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Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 3 min

Algas azuis podem ser a causa do forte odor sentido na manhã de ontem

Texto: Patrícia Zamboni

O forte odor que tomou conta de Bauru e Barra Bonita nas primeiras horas da manhã de ontem tem uma provável causa, apontada pela Companhia de Tecnologia e Saneamento Ambiental (Cetesb). De acordo com Rogério Shini, diretor da Cesteb, a decomposição de algas azuis no Rio Tietê é a mais aparente causa indicada pelos técnicos da Cetesb e da Vigilância Sanitária de Bauru para a exalação de um forte odor - semelhante a algum tipo de veneno - que foi sentido por moradores de todas as regiões de Bauru e de Barra Bonita. A quantidade elevada e atípica dessas algas no rio teria feito com que o cheiro se espalhasse por tão grande extensão. Até ontem não havia sido encontrada nenhuma outra possível fonte causadora de tal fenômeno.

Segundo Shini, a água do rio Tietê que foi coletada será enviada na manhã de hoje ao laboratório da Cetesb em São Paulo, e o resultado pode estar pronto dentro de quatro dias. A proliferação acentuada dessas algas azuis pode ter ocorrido pelo fato de o rio ter oferecido condições ideais para isso. "Para essas algas se proliferarem elas precisam de um ambiente propício. Nos meses de outubro e novembro do ano passado, nós tivemos estiagem, temperatura elevada, o rio Tietê já tem muitos nutrientes provenientes de esgoto doméstico e da sua própria terra fértil, e tudo isso favorece uma maior proliferação dessas algas. Por isso é que nós estamos trabalhando com essa hipótese", afirma Rogério Shini. O fato do cheiro ter sido sentido pelas pessoas somente no início da manhã e depois ter desaparecido também tem uma provável causa apontada pelo diretor da Cetesb. "Ontem de manhã havia uma forte névoa em Bauru, e isso deve ter impedido a dissipação desse odor. Depois ele desapareceu no ar naturalmente", observa Shini.

De acordo com o diretor da Cetesb, o odor exalado por essas algas azuis não apresenta riscos para a saúde das pessoas.

"Esse odor não causa problemas à saúde. A única coisa é que as pessoas mais sensíveis podem sentir um certo incômodo com a presença do cheiro. O problema seria ingerir a água que contém essas algas, porque elas são tóxicas", diz Rogério Shini. Para as pessoas que consomem peixes do rio Tietê também não há nenhuma recomendação especial em relação à presença das algas azuis, segundo Shini.

De acordo com o dr. Felinto, do Pronto Atendimento Infantil (PAI), se o fenônemo voltar a ocorrer recomenda-se que crianças e adultos que sofrem de problemas alérgicos tomem bastante líquido. "O único problema em casos assim é que podem ser desencadeadas crises de bronquite em pessoas que têm problemas alérgicos. O indicado é que se faça um consumo maior de líquidos, porque isso vai limpar as vias aéreas e fazer com que o gás seja eliminado mais facilmente", orienta o médico.

É a primeira vez que esse fato ocorre na região de Bauru nessas proporções. A proliferação das algas azuis é um fenônemo natural que acontece nos rios, mas a Cetesb não tem registro de ter ocorrido em outras épocas com essa dimensão, a ponto do odor advindo da decomposição dessas algas ter alcançado os limites da cidade.

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