no asfalto.
Outro bairro bastante castigado pelas chuvas foi a Vila Zillo. As duas ruas principais do bairro, que são de terra, ficaram bastante esburacadas, o mesmo problema verificado no Jardim Ivone. O acesso ao Jardim Tangarás, ontem à tarde, estava comprometido. Na quadra 37 da rua Araújo Leite o problema está sendo a grande quantidade de água drenada do aeroporto para a rua, que chega a invadir as garagens das casas.
No Jardim Nicéia, a quadra 5 da rua Manoel da Silva está tão esburacada que a doméstica Maria Aparecida de Oliveira disse que, ontem, não conseguiu sair para trabalhar. Ela explicou que a rua recebe água canalizada na rodovia Marechal Rondon.
Mais chuvas
A previsão do Instituto de Pesquisas Meteorológicas
(IPMet) da Unesp para hoje é de tempo nublado com chuvas e trovoadas para todo o Estado, melhorando a partir do Oeste e Sul do Estado durante o decorrer do período. A temperatura mínima prevista é de 19 a 21 graus e, a máxima, de 28 a 30 graus.
Das 9 horas de segunda-feira às 9 horas de ontem, o IPMet registrou a precipitação de 60 milímetros de chuva em Bauru - a medição da chuva que caiu na cidade ontem à tarde seria realizada às 22 horas. A tendência para o Estado de São Paulo é de chuva até o final de semana.
Amanhã, um novo sistema de baixa pressão estará atuando sobre a Região Sul do Brasil. Para São Paulo, tendência de pancadas de chuvas nos períodos de tarde e noite; na sexta-feira, sistema de baixa pressão avançará para o Paraná. Para São Paulo, tendência de pancadas de chuvas para todo o período; no sábado, sistema de baixa pressão atinge São Paulo provocando chuvas generalizadas em todo o Estado.