Geral

Reforma agrária

Marcos Zibordi
| Tempo de leitura: 4 min

Prefeitura de Jaú pede para MST sair

Texto: Marcos Zibordi

Prefeito marca reunião com os sem-terra, pede reintegração de posse e se previne contra futuras ocupações na cidade

A prefeitura de Jaú pediu, no final da tarde de ontem, a reintegração de posse da avenida João Franceschi, onde estão acampadas 80 famílias de sem-terra desde anteontem. O pedido é cumulativo com outro, o de "interdito proibitório" que, se aceito pelo juiz, impedirá previamente qualquer outra ocupação na cidade de Jaú. O pedido foi protocolado logo após o prefeito em exercício, Raul Bauab Filho (PSDB), ter agendado uma reunião com integrantes do movimento para esta manhã para ouvir suas reivindicações.

A "Ação de reintegração de posse cumulativa com pedido de interdito proibitório", segundo a assessoria de imprensa da Prefeitura, pede que o juiz determine a desocupação da área pública e, ao mesmo tempo, proíba novas ocupações em qualquer outra área pública do município. A prefeitura espera que o juiz aprecie o pedido ainda hoje.

Quanto à reunião marcada para esta manhã entre prefeito e acampados, a assessoria informa que é uma obrigação do município zelar pelo que

é público e que o prefeito terá disposição em atender os sem-terra.

O coordenador regional do MST, Marcos Vinícius Marin, ironiza o pedido dizendo tratar-se de pedido de reintegração de calçada, já que os sem-terra estão na margem da avenida.

Anteontem, o secretário de Comunicação do Município esteve no acampamento e levou dos sem-terra uma lista de necessidades básicas, à qual prometeu atender, segundo informou Marin e confirmou a assessoria de imprensa da Prefeitura.

A lista pedia sinalização no local, pois a avenida tem tráfego em alta velocidade. Anteontem, os sem-terra interditaram a pista durante meia-hora por volta de 14 horas em protesto à falta de sinalização. A polícia Militar esteve no local e resolveu o problema sem registrar incidentes.

Os sem-terra pedem ainda uma caixa d'água porque não existe água no local, a presença de uma assistente social e cesta básica e alimentos para os acampados.

O acampamento está montado às margens da avenida João Franceschi, na saída para Brotas.

Iaras faz megafesta

Com a presença de ilustres nacionais e autoridades regionais, os integrantes do Movimento dos Sem-terra (MST) de Iaras preparam um megaevento de dois dias para este final de semana. A festa, que é ao mesmo tempo comemoração e ato político, comemora o aniversário do assentamento Zumbi dos Palmares e dos acampamentos Madre Cristina e Nova Canudos.

A direção regional do MST confirmou ontem as presenças de Zé Rainha e do senador Eduardo Suplicy (PT). No sábado, eles devem comandar um ato político entre os sem-terra, que possivelmente contarão com presenças importantes de autoridades da região. Cerca de 600 convites foram distribuídos somente entre políticos, padres, bispos e policiais.

No domingo, haverá um culto ecumênico celebrado por três padres, também convidados pelo movimento. Mas a comemoração inclui festa, e ônibus deverão estar levando acampados e assentados de toda região para este que promete ser um dos maiores eventos realizados pelo MST.

A assentamento Zumbi dos Palmares completa quatro anos, com 56 famílias assentadas. O acampamento Madre Cristina, de 63 famílias, comemora dois anos de existência e o de Nova Canudos completa um ano, agregando 500 famílias de acampados.

Liberdade provisória

Outro motivo para comemoração e que não estava previsto no calendário até anteontem, é a conquista de liberdade provisória para três integrantes do movimento que haviam sido presos em 31 de janeiro, numa manifestação na praça de pedágio de Iaras.

Naquela oportunidade, eles se manifestavam contra a prisão de outros seis integrantes do movimento que haviam sido presos na manifestação ocorrida na praça de pedágio de Boituva, em 10 de novembro de 99.

Soraia Soriano, que estava detida na Cadeia Pública Feminina de Cerqueira César, João Paulo Rodrigues Chaves e José Batista de Oliveira que estavam presos na Cadeia Pública de Avaré, conquistaram a liberdade provisória anteontem, por volta de 21 horas.

Os seis integrantes detidos desde novembro ainda continuam presos. Os advogados dos MST, Luiz Henrique Ferraz e Adriano Martins, disseram ontem que um pedido de "habeas corpus" deve ser protocolado no início da próxima semana no Tribunal de Justiça de São Paulo. Eles alegam que os 81 dias previstos no Código de Processo Penal para instrução criminal já passaram e não há porque eles estarem presos. Outro "habeas corpus" e quatro pedidos de liberdade provisória já foram negados.

Os detidos não têm registro de antecedentes criminais segundo os advogados. Na manifestação da praça de pedágio de Iaras, 72 pessoas foram encaminhadas às delegacias de polícia de Iaras e Avaré. Nenhuma delas tinha antecedentes criminais. Mesmo assim, três foram detidas; as mesmas que agora conquistaram liberdade provisória.

Comentários

Comentários