BB da Barra seria o alvo da quadrilha
A única pista deixada pela quadrilha foi uma lista con números de telefone celular e que está sendo investigada
O último policial militar a ser libertado pela quadrilha que passou por Barra Bonita e Lençóis Paulista anteontem
à noite revelou, após ser solto ontem de madrugada, que o objetivo dos marginais era roubar o Banco do Brasil de Barra Bonita e para isso pretendiam pegar o gerente do banco como refém. O crime só não foi consumado porque a intervenção de três soldados PM os obrigou a mudar de rumo.
Só ontem de manhã, a PM conseguiu traçar o percurso feito pelos bandidos e também enumerar as vítimas que viraram reféns, bem como localizar todos os veículos roubados durante a fuga.
Ao todo foram dez reféns que foram sendo libertados aos poucos até que os marginais se sentissem seguros o suficiente para continuar a fuga sozinhos. A última aparição deles, e que foi registrada pela polícia, ocorreu em Lençóis Paulista na madrugada de ontem, onde eles roubaram um Monza, uma Kombi e um Corcel, fazendo mais seis pessoas de reféns. Até então eles tinham seqüestrado três policiais militares e o dono de um Kadet, ainda em Barra Bonita. Os três revólveres, munição e farda dos três PMs foram levado e até ontem não haviam pistas sobre o destino que tiveram.
Segundo o tenente Humberto Cestari, comandante do 1º Pelotão da PM de Barra Bonita, apesar do susto, nenhum dos reféns sofreu agressões físicas. Os veículos roubados durante a fuga, um Kadet, uma viatura policial, uma Kombi e um Corcel foram todos abandonados e recuperados. A única pista encontrada pela polícia e que está sendo checada
é uma lista contendo vários números de telefone celular. Essa lista foi encontrada numa chácara, no município de Lençóis por onde eles passaram já de madrugada.
A ação criminosa teve início por volta das 19h30 de anteontem, na praça da Matriz Santo Antonio, no bairro São Caetano, na Barra. Os soldados Maurício dos Santos, Eriovaldo Conceição dos Santos e Pedro Augusto Buzacarini, foram rendidos quando tentavam checar uma informação de uma moradora da cidade que acionara a PM porque estranhou a presença de Audi (e não Astra como foi divulgado), com o som alto, ocupado por pelo menos quatro homens e que havia passado parte da tarde estacionado numa
Os três militares foram, então, checar as informações e, num primeiro momento, os marginais teriam dito que eram policiais federais e que estavam se preparando para "derrubar uma casa". Na sequência sacaram armas e abriram fogo contra os PMs que foram todos rendidos e colocados na própria viatura, no compartimento reservado para transportar presos.
Parte da cena do confronto foi presenciada por um grupo de moças que estavam sentadas num dos bancos da praça da igreja. Dois veículos, um Santana branco e um Gol verde teria sido visto por algumas das testemunhas, mas esses veículos só teriam sido avistados em Barra Bonita e não durante a fuga que se estendeu pelo resto da noite.
Depois de assistir ao tiroteio e perceber que os militares haviam sido levados, as moça procuraram a polícia que iniciou, então uma verdadeira perseguição. Algumas informações davam conta que os carros em fuga haviam tomado destino rumo a Lençóis e São Manuel.
Assim que deixaram Barra Bonita, com destino a Igaraçu do Tietê, os marginais abordaram um Kadet preto, renderam o motorista e ocuparam o carro. Nesse momento, um sargento PM aposentado, à paisana, num Fiat, passava pelo local, achou estranha a movimentação e iniciou uma perseguição mas, assim que os marginais perceberam atiraram no pneu do Fiat que teve, então, que desistir da perseguição. O Audi foi abandonado perto de Igaraçu e um pouco mais adiante, numa estrada de terra, em meio a um canavial, foi deixada a viatura com os soldados Maurício e Santos, sem as fardas e o dono do Kadet que também havia sido rendido.
A fuga continuou e já próximo a Lençóis, os marginais que ainda mantinham um soldado como refém, fizeram novas vítimas. Quatro pescadores que ocupavam uma Kombi e um Corcel foram rendidos e levados para uma chácara, na zona rural de Lençóis Paulista. Os dois veículos também foram levados. Numa ação paralela, supõe a PM, outros integrantes da quadrilha faziam de reféns dois rapazes que estavam num Monza pelas ruas de Lençóis. Os dois, bem como o Monza também foram levados para a chácara, onde já se encontravam também o soldado Buzacarini e os quatro pescadores. Todos foram amarrados e só se soltaram a partir do momento em que desconfiaram que os marginais já tinham ido embora. Aí, então foram até a polícia, em Lençóis.
O alvo
O soldado Buzacarini, ontem, disse que durante o tempo em que ficou nas mãos dos bandidos, pôde ouvir e perceber que o Banco do Brasil de Barra Bonita era o alvo da quadrilha que, para consumar o roubo pretendia render o gerente. A polícia apurou que, de fato o gerente da agência morava nas próximidades da praça onde o Audi estava estacionado. Pelo que o policial pôde perceber ainda, o bando já estaria na cidade há cerca de três dias.