Aventura no mar azul
Texto: Roberta Mathias
Uma espécie diferente de pescador habita as águas do mar azul. São pessoas que buscam prazer na pesca de peixes de bico e de oceano. Nesse momento, pescador e peixe são parceiros de uma dança marcada pela batida das ondas... Muitas vezes, a batalha é finalizada com a volta do peixe ao mar. É o homem roubando o papel do criador e deixando viver.
Momentos especiais estariam reservados à equipe do Pesca
& Lazer, na semana passada, durante a realização das etapas finais do XVII Torneio de Peixes de Bico e de Oceano, realizado pelo Yacht Club Ilhabela. Tudo estava programado. Saímos de Bauru para, finalmente, acompanhar de perto a pesca oceânica. O convite foi feito pela assessora de imprensa do Yacht Club, Christina Amorim, que explicou como seria a saída, a necessidade de um remédio para enjôos e, infelizmente, a possibilidade de não embarcarmos.
Muito mais do que o rio, o mar é imprevisível, e este tipo de pesca exige um "pouco" mais do que um caniço e boa vontade. É preciso ter uma excelente embarcação, habilidade e uma equipe.
Seriam duas saídas, a primeira no sábado (dia 22) e a outra na segunda (dia 24). A idéia seria acompanhar os pescadores na terceira e última etapa (segunda saída). Porém, ao chegar na Ilha, uma notícia veio como um balte de água fria: os pescadores não devem sair na segunda-feira. Mas por quê? questionamos. O explicação era clara e fazia sentido. Quando os barcos saíram no sábado, o mar estava muito agitado e as 13 lanchas que participavam do Torneiro precisaram voltar.
No retorno ao Yacht, os comandantes fizeram uma votação pelo rádio e decidiram que sairiam no domingo e a terceira etapa ficaria para o outro sábado (dia 29). Como a equipe havia chegado na Ilha no domingo, os pescadores já estavam no mar à procura dos peixes de bico e de oceano. Mas a sorte estava do nosso lado, e mesmo cansados da pescaria, os pescadores decidiram concluir o torneio na segunda, restava apenas definir em qual lancha a equipe do JC iria embarcar.
Alberto Ferreira de Amorim, diretor de Pesquisa Pesqueira Marinha do Instituto de Pesca da Secretaria de Estado de Agricultora e Abastecimento e diretor de Ciência e Tecnologia da Fundamar
(Fundação Marlim Azul), foi quem encontrou a lancha que nos levaria, a Gerreiro.
Comandada pelo empresário Marcelo Gerreiro, 41 anos, a equipe foi receptiva à idéia. No dia seguinte, a saída estava programada para as 6 horas. Todos no Yacht Club Ilhabela se preparando para a saída. Um remédio para enjôos sempre ajuda. Já na embarcação, uma lancha Maris 45, de 1200 HP, a equipe do JC foi conhecendo os "Guerreiros". O comandante Marcelo Guerreiro, o consultor em administração Marcelo Perri, 50 anos, a empresária Cândida Perri, 48 anos, e o médico Eduardo de Oliveira, 48 anos, formavam o time de pescadores que estavam competindo com outras 12 equipes. Leni Dias, 36 anos, era a timoneira da Guerreiro, e Roberto o marinheiro que acompanha a lancha em todos os momentos.
Dada a "largada" e as lanchas seguem à procura do mar azul. Serão quase três horas de viagem até chegar no pesqueiro. Porém, antes mesmo de sair em mar aberto, a base do Yacht Club Ilhabela convoca todos os pescadores pelo rádio, informando das péssimas condições do mar. Nesse momento, fomos informadas que a nossa matéria poderia acabar naquele instante. Sem pesca, sem mar azul, sem peixes de bico... Porém, os comandantes de cada embarcação estavam sendo consultados pela base, nominalmente. Todos ainda na dúvida se iriam ou não pesca. A decisão deveria ser unânime.
Foi quando o "nosso" comandante foi consultado: "Eu vou pescar de qualquer jeito. Depois da Sumítica (última ilha protegida por Ilhabela) informo a vocês as condições do mar." Nesse momento percebi que a viagem até lá não seria em vão. Com certeza iríamos acompanhar de perto a pesca de peixes oceânicos, participando de cada momento dessa grande aventura.
Alto mar...
Depois do convite feito, as outras equipes aderiram e seguiram para a disputa. A etapa estava valendo. Na verdade, são realizados simultaneamente, dois torneios: peixes de bico (marlim azul, marlim branco e sailfish) e peixes de oceano (dourado, atum, bonito, cação e wahoo). Em jogo a última etapa, que poderia modificar o resultado de todo o campeonato.
Após seguir quase 35 milhas de Ilhabela (50 milhas do continente), começamos a corricar. As quatro varas preparadas com isca natural, o farnangaio, o peixe preferido dos pescadores. Com uma carne firme, ele resiste bem ao choque com a água salgada. Outros "estimulantes" como lulas de borracha e "teasers" também foram lançados ao mar, simulando cardumes. Um peixe distraído certamente sentiria-se atraído por tanta oferta e um cardápio variado.
E não demorou muito e o primeiro peixe entrou. Para nossa surpresa (nossa, porque eles já sabiam do poder da pescadora!), Cândida foi quem fisgou um belo dourado. O peixe exibia suas cores azul e amarelo e saltava muito. Aquele era um momento esperado. Após muitos saltos e habilidade da pescadora, o peixe foi embarcado.
Vale comunicar que os peixes de oceano deveriam ser embarcados para terem validade. Além das espécies oceânicas possuírem uma excelente carne para o consumo. O que não ocorre com os peixes de bico, que não têm carne muito apreciada. No Torneio, os peixes de bico não precisam e não devem ser embarcados, pois a sua captura, marcação e liberação tem a mesma pontuação.
É exigido apenas que os pescadores gravem em VHS a captura e liberação do peixe, mostrando nitidamente a sua espécie. Cada bico tem uma pontuação diferenciada, de acordo com o grau de dificuldade: 1500 pontos para marlins azuis liberados, 1000 para marlins brancos e 500 para sailfish.
Depois que o primeiro dourado bateu, outro já foi fisgado por Marcelo Guerreiro. Nessa hora é que Neli mostra seu desempenho como timoneira. De acordo com orientação dos pescadores ela conduz a lancha para evitar que o peixe fuja. Rápido, ré, esquerda, direita, acelera... E mais um dourado embarcado.
A pescaria continuava tranqüilamente, porém todos aguardavam a batida de um peixe de bico. Marlins (azul e branco) seriam difíceis, mas o saifish era provável. As lanchas Attack e Bacana já haviam reportado para a base a captura de sailfishes. Os pescadores da Bacana, comandados por Fabio Ferraz, marcaram e liberaram o bico. Já a Attack, comandada pelo diretor de pesca do YCI Arthur Santos Netto, optou por embarcar o primeiro sailfish, o que é permitido pelo regulamento.
Marcar e soltar
O peixe liberado recebe uma pequena marca numerada de nylon e em uma ficha são anotados o peso e comprimento estimados do peixe, local, nome do pescador e da lancha. Estes dados são enviados pelo Instituto de Pesca de Santos, dirigido por Alberto Amorim, para os computadores da TBF (The Billfish Foundation), na Flórida. Esta entidade de pesquisa norte-americana, que se dedica ao estudo e conservação dos peixes de bico, presidida por Winthrop Rockefeller, reúne dados de peixes liberados por mais de 30 países que participam deste projeto.
Assim que um peixe marcado é reencontrado, é possível, através do número da marca, descobrir o local onde ele foi devolvido ao mar e quanto ele media e pesava na época da liberação. Um swordfish (também conhecido por meca), devolvido no mar de Florianópolis, com cerca de um ano e meio, com 70 cm e 14 Kg, foi reencontrado após 11 anos e três meses com 2,20m e 175 Kg. As marcas são fornecidas pelo Instituto de Pesca de Santos, Fundamar e pela TBF (The Billfish Foundation). Quando os peixes marcados são reencontrados os cientistas podem avaliar as rotas de migração destes peixes e a taxa de crescimento neste período.
À procura dos bicos
Guerreiro também estava à procura dos peixes de bico e como comandante da embarcação, optou por mudar a rota e buscar um novo pesqueiro. O que era apenas um palpite trouxe novas emoções para a equipe. Em pouco tempo corricando neste outro ponto, os peixes começaram a bater. Estimulados, os pescadores aguardavam apenas o bico. E ele veio. Lindo e poderoso, o sailfish foi fisgado, mais uma vez, pela pescadora da lancha: Cândida Perri.
Ela iniciou a batalha. Agora a brincadeira era séria e não havia tempo. A centenas de metros, o peixe saltava e exibia sua grande barbatana que se assemelha a uma vela. Lentamente, Cândida foi aproximando o peixe da embarcação, onde todos estavam "alvoroçados". É um momento envolvente. Todos torcem pelo pescador sem poder fazer nada, pois é contra o regulamento qualquer colaboração. Ela deve conduzir o peixe. Assim fez. Cansado, o sailfish se rendeu aos encantos do batom e permitiu que a equipe colocasse a sua marquinha: mais um bico tagueado.
Na seqüência a pausa para a foto, afinal, depois de uma grande batalha é necessária uma recompensa. Aí o peixe volta ao mar. Ele foi oxigenado por alguns minutos para se recuperar e saiu, contente, para encontrar seus companheiros de oceano. Um pouco cansado, é claro, mas vivo e carregando um sinal que pode salvar-lhe a vida em uma próxima captura. Poucos têm coragem de sacrificar um animal marcado.
Após esta conquista, a equipe ficou mais tranqüila, porém à procura de outros peixes e novos bicos. Outros bicos não vieram, mas três bonitos marcaram presença (pontuação maior!) e outros dourados. Fim da tarde, 17 horas é o encerramento do torneio. Todas as lanchas devem reportar à base os peixes que fisgaram. A Guerreiro na esperança de vencer a prova de peixe de oceano, já que a de bico já era da lancha Attack, que havia marcado mais três sailfishes, além do primeiro peixe. Em segundo, a lancha Bacana que empatou com a Guerreiro, mas foi a primeira a devolver o peixe ao mar, às 10h20 da manhã, seguida pela Guerreiro às 13h50.
No caminho de volta para o Yacht Club Ilhabela, todos estavam felizes tiveram direito até a um brinde e muitas risadas. Cândida confessou que já é avó, reforçando que não pretende parar com suas aventuras na pesca. Ao lado do marido Marcelo, sai para pescar todos os finais de semana. Se o Ziraldo a conhecesse a chamaria de "Vovó Delícia".
Marcelo Guerreiro e Leni Dias já marcaram mais uma aventura: neste final de semana estarão em Cabo Frio. Guerreiro vai participar do Campeonato de Marlim Azul. Lá, a procura será por peixes acima de 300 quilos. Novos equipamentos, outras iscas e muita determinação, o que não falta a este Guerreiro, que já está há dez anos no mar, vencendo diversos tipos de torneios de pesca e sempre querendo mais. Se tudo der certo, teremos notícias.
Toque feminino
As mulheres da lancha Guerreiro mostraram que o mar não
é somente para os homens. A advogada e empresária Leni Dias, 36 anos, é quem conduz a Gerreiro durante a pescaria. Radar e GPS sob sua responsabilidade, Leni mostra que além de muita habilidade para controlar a embarcação,
é preciso ter paciência e saber a hora certa para manobrar. Dela dependem os pescadores. Leni não é pescadora, mas é apaixonada pelo mar. Ela possui outra embarcação, a Segretti, com a qual conquistou o 8.º lugar na pontuação final de um rali náutico. Vale lembrar que havia 238 participantes. Leni e Selma Casarini formavam a única equipe feminina do campeonato. Sem se intimidar, a dupla conquistou o primeiro lugar, na primeira etapa.
Outra grande campeã da lancha Gerreiro é Cândida Perri, 48 anos. Pescadora há muitos anos, ela fez uma demonstração de pescaria. Sem perder em nada para os homens (apesar de não estar em jogo o sexo do pescador), Cândida fisgou o primeiro peixe da 3.ª etapa, um belo dourado. Não se contentando foi em busca do peixe de bico, que também caiu na sua linha. Pescadora de mar e rio, ela transformou seu apartamento do Guarujá em ponto de saída para a pesca. Tudo é relacionado
à pesca, são varas de diferentes tipos, iscas, anzóis, linhas... além de todo o cuidado com o equipamento. "Após fisgar este peixe (se referindo ao sailfish liberado), a linha perde a resistência e deve ser substituída. O equipamento também sofre a pressão da pescaria."
Cândida e Leni são casadas com pescadores, curiosamente Marcelos, o que torna a aventura ainda mais emocionante e agradável.
A Temporada de Pesca Esportiva Oceânica é uma realização do Yacht Club de Ilhabela e da W60, sob o patrocínio da Globalstar, Mitsubishi Motors e Cia. Brasileira de Comércio Exterior, com o apoio da Transbrasa, Importa Comissária, Nautinet Dialdata, Mazzaferro /Araty Ocean e Associação Comercial de Ilhabela.
Marlim azul
Nome Científico: Makaira nigricans
Nome Popular: Marlim azul
Nome em Inglês: Blue Marlin Peixe que atinge até 4,20 m, podendo pesar até 500 Kg. Na verdade, o recorde da espécie é 636 Kg, quatro metros, uma fêmea fisgada em Vitória (ES), por Paulo Amorim, em fevereiro de 1992.
Extremamente velozes e predadores por natureza, solitários, raramente são encontrados aos pares ou em cardumes. Considerado o maior troféu dos pescadores de alto mar por sua valentia e força. São encontrados no mar azul, faixa por onde passa a corrente de águas quentes, no encontro dessas com as águas frias estão os peixes de bico. Sua
época de captura vai de outubro a fevereiro.
Marlim branco
Nome Científico: Makaira albida
Nome Popular: Marlim branco
Nome em Inglês: White Marlin
Alcançam até 2,50 m, chegando a pesar 80 Kg. Vivem em mar azul. Menores que os marlins azuis, são entretanto mais raros de serem encontrados, é o peixe em sua proporção, que oferece mais resistência quando fisgados. Época de captura de outubro a fevereiro.
Sailfish
Nome Científico: Istiophorus Americanus
Nome Popular: Sailfish
Nome em Inglês: Atlantic Sailfish
Conhecido como peixe vela ou agulhão bandeira, alcançam até 2,5 m e até 65 Kg de peso. Vivem em mar azul. Peixe extremamente veloz, arisco e desconfiado ao atacar a isca. Costuma andar aos pares e em pequenos grupos, com grande poder de impulsão, costuma saltar a grandes alturas quando fisgado.
Época de captura de outubro a fevereiro.
Dourado
Nome Científico: Coryphaena hippurus
Nome Popular: Dourado
Nome em Inglês: Dolphin
Peixe de bela coloração e de carne saborosa, atingindo até 1,80 m e 30 Kg de peso. Freqüentam o mar azul.
É um dos peixes mais velozes, podendo nadar a velocidades superiores a 50 milhas por hora, quando perseguidos ou em perseguição a outros peixes. Muito procurado pelos pescadores esportivos pela resistência à sua captura e pela beleza dos seus saltos.
Bonito
Nome Científico: Euthynnus Alleteratus
Nome Popular: Bonito
Nome em Inglês: Little tuna
Atinge até 1 m, podendo pesar até 15 Kg. Vivem próximos do litoral, sendo também encontrados em grandes cardumes em mar aberto. Com freqüência são vistos em pequenos grupos, nadando perto da superfície ao redor de ilhas.
Atum
Nome Científico: Germo Albacores
Nome Popular: Atum
Nome em Inglês: Yellowfin Tuna
Alcançando até 2 m de comprimento e pesando até 250 Kg, considerado de carne excelente, freqüentam as águas azuis oceânicas, jamais se aproximando do litoral. Predadores vorazes, formam grandes cardumes nadando perto da superfície, muito procurados pela pesca esportiva, pela luta feroz que oferece, mergulhando velozmente a grandes profundidades. Novo pier
O novo pier do Yacht Club Ilhabela oferece mais conforto para os pescadores com maior espaço para as embarcações e a instalação de um posto de combustível bem próximo, o que facilita bastante a preparação dos barcos. Sua construção foi possível por meio de uma permuta entre o Yacht Club e a Colônia de Pescadores da ilha. Na verdade, há muitos anos os pescadores possuíam um pier próximo ao do Yacht, porém já em estado precário.
Foi proposto ao Clube que construísse um novo pier e em troca a área seria liberada para o Yacht. Toda a obra em concreto foi patrocinada pelo Yacht Club Ilhabela. Na verdade são dois piers construídos lado a lado, com o mesmo material e extensão. O pier da Colônia dos Pescadores
é mais largo, pois exige a entrada de caminhões para a retirada do pescado. Além disso, foram construídos oito boxes para a comercialização dos peixes, que anteriormente era feita em frente à Colônia, em geladeiras de isopor, e também uma câmara frigorífica para conservar o pescado. No bar...
Para quem visita Ilhabela, uma boa opção, à noite, é o Barlaventto. Um bar, restaurante e choperia que fica na avenida Dr. Carvalho, n.º 10 (Vila). Com direito a música ao vivo, o bar é um ponto de encontro. Durante o jantar da equipe do JC, curiosamente uma dupla de atores
"invadiu" o bar para fazer uma performance e "passar o chapéu". Milton Petrela e Luiza Helene são universitários e ela, acreditem, faz psicologia na Unesp-Bauru. No Barlaventto é possível conferir vários pratos à base de peixe e outras curiosidades. A salada Barlaventto também é uma boa escolha. O prato dá para duas pessoas (na taça com cenoura ralada, alface picada, chester defumado e molho rosé). Quase um recorde
A lancha Taniuka, comandada por Adhemar de Barros Neto, por pouco não bateu um recorde. O pescador Roberto Veras (Betão) pegou um marlim branco que foi embarcado somente por ser um possível recorde de Ilhabela, que com linha 20 libras é de 49 Kg. O peixe fisgado por Betão chegou a 46,4 Kg. O marlim branco, um raro exemplar, foi doado ao Instituto de Pesca de Santos, onde está sendo taxidermizado (empalhado) para que possa ser conferido pelos visitantes do Museu da Pesca. A equipe da Taniuka
é comandante Adhemar de Barros Neto, Roberto Veras (Beto), Emílio Massoni e Sílvio Valdissera. Adhemarzinho, Victor e Silvio Valdissera são os mascotes da equipe e esperam os pais pescadores no pier.
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O mar azul em 24/1/2000
Temperatura 25 graus
Mar em condições ruins, melhorou um pouco no final da tarde, mas sempre com bastante vento
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Um momento
Encontro com uma imensa tartaruga marinha...
Resultados
XVII Torneio de Peixes de Bico e de Oceano (geral - Bico)
1.º lugar - Taniuka
2.º lugar - Attack
3.º lugar - Bacana
4.º lugar - Ponto 30
XVII Torneio de Peixes de Bico e de Oceano (geral - Oceano)
1.º lugar - Taniuka
2.º lugar - Tanser
3.º lugar - Bacana
4.º lugar - Guerreiro
* A lancha Guerreiro não participou da primeira etapa do Torneio, dividido em três etapas.
************História de Pescador**************
Peixes diferentes
Eu sou pesca-dor desde criança, aprendi com meu pai.
Bastava dar uma chuva e turvar a água do córrego do Veado, eu arrancava minhocas logo abaixo da Casa Braga, uns 50 metros, e descia no rio conhecido como córrego da Tia Nina e em pouco tempo pegava de 20 a 30 bigodudos (como eram conhecidos os bagres).
Em Piratininga tinha ótimos rios, mas graças a alguns prefeitos que tiveram a infeliz idéia de colocar dragas para limpar o leito, acabaram com os peixes e com os rios. Eu daria como castigo para "esses prefeitos" cadeia sem direito a água. Ainda temos rios para pescar como: Turvo,
Água Parada, Barreiro, etc. Temos bons pescadores como: Roberto, Alice e Mário meus irmãos, Paulo de Oliveira, Cabo Pereira, Anézio Neto, Joaquim da Farmácia Piratininga, Lu, Claudiomar da Prefeitura, Quió, PM Tatu, etc.
Bem, vamos à minha história: Saímos de Piratininga nas férias de julho rumo ao rio Paraná, no município de Castilho, com dois carros e os seguintes pescadores: saudoso prof. Saul, doutor Antonio, dono do Rancho Piratininga, mais conhecido como Sobradão, mais os colegas: prof. Jecy, prof. Nascimento e prof. Artur.
Numa manhã estava um pouco frio e partimos em um barco apenas eu e o doutor Antonio, pescador e médico querido de todo povo de Piratininga. Com um motor novo de 15 cavalos do prof. Saul, fomos pescar no poço do Bate Palmas, que tem este nome por causa de uma árvore caída no rio onde a correnteza, batendo um galho no outro, dá a impressão de palmas. O rio não estava para peixe e estávamos quase desistindo quando o doutor Antonio falou: - Peguei e é grande! Como ele só pescava com linhada de mão precisou de ajuda. Puxa daqui, puxa e torna a puxar, até que enfim veio o peixe diferente, uma vara nova com carretilha Dawa. Novamente a mesma luta e, por incrível que pareça, tinha um barbado preso no anzol de mais ou menos oito quilos, foi só risada. Como a pescaria já estava feita e estávamos para ir embora, a minha linha deu uma corrida e foi a minha vez de dizer: - O meu peixe é maior! Com muito esforço, consegui puxar e qual foi a minha surpresa, havia pego uma sacola de mulher com ziper e tudo. Foi só risada, mas a minha grande surpresa foi quando abri a sacola e dentro dela tinha um pacu, que pesado na frente dos companheiros deu oito quilos. Muitos podem confirmar a minha história.
Nelson Braga é Pescador